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Movimento Estudantil | CEU/UnB na rua contra marmitas com larvas: Bolsonaro, golpistas e Reitoria, a culpa é sua!

Moradores da Casa do Estudante Universitário (CEU) na UnB fecharam hoje a via L2 Norte em Brasília protestando contra marmitas estragadas, com larvas, plástico e insetos! A culpa é da Reitoria de Márcia Abrahão, aplicadora dos ataques à educação de Bolsonaro e de todos os golpistas.

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

Luiza EineckEstudante de Serviço Social na UnB

segunda-feira 29 de março | Edição do dia

FOTO: DCE UnB

Hoje, dezenas de estudantes da CEU na UnB protestaram fechando a via L2 Norte, próximo à universidade. São inúmeras as denúncias dos estudantes de marmitas com larvas, plástico e insetos, um total descaso com a segurança alimentar e a vida dos estudantes em meio a pandemia, na qual uma alimentação saudável é fundamental para que os jovens tenham resistência biológica ao vírus.

Esses absurdos acontecem em meio a cortes na educação com a Lei Orçamentária que pode cortar 1,1 bi das federais, ataques ao auxílio alimentação de mais de 3 mil estudantes, fora o Ensino Remoto massacrante que precariza o trabalho dos professores e o ensino. Sem falar no absoluto descaso com os estudantes mais precarizados, em sua grande maioria negras e negros, LGBTs, filhos da classe trabalhadora, num ataque sistemático à permanência estudantil, parte de uma projeto de cada vez mais elitização das universidades.

Em denúncia recente de um vigilante da UnB, o trabalhador relata que pelo menos 8 estudantes da CEU estavam com COVID, sem contar que o espaço é bem mal higienizado devido a sobrecarga desumana de trabalho das equipes de limpeza que tem que arcar com a higienização da FEF, CO e CEU num mesmo dia, sem transporte e sem EPIs.

A Reitoria de Márcia Abrahão, que sempre se diz contra Bolsonaro e feminista, está obrigando as terceirizadas, em sua maioria mulheres negras e moradoras das satélites e entorno, a enfrentarem transporte público lotado, condições insalubres e super expositivas de trabalho - ao mesmo tempo que não deixa nunca de pagar certinho os lucros da Servite, da Lite e todas as empresas privadas que parasitam a UnB. O mesmo acontece com a Sanoli, empresa terceirizada da alimentação do RU. Condições super precárias de trabalho, marmitas estragadas - mas a Reitoria sempre tem dinheiro para a empresa, nunca para a assistência!

Hoje, até a escrita dessa nota, o ministro terraplanista das Relações Exteriores, Ernesto Araújo; o milico golpista e ministro da Defesa, Fernando Azevedo; a Secretária de Educação Básica do MEC, Izabel Lima Pessoa, e José Levi da AGU, saíram do governo, demonstrando as fissuras e disputas internas das frações burguesas dentro do regime golpista. Em meio ao aprofundamento da crise no Brasil, recordes de mortes, fome, desemprego, e crise política, é preciso aproveitar a briga dos de cima para lutar!

A partir desse importante ato hoje, que teve presença do DCE da UnB e o CASESO (CA de Serviço Social) e independentes, é preciso ir por mais. Esse é o momento dos estudantes se aliarem aos trabalhadores e se organizarem para impor com a força da nossa luta e mobilização uma resposta a esse descaso capitalista endossado pela Reitoria. Chega de sermos nós a pagar pela crise que os capitalistas criaram! Fazemos um amplo chamado a esquerda a se somar a essa luta, é extremamente necessário que o DCE organize os estudantes desde cada sala de aula e que cada CA impulsione a nossa luta aliada aos trabalhadores e professores, que como vemos são os que mais sofrem as consequências dessa crise.

Para conquistar e defender auxílio e permanência para os estudantes mais precarizados da universidade, para conquistar condições dignas de trabalho para os professores, trabalhadores, técnicos e terceirizados da universidade, é preciso superar a atual estrutura de poder da universidade. O estatuto e regimento geral desde sempre serviram e sustentaram a UnB com base na exploração da mão de obra negra e feminina, hoje principalmente na terceirização, mas também manteve uma universidade elitista, desligada dos interesses da classe trabalhadora e do povo pobre. Sendo que a Reitoria não é eleita e sim decidida, pelo presidente da República, sendo a consulta à comunidade acadêmica apenas mera formalidade. Precisamos mudá-los para que a comunidade acadêmica decida os rumos da UnB!

A luta e a conquista das reivindicações dos estudantes da CEU podem ser uma só luta, também, pelo fim da terceirização na UnB e pela efetivação imediata sem necessidade concurso público dos terceirizados da Sanoli, a fim de garantir alimentação e emprego digno imediatamente. Mas não só isso, como também é necessário exigir que todo o contingente de Ensino, Pesquisa e Extensão da UnB esteja voltado para atender as demandas da sociedade, dos trabalhadores e do povo pobre, para o combate imediato à pandemia. Isso não pode passar sem o questionamento profundo da estrutura de poder tal como ela é hoje, com uma perspectiva de avançar com sua ruptura - para um governo tripartite, conformados por estudantes, professores e trabalhadores, de forma proporcional, para que os três setores da universidade quem decidam como gerir o dinheiro, a pesquisa científica, o ensino e a extensão se ligando a todo DF e às periferias e o ensino diretamente vinculado à prática.

Precisamos aproveitar as fissuras dos de cima e lutar agora, não podemos esperar 2022, como querem algumas correntes da esquerda. A luta pelas melhores condições nas universidades não está desvinculada de uma luta contra Bolsonaro, Mourão e todo esse regime golpista. Só a luta independente dos estudantes aliados aos trabalhadores podem dar uma resposta para a crise, é por isso que é um absurdo que a UNE, dirigida pelo PT e PCdoB, não tenha convocado sua jornada de luta, amanhã, 30, unificada com a das centrais sindicais, que foi no dia 24, como a CUT e a CTB e que também são dirigidas pelo PT e PCdoB. Não é hora de dividir! Precisamos lutar de forma unificada para impor um plano emergencial contra a pandemia, a fome e o desemprego, e para que a maioria da população decida os rumos do país, com uma nova Assembleia Constituinte, imposta pela luta, que cancele todos os ataques do golpe, os cortes das universidades, que anule imediatamente a autoritária LSN que vem perseguindo estudantes e professores pelo país e debata um programa para que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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