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BANCÁRIOS | Caixa faz provocação aos trabalhadores com o pagamento da PLR

quinta-feira 6 de abril de 2017 | Edição do dia

Na última sexta, 31/03, a Caixa deixou nos locais de trabalho um grande clima de indignação com mais um ataque. O alvo da vez foi a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), que foi praticamente arrancada da maioria dos funcionários após um “erro” na projeção do lucro líquido do banco para o ano de 2016. A Caixa testa forças com esta provocação, e com isso prepara ataques piores como mudar regras do plano de saúde, a ameaça de fechar agências, mais reestruturações e privatização.

A Caixa, na época do pagamento da primeira parcela da PLR em finais de 2016, projetava um lucro líquido de R$ 6,7 bilhões para a totalidade do ano de 2016. O fechamento do balanço anual, no entanto, apontou uma queda no lucro líquido para R$ 4,1 bilhões, ou seja, uma diferença grotesca de cerca de 40% entre projeção e realidade.

Essa diferença atingiu em cheio o valor recebido e os planos da maioria dos funcionários, entre técnicos-bancários, caixas e outras funções não gerenciais. O valor recebido foi em média cerca de 10 vezes menor do que o recebido em outros anos. As funções gerenciais e os altos cargos, no entanto, tiveram grande parte de sua segunda parcela garantida.

Este fato escandaloso deixou um grande mal-estar entre os bancários, obrigando a Caixa a recorrer a um comunicado interno onde o banco chega, inclusive, a culpar a histórica greve do ano passado (que, por sinal, foi responsabilidade da própria Caixa que não atendia as reivindicações dos bancários) como um dos fatores que teriam influenciado na queda do resultado, dentre outras justificativas que são indecifráveis para qualquer um que deseje saber os reais motivos de uma diferença tão gritante.
Além da enorme indignação dos trabalhadores, ficam no ar algumas perguntas: Se houve um erro desta magnitude por parte da Caixa na projeção dos resultados, este erro não deveria ser responsabilidade da própria Caixa? Porque o banco faz os bancários pagarem este erro?

Esse ataque à PLR reacende questões que hoje, mais do que nunca, dizem respeito ao papel da Caixa enquanto banco público. A principal delas é: para onde vai o lucro de um banco estatal como a Caixa? Sabe-se que uma parte vai para o Tesouro Nacional para pagar juros da dívida pública, ou seja, escorre direto para os bolsos do capital internacional credor da dívida. Mas quanto vai? O lucro da Caixa não deveria ser revertido, por exemplo, para financiar habitação, transporte, saneamento básico, infraestrutura para melhorar a vida do conjunto da população do país?

Isso sem falar em dados incompreensíveis como a provisão para devedores duvidosos, que aumentou, mesmo com índices apontando reversão significativa da inadimplência. Então quem são hoje os maiores devedores duvidosos que inflaram essa provisão? Temos que exigir a abertura da contabilidade da Caixa para que todos os dados sejam apresentados de uma maneira acessível a todos os trabalhadores.

Enquanto isso, Sindicado e APCEF devem exigir respostas e não desculpas

Os sindicatos e APCEFs em todo o país tem a responsabilidade de colocar a estrutura de sua própria contabilidade a serviço de destrinchar e explicar a todos os bancários da Caixa quais foram os motivos que levaram a tamanho descalabro. Qual o verdadeiro impacto que o salvamento de empresas como a Oi e a Sete Brasil tiveram no balanço apresentado?

No noticiário, não faltaram menções ao fato de que as dívidas destas empresas impactariam os resultados dos bancos públicos principalmente. E cabe aos bancários se organizarem para exigir respostas concretas em relação a esses prejuízos assumidos. Pois já está difícil do governo e da direção do banco disfarçarem a intenção de jogar sobre os funcionários o pagamento desta dívida.

Nessas horas o banco mostra como a dependência da PLR pode ser uma armadilha para os trabalhadores

Os bancos e as empresas que pagam participação nos lucros, tem a prática costumeira de pressionar para baixo os salários para terem a remuneração variável como um instrumento de chantagem e assédio sobre os trabalhadores. Com isso, os patrões tentam dizer que o único caminho para o trabalhador ter uma remuneração melhor é competindo com os colegas, se esfolando no trabalho diariamente, e não lutando coletivamente por um salário melhor.

Todo o lucro só é possível através do trabalho e suor de todos os bancários, mas ao reivindicar a PLR por fora de uma luta por um salário digno que cubra todas as necessidades de vida dos trabalhadores reforçamos a armadilha em que querem nos colocar.




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