Política

CPI DA COVID

CPI da Covid: Ministro e ex-ministros tentam fugir da responsabilidade pelo caos sanitário

Nesta quinta (06) foi a vez do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga. Mas depuseram também os seus antecessores, Nelson Teich e Luiz Mandetta. Para além de qualquer ilusão nas alas golpistas que conduzem a investigação, a população deve estar atenta às movimentações desses setores e não depositar confiança em seus inimigos.

sexta-feira 7 de maio| Edição do dia

Foto: Montagem/divulgação.

A comissão parlamentar de inquérito instaurada colheu nesta quinta o depoimento do quarto ministro da Saúde do governo Bolsonaro, Marcelo Queiroga, que chegou a pedir que o Congresso “dê um voto de confiança” ao trabalho dele no Ministério da Saúde. Para nós fica difícil confiar em alguém que, alçado ao cargo pelo presidente negacionista Bolsonaro, assumiu a tarefa de seguir a condução catastrófica de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus, que no Brasil já matou aproximadamente 415 mil pessoas até a data de hoje, segundo dados do portal Coronavírus Brasil.

O atual ministro se pautou na tentativa demagógica de responder às demandas reais da população, como a vacinação, um dos objetos centrais das investigações. Com discurso enviesado de que “a vacina é a resposta da ciência” e de que “só temos um inimigo, o vírus, o novo coronavírus, e temos que unir nossas forças para cessar o estado pandêmico da doença”, trabalhou na tentativa de limpar a barra do governo diante do caos que vive o sistema de saúde brasileiro, afirmou também não ter condições de se ater aos detalhes de um ministério tão complexo. Já sabemos que a solução é a campanha de vacinação, como afirmou cinicamente Queiroga no depoimento. Mas para além disso, o que cabe a nós, o conjunto da população trabalhadora, é impor uma resposta contundente à demagogia dos ministros de Bolsonaro, com um plano consequente de ataque à especulação das grandes farmacêuticas, lutando pela quebra das patentes e distribuição massiva de vacinas à toda população do país, demanda sobre a qual os sindicatos devem organizar uma forte batalha.

Pode interessar: Queiroga mente e fala que 18% da população está imunizada, sendo que só 7,49% tomaram 2 doses

O ministro da Saúde evitou dar respostas sobre a utilização da cloroquina e a ivermectina e disse desconhecer conversas com autoridades sobre uma "guerra química", citada pelo presidente Bolsonaro. Afirmou que a relação da pasta com a China é a melhor possível, se separando da xenofobia de Bolsonaro com o principal parceiro comercial do Brasil.

"Espero que as relações entre Brasil e China continuem e que não tenhamos impactos nessa relação".

Na quarta-feira (05), foi a vez do médico Nelson Teich, em seis horas de depoimento, expor que tinha divergências com Bolsonaro. O ex-ministro da Saúde ficou 28 dias no cargo em 2020. Ele falou sobre medicamentos ineficazes e os motivos pelos quais saiu do governo, um deles foi a falta de uma política de distanciamento social, chegou a fazer avaliações sobre a condução da pandemia pelo Executivo. Durante seu depoimento, Teich disse que pediu demissão do cargo por alguns motivos, diante do desejo do governo ampliar o uso da cloroquina, pela produção da droga por instituições públicas, pela orientação do governo sobre uso do medicamento ineficaz e a sua falta de autonomia à frente da pasta. Além de dizer que tem posições diferentes das de Bolsonaro em relação a medidas de distanciamento e isolamento social, fez críticas à tese de imunidade de rebanho.

Na terça-feira (04) o golpista Luiz Henrique Mandetta abriu a fase de depoimentos à CPI da Covid e, durante pouco mais de 7 horas, foi sabatinado sobre temas como a importância da ciência e das vacinas no combate à Covid e disse que o comportamento do presidente Jair Bolsonaro causou impacto no agravamento da pandemia. Durante a sessão, o ex-ministro Mandetta disse que o governo federal não quis fazer campanha nacional contra a Covid, relatou que uma minuta de decreto presidencial propôs que a Anvisa alterasse a bula da cloroquina para que o remédio fosse recomendado contra a Covid, disse que Bolsonaro foi alertado sobre a gravidade da pandemia e que o presidente tinha um assessoramento paralelo sobre as medidas a serem adotadas.

Veja também: A CPI não é pra salvar vidas, é pra salvar o regime do golpe

A CPI da Covid decidiu remarcar para o próximo dia 19 o depoimento do ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello. A convocação de Pazuello foi aprovada na semana passada. O depoimento, um dos mais aguardados pela CPI, estava marcado para esta quarta-feira (5), mas o ex-ministro disse ter tido contato recente com pessoas que contraíram a Covid-19 e se utilizou desse argumento para adiar o seu depoimento e tentar, taticamente, se localizar melhor.

Todos eles foram peças fundamentais do governo Bolsonaro na condução de sua política na pandemia. São, portanto, também responsáveis pela catástrofe que vive o país, assim como os governadores e o conjunto do regime político golpista. Nós, do Esquerda Diário, seguiremos acompanhando os desdobramentos da CPI da Covid, sem nenhuma confiança que pelas mãos deste parlamento inimigo dos trabalhadores, que vem aprovando inúmeros ataques, vá se fazer qualquer enfrentamento real à política do governo. Essas movimentações, ao contrário de salvar vidas, buscam salvar o regime do golpe.

No último domingo (02), publicamos no semanário Ideias de Esquerda, uma análise mais abrangente pensando o cenário de disputas internas no regime do golpe e para onde vai a CPI da Covid. Uma leitura essencial para entender mais profundamente essas movimentações.




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