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16 de março | Cadê a construção da Apeoesp e CNTE para o dia chamado de mobilização da educação?

Amanhã dia 16/03 foi chamado pela CNTE um dia de mobilização nacional da educação. Entre as principais pautas, a imediata implementação do reajuste do piso salarial e a revogação do Novo Ensino Médio. Razões para nós educadores sairmos às ruas e organizarmos nossa luta não faltam, assim como para que o dia 16/03 seja realmente um dia de luta pelo país. Mas aqui em São Paulo a Apeoesp, dirigida pelo PT e maior sindicato da educação do país, portanto, que poderia cumprir um papel decisivo na construção desse dia, não esteve à altura e na prática vem desamparando aquelas e aqueles educadores que sentem a necessidade e gostariam de parar e ir às ruas nesse dia.

terça-feira 15 de março | Edição do dia

A CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) convocou para o próximo dia 16/03, quarta-feira, um dia de mobilização nacional da educação. Entre as principais pautas, a imediata implementação do reajuste do piso salarial – que Bolsonaro buscando capitalizar eleitoralmente nada mais fez que referendar e passar a conta para governadores e prefeitos – e a revogação do novo Ensino Médio, um verdadeiro projeto de educação para a precarização atrelada a Reforma Trabalhista. Razões para nós educadores sairmos às ruas e organizarmos nossa luta não faltam, assim como para que o dia 16/03 seja realmente um dia de luta pelo país. Não à toa, vemos professores de diferentes redes do país mobilizados ou em greve como é o caso dos municipais de Recife e estaduais de Minas Gerais.

Mas aqui em São Paulo, a Apeoesp, dirigida pelo PT e maior sindicato da educação do país, portanto, que poderia cumprir um papel decisivo na construção desse dia, não cumpriu seu papel. Às vésperas do dia 16, muitos professores seguem cheios de dúvidas em relação a parar e se o sindicato vai batalhar e garantir o direito de reposição. Aqueles que tomaram conhecimento sobre o dia e tem interesse se sentem inseguros, sobretudo se estamos falando dos mais precários, como os categoria O. Não há material de construção nas escolas, não se promoveram reuniões nas escolas. E olha que aqui em São Paulo, além da defasagem salarial, Novo Ensino Médio, PEIs, ainda estamos às caras com o PLC 3/22 publicado recentemente, a chamada “Nova Carreira” de Doria e Rossieli, que será um novo avanço na precarização e aumento de controle do trabalho docente, pintado por um discurso de “valorização” da carreira. Doria diz que vai reajustar salários, em forma de subsídio, mas em troca quer desmontar a atual carreira, inserindo uma profunda reestruturação do trabalho docente que impõem aos professores muito mais controle, aumento do ritmo de trabalho e amarras na formação continuada.

Leia mais: "Nova Carreira" de Doria e Rossieli esconde precarização e controle sobre professores

O dia de mobilização nacional da educação deveria ser encarado como algo elementar nesse contexto de aprofundamento dos ataques à educação, e deveria servir para preparar terreno para a unificação das lutas em curso no país ruma a uma greve nacional da educação para colocar contra a parede e derrotar o governo federal e os regionais, por reajuste e aumento real dos salários, pela a revogação do novo ensino médio e condições de trabalho às professoras e professores, além da equiparação e incorporação do quadro de apoio das escolas no quadro do magistério, afinal são todos educadores. Mas, de longe, não é assim que a CNTE, órgão também dirigido pelo PT, vem encarando esse dia, sem construir e promover de fato a construção em cada sindicato, fomentando assembleias, reuniões em cada escola pelo país, distribuindo massivamente materiais e divulgando nas diferentes mídias. E em meio a lutas em curso de professores pelo país, não fez o necessário que era coordená-las nacionalmente, em prol inclusive do dia 16. A própria CNTE esvazia o sentido de paralisação, agitando como dia de mobilização. Partilham o mesmo imobilismo de CUT e CTB (dirigidas pelo PT e PCdoB, respectivamente), interessadas tão somente em canalizar o espírito de insatisfação dos trabalhadores para as eleições e eleger um Lula que deverá estar lado a lado de Alckmin, que dispensa apresentações.

Em São Paulo a Apeoesp, como já falamos, convoca o dia, mas de forma protocolar, sem promover debates nas escolas, e agora está até mesmo esvaziando seu caráter de paralisação. O que é muito grave já que só pesa para dificultar que mais professores parem nesse dia, que fechem suas escolas e participem do dia. Chamou uma doação de sangue, que por si só não é algo ruim, mas não é o mesmo que mobilizar as escolas para paralisar e batalhar para que não haja descontos do dia parado, e aqueles que não podem doar sangue, não podem paralisar? Ou tem que assumir suas faltas sem possibilidade de repor? A burocracia da Apeoesp tenta jogar nas costas dos educadores a falta de mobilização, mas na verdade quem constrói isso são eles mesmos, esvaziando o nosso sindicato de luta real contra todos os ataques que a comunidade escolar sofre.

Assembleias virtuais foram realizadas pelo estado porém conduzidas pela burocracia de forma antiburocrática, literalmente cortando o microfone dos educadores. É necessário fazer uma menção desonrosa ao SINPEEM, sindicato dos educadores municipais de São Paulo, dirigido por Claudio Fonseca do Cidadania (que está às vésperas de formar federação com o PSDB!) que sequer mencionaram o dia 16, sendo também filiado à CNTE.

Veja também: Paralisar as escolas de SP no dia 16 de março, rumo a mobilização nacional da educação

Diferente do que fizeram a direção da Apeoesp e da CNTE, era necessário fazer um grande chamado para a paralisação do dia 16 nas redes sociais e nas principais mídias, distribuir materiais, rodar as escolas para construir esse dia efetivamente promovendo discussões entre os educadores e a comunidade escolar, exigir que CUT, CTB e demais centrais sindicais ajudassem no chamado da paralisação, divulgando e angariando apoio de outras categorias.

Assista as falas do Movimento Nossa Classe Educação nas assembleias da Apeoesp no ultimo final de semana:

Professora Marcella Campos da Zona Norte da cidade de São Paulo

Professora Flávia Telles de Campinas

A saída para tudo o que enfrentamos no nosso dia a dia está na nossa luta organizada, nas ruas, construída em cada local de trabalho. O dia 16 não pode ser mais um dia protocolar!




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