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Racismo | Burguesia racista: Zara cria código secreto para ’alertar’ a entrada de negros em sua loja

A loja Zara do Shopping Iguatemi, em Fortaleza (CE), escancarando o racismo inerente da burguesia, criou um código secreto para funcionários ficarem atentos a "pessoas de cor". O código, chamado de ’Zara zerou’, foi descoberto durante a investigação do caso envolvendo a delegada Ana Paula Barroso, que é negra, e foi proibida de entrar na loja.

quarta-feira 20 de outubro | Edição do dia

SOPA Images / Colaborador/Getty Image

A loja Zara do Shopping Iguatemi, em Fortaleza (CE), escancarando o racismo inerente da burguesia, criou um código secreto para funcionários ficarem atentos e acompanharem pessoas negras ou com "roupas simples" que entrassem no estabelecimento.

O "alerta" era dado pelo sistema de som da loja, por meio do código "Zara Zerou".

Trabalhadores da loja alegam que eram orientadas a identificar essas pessoas com estereótipos fora do "padrão" da loja, fazendo com que o cliente fosse tratado como uma pessoa "nociva", que deveria ser acompanhada de perto. Isso geralmente ocorria com pessoas com "roupas simples" " e "pessoas de cor’".

Há relatos de que esse tipo de tratamento absurdo da Zara já foi registrado diversas vezes, não só aqui no Brasil, mas inclusive fora do país.

O código, chamado de ’Zara zerou’, foi descoberto durante a investigação do caso envolvendo a delegada Ana Paula Barroso, que é negra, e foi proibida de entrar em uma das lojas da empresa na cidade de Fortaleza, capital do Ceará, na noite do dia 14 de setembro, registrando um boletim de ocorrência por racismo. Na ocasião, a alegação era de que o veto se tratava de uma "questão de segurança" do shopping.

O gerente da loja, Bruno Felipe Simões, foi quem expulsou Ana Paula da loja, e foi indiciado pelo crime de racismo.

Entidades do movimento negro ingressaram na Justiça do Ceará contra a rede de lojas Zara, pedindo R$ 40 milhões de indenização por dano moral coletivo