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UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO | CDB do SINTUSP: uma visão do Movimento Nossa Classe sobre o processo e resultado das eleições

Aconteceu entre os dias 14 e 17 de junho as eleições para o Conselho Diretor de Base do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP). Essas eleições, que deveriam ter ocorrido no início de 2020, foram postergadas devido à pandemia e realizadas de maneira virtual.

segunda-feira 28 de junho | Edição do dia

Aconteceu entre os dias 14 e 17 de junho as eleições para o Conselho Diretor de Base do SINTUSP (Sindicato dos Trabalhadores da USP). Essas eleições, que deveriam ter ocorrido no início de 2020, foram postergadas devido à pandemia e realizadas de maneira virtual.

O Conselho Diretor de Base do SINTUSP é uma instância muito importante do sindicato que reúne mensalmente a Diretoria e os representantes eleitos em cada unidade da USP para debater e votar a orientação do Sintusp para a categoria. Esse ano se inscreveram 127 candidatos em 55 unidades da USP (da capital e do interior), tendo sido eleitos 121 novos representantes para o Conselho Diretor de Base. Nós, do Movimento Nossa Classe, concorremos nessas eleições em 10 unidades da capital (HU, FOUSP, Prefeitura, FFLCH, IgC, FAU, IEE, EEFE, Cinusp, Casa Dona Yayá).

Essa eleição do CDB é especialmente importante porque mais do que nunca precisamos avançar na organização dos trabalhadores em cada unidade para enfrentar todos os ataques que vemos no país e na USP. As eleições ocorreram em um contexto marcado por quase 500 mil mortes no país em decorrência da pandemia e da politica negacionista de Bolsonaro, Mourão e militares e por muitos ataques à classe trabalhadora em todo o país e também na USP.

Em meio à pandemia já morreram ao menos 35 trabalhadores efetivos e terceirizados, 3 estudantes se suicidaram e as trabalhadoras terceirizadas vem sendo demitidas. Em unidades como o Hospital Universitário, que não parou um dia sequer durante a pandemia, a reitoria e Superintendência do hospital avançam em impor cada vez mais precarização do trabalho sem a contratação de profissionais da saúde em meio à pandemia e em outras unidades de ensino a reitoria quer impor o retorno irresponsável das atividades presenciais na universidade.

Por tudo isso, o Movimento Nossa Classe apresentou uma plataforma defendendo a necessidade de uma luta efetiva contra Bolsonaro, Mourão e todos os militares, ao mesmo tempo que não confiamos em nenhuma alternativa para resolver essa crise que venha das mãos do Congresso ou do Judiciário, como CPI’s, pedidos de impeachment ou a espera por novas eleições em 2022, como propõe Lula e o PT. Para levar isso a frente e também enfrentar todos os ataques da reitoria precisamos aprofundar a auto-organização e a relação com a base fortalecendo a unidade dos lutadores e nosso Sindicato e precisamos exigir que as grandes centrais sindicais convoquem um dia de paralisação nacional contra Bolsonaro e todos os ataques. Defendemos a unidade dos trabalhadores e para isso é fundamental fortalecer a defesa dos trabalhadores terceirizados começando por combater todas as demissões que vem ocorrendo durante a pandemia e consideramos fundamental que a nossa classe e nosso sindicato tome em suas mãos a luta contra a opressão às mulheres, negros e LGBTs e cada representante de unidade pode ter um papel importantíssimo nessas batalhas.

Essa eleição contou com o esforço coletivo de uma comissão de trabalho composta por membros da Diretoria e do Conselho Diretor de Base cessante. Ainda assim, as dificuldades técnicas relacionadas com essa primeira experiência de um método de eleição virtual, somado ao fato de que a grande maioria dos trabalhadores da USP seguem suas atividades em home-office, dificultando o acesso dos candidatos aos sócios, fez com que o quorum da eleição fosse menor que em anos anteriores. Ainda assim, se verificou um aumento do número total de representantes de unidades da capital e do interior e se coloca com ainda mais importância a relação desses representantes com a organização de base da categoria através de reuniões de unidade e outras formas de chegar o mais amplamente aos trabalhadores.

