Educação

VOLTA ÀS AULAS

Campinas: Dário Saadi retoma aulas presenciais em meio a riscos e sobrecarga de trabalho

O ensino na rede municipal de Campinas, que estava sendo estritamente remoto desde março do ano passado, voltou a ser parcialmente presencial desde a semana passada. Num momento crítico da pandemia, prefeito e secretário de educação oferecem exposição e sobrecarga de trabalho aos professores e funcionários das escolas.

segunda-feira 3 de maio| Edição do dia

Foto: EBC

Por determinação do prefeito Dário Saadi (Republicanos) junto com o secretário de educação, Tadeu Jorge, as aulas nas escolas de ensino fundamental da rede municipal de Campinas voltaram a ser de forma presencial desde 26 de abril. As creches e o ensino infantil retomaram as atividades presenciais nesta segunda-feira, 3 de maio.

Dário Saadi até agora vinha buscando se apresentar, nesse tema, de forma “mais responsável” que o governo estadual. Manteve as escolas fechadas quando a rede estadual voltou ao ensino presencial no início do ano e atrasou o retorno no mês de abril em uma semana em relação às outras escolas estaduais. Ações que refletem mais o nível catastrófico que a pandemia se encontrava em Campinas, do que um real interesse em realizar um plano efetivo.

Com média móvel acima de 2400 mortes diárias por covid-19 no país e chegando a um total de 407 mil óbitos pela doença, Dário, junto Doria e outros prefeitos e governadores, buscam responder ao anseio dos empresários da rede privada de ensino, juntamente com os setores da direita mais negacionista, que querem que as aulas voltem a ser presenciais custe o que custar, se importando somente com seus lucros.

Em Campinas já são mais 3 mil vítimas fatais, sendo que abril foi o terceiro mês mais letal desde o início da pandemia. Apesar de os dados oficiais da prefeitura apresentarem uma ligeira melhora da situação, até a última quinta-feira (29) não haviam leitos livres de UTI Covid no SUS municipal e a fila de espera chegou a dobrar de quarta para quinta. Essa flexibilização de medidas contra a disseminação do vírus em momento de aparente melhora sempre levam a situações ainda piores que momentos anteriores.

Somente nesta primeira semana de abertura parcial das escolas foram seis trabalhadores da educação afastados por covid-19 (três serventes de limpeza, uma zeladora e duas professoras), sendo dois casos confirmados e os outros aguardando resultados dos exames.

Apesar de a vacinação de professores e funcionários das escolas já ter iniciado, ela segue a passos extremamente lentos. Apenas os que têm mais de 47 anos tiveram acesso à primeira dose, o que significa que a maior parte segue exposta. Além de que, evidentemente, a abertura das escolas não possibilita o contágio apenas entre professores e funcionários, toda a comunidade escolar está exposta e por isso é necessário lutar para que toda a população tenha direito à vacinação.

Com o retorno presencial, na forma atual, chamada de ensino híbrido, além de todo o risco de contaminação, professores estão sofrendo com a sobrecarga de trabalho. Pois, cumprem quase toda a carga horária na escola, atendendo tanto alunos no presencial quanto virtualmente com condições precárias para trabalho online. E depois, quando chegam em casa ainda têm toda a demanda do ensino remoto. No ensino infantil outras questões extremamente importantes aparecem. Quanto mais novas as crianças, mais difícil é estabelecer protocolos de segurança e distanciamento social.

A decisão de retornar às aulas presenciais nesse momento, passou longe de levar em consideração as opiniões e condições vividas por professores, funcionários, estudantes e familiares. Evidentemente que a escola tem um papel fundamental para alunos e comunidade escolar, não só educacional, mas também ligado à alimentação, segurança, etc. Porém, a forma como deve se dar esse retorno e quando, é uma decisão que deve ser da comunidade escolar e não dos engravatados que nunca pisaram em uma escola ou sujaram a mão de giz.




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