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CORONAVÍRUS

Caem as bolsas do mundo apesar da redução drástica das taxas de juros

As bolsas europeias caíram até 9% apesar da abertura dos mercados nesta segunda. Na Ásia perderam 4%. O petróleo também colapsou. Wall Street reagiu à baixa e espera-se que a bolsa de Nova York também se abra em queda.

segunda-feira 16 de março| Edição do dia

As bolsas de valores caíram, o preço do barril de petróleo voltou a colapsar e o dólar retrocedeu nesta segunda, depois que a Reserva Federal reduziu as taxas de juros dos EUA a níveis historicamente baixos.

As medidas de estímulo monetário não conseguiram frear o pânico financeiro em meio aos impactos do coronavírus na economia mundial. Las bolsas europeias abriram com quedas de até 9%, mesmo com as medidas que tomaram os bancos centrais no domingo.

Em Paris, CAC 40 caiu 9¢ nos primeiros intercâmbios, o mesmo que ocorreu com o FTSE 100 de Londres (-7,6%) e com o DAX 30 de Frankfurt (-7,8%). Em Madri, o IBEX 35 retrocedeu 8,7% e na Itália o FTSE Mlb 7,6% [todos estes são índices de mercado, que apontam o desempenho de ações, representando a variação média das cotações dos ativos que as compoẽm, nota da tradução].

As mais afetadas foram as companhias aéreas em resposta a uma expansão das proibições de viagem. A matriz da British Airways-IAG caiu quase 25% enquanto a Air France-KLM caiu 17% e a alemã Lufthansa perdeu 10%.

Desta forma a Europa, que se converteu no epicentro do surto depois de sua expansão na China, viu como suas principais bolsas de valores reagiram com importantes perdas, que não mudam diante das medidas de estímulo. Anteriormente, as previsões de Wall Street para o índice S&P 500 alcançaram seu limite inferior nos primeiros 15 minutos de negociação asiática, já que os investidores se apressam pela segurança.

A queda das praças europeias se produz logo após o fechamento também com perdas das bolsas asiáticas, em alguns casos fortes, como Shangai (-3,4%) e Hong Kong (-4,03%). Isto está ligado à difusão dos dados econômicos oficiais chineses, que mostraram colapsos nas atividades jamais registrados. A produção industrial afundou cerca de 13,5% e as vendas no varejo cerca de 20,5%.

A bolsa da Austrália também afundou 9,7%, registrando uma queda histórica.
Tudo isto ocorre enquanto a Reserva Federal dos EUA lançou no domingo o maior pacote de estímulo monetário desde a crise financeira de 2008, que inclui um corte das taxas de juros de um ponto, até deixá-las entre 0% e 0,25%, e uma injeção de liquidez de US$700.000 milhões.

Além disso, a Reserva Federal acordou uma ação coordenada com os bancos centrais do Canadá, Inglaterra, Japão, Suíça e com o Banco Central Europeu (BCE) para canalizar uma liquidez maior ao mercado através de linhas de intercâmbio de dólares. Trata-se de uma coordenação que não se via desde a crise financeira de 2008, mas não conseguiram atacar o temor dos investidores globais.

“Estamos enfrentando a perda de credibilidade do banco central, da perspectiva do mercado” disse Michael O’Rourke, estrategista chefe de mercado Jonestrading, Stamford, Connecticut, segundo a agência Reuters.

“Quando a comunidade de investidores perde a fé na Reserva Federal é quando o mercado se torna muito perigoso” sentenciou O’Rourke.

Por sua vez, o petróleo segue afundando. O barril de petróleo bruto Brent retrocedeu abaixo dos 32 dólares, até US$ 31,86, ou seja, 5,64% menos frente ao fechamento de sexta, o menor preço desde março de 2004.

A OPEP estima que este ano o total da demanda de barril de petróleo bruto não superará, como havia calculado, a barreira psicológica dos 100 milhões de barris diários, senão que cairá uma média de 99,73 milhões, ainda que não se pode descartar uma queda maior, de acordo com a continuidade da dinâmica recessiva sob impacto do coronavírus.




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