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20N | Cacau "Apesar de sermos milhares as centrais sindicais dividiram e não construíram com força o dia 20N"

Reproduzimos aqui declaração ao Esquerda Diário da professora da rede pública do Rio de Janeiro, Carolina Cacau, que esteve entre os milhares que saíram às ruas neste 20 de Novembro contra o racismo.

sábado 20 de novembro | Edição do dia

"O povo negro é o que mais sofre com a fome nas filas do osso e do desemprego, sob a mira da polícia, e pode também ser linha de frente para enfrentar Bolsonaro, Mourão e todos os ataques que precarizam nossas vidas. Hoje, nas ruas, milhares estão mostrando disposição para combater o racismo e a miséria capitalista no Brasil da extrema direita e do regime herdeiro do golpe de 2016, com o Congresso e o Judiciário que também nos atacam. Entretanto, nossa luta seria muito mais forte se as direções não dividissem nossas forças.

A classe trabalhadora no Brasil é majoritariamente negra, e o que vimos neste ano foi que as centrais sindicais chamaram dias isolados, dispersos, sem um plano de lutas sério a partir de cada local de trabalho contra Bolsonaro e seu governo reacionário. A conclusão é que o 15 de novembro foi cancelado e não construíram com força o 20N, mostrando que as centrais sindicais decidiram dar as costas definitivamente aos sofrimentos dos trabalhadores e dos negros, em prol de seus objetivos eleitorais em 2022, com um Lula que se propõe à chapa até mesmo com o racista Alckmin.

O 20 de Novembro, marcado pela força de Zumbi, Dandara e do Quilombo dos Palmares e pela história de luta inconciliável dos negros, poderia ter sido parte de um forte plano de luta, construído pela base em cada local de trabalho desse país, nas escolas, nas fábricas, na Petrobrás, na CEDAE, chamando os garis, metroviários, rodoviários e todas as categorias desse país, efetivas e precárias, a se organizarem e lutarem contra o racismo, junto ao movimento negro. Com assembleias e reuniões de base, unificando a juventude que se inspira na luta internacional de uma geração que grita "sem justiça, sem paz", o combate ao racismo poderia ser motor para enfrentar a extrema direita e todos os ataques. Pelo contrário, a estratégia unicamente eleitoral e conciliadora das centrais serve para dividir e isolar as demandas dos negros e dos setores mais precários da população.

Basta! Estamos construindo o Polo Socialista e Revolucionário, junto ao PSTU e outros ativistas, e defendemos que cada luta seja cercada de solidariedade, coordenada e unificada, para que não fique isolada. Para isso, precisamos aglutinar toda a esquerda que se reivindica anti-burocrática para atuar nessa perspectiva e exigir que as centrais rompam com sua política atual. A classe trabalhadora, negra e feminina, no Brasil, se entra em cena atacando os lucros dos capitalistas, pode potencializar a luta das ruas e arrancar demandas como o reajuste salarial, de acordo com a inflação, emprego com direitos para todos, combater as operações policiais que massacram nosso povo e impor um plano de obras públicas, sob controle dos trabalhadores, que avance contra a especulação imobiliária para que possamos morar com dignidade, entre outras pautas urgentes."




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