Na maior unidade da USP, que seguiu funcionando durante todo o período da pandemia, o Hospital Universitário, foi onde ocorreu uma disputa entre os candidatos. A unidade possui 10 vagas para representantes e concorreram 13 candidatos. Nessa unidade, as companheiras e companheiros do movimento Nossa Classe e trabalhadores independentes apresentaram candidaturas juntos em base a ideias que defendem em comum.Esses [email protected] defenderam a necessidade de unificar os lutadores e fortalecer o Sintusp na luta pelos direitos da nossa classe e para derrotar Bolsonaro e Mourão. Em seu programa combateram a divisão que só enfraquece a nossa classe e por isso, defenderam a unidade de todos os setores dentro do Hospital Universitário como trabalhadores da saúde e a igualdade de direitos e salários entre efetivos e terceirizados. Para combater o desmonte e a precarização do HU defenderam a contratação para todas as áreas do hospital via concurso USP para retomar o atendimento pleno à população, à comunidade USP e seus dependentes e denunciaram a gestão autoritária do HU apontando a necessidade de uma gestão feita pelos próprios trabalhadores, estudantes e usuários.

Durante essa eleição no HU, os 5 Diretores do SINTUSP responsáveis pelo Hospital, todos parte do Coletivo “Piqueteiros e Lutadores”, fizeram campanha, em nome da diretoria do sindicato, para 8 candidatos entre os quais se destacava a presença de defensores do governo Bolsonaro e de suas medidas negacionistas. Os candidatos do movimento Nossa Classe e trabalhadores independentes alertaram a diretoria do Sintusp e os trabalhadores do hospital sobre esse problema escandaloso que só pode significar um retrocesso à organização dos trabalhadores, uma vez que a principal tarefa dos trabalhadores nesse momento é se organizar para enfrentar Bolsonaro, Mourão e os ataques que estão sendo aprovados contra nossos direitos. O que é, inclusive, a posição do nosso último Congresso de Trabalhadores da USP.

Diante desse alerta a diretoria do Sintusp soltou uma nota pública em que, ao mesmo tempo negava o apoio da Diretoria a qualquer candidato, também reconhecia que alguns de seus membros pudessem apoiar candidatos nas unidades, abrindo margem assim para que se mantivesse o apoio a candidatos bolsonaristas, como seguia acontecendo no HU.

Achamos um erro importante a postura da Diretoria do SINTUSP ao não se colocar categoricamente contrária à entrada no Sindicato de candidatos que defendem a política genocida e antioperária do Bolsonaro. Consideramos um problema também que como parte da campanha em apoio aos referidos candidatos bolsonaristas setores da diretoria utilizem argumentos que buscam separar a política dos assuntos relacionados às condições de trabalho e salário, enfraquecendo a organização sindical e politica dos trabalhadores, sua auto-organização e o avanço em sua consciência.

A expressiva votação que tiveram as companheiras e companheiros que se candidataram no HU defendendo uma posição de combate a Bolsonaro, Mourão e os militares fortalecem também a idéia de que precisamos de representantes atuantes e comprometidos com as decisões de assembléia, com a luta da classe trabalhadora, com a defesa dos terceirizados e que impulsionem a organização democrática dos trabalhadores no hospital.

De conjunto, porém, as eleições de mais de 120 representantes para o Conselho Diretor de Base do SINTUSP, demonstram a potência de uma vanguarda que, se busca se ligar com a base da categoria com uma política de independência de classe, fortalecendo as reuniões em cada unidade e a auto-organização dos trabalhadores, é capaz de derrotar os ataques que a Reitoria vem implementando há anos, como o arrocho salarial, os parâmetros de sustentabilidade, o acordo coletivo com banco de horas e o estatuto de conformidades e condutas. Assim como, em unidade com todo o funcionalismo, barrar a reforma administrativa e todo os ataques aos serviços público, ser exemplo para o conjunto da nossa classe na luta contra Bolsonaro, Mourão e todo esse regime fruto do golpe institucional de 2016, de maneira independente do PT e da sua política de conciliação de classes.




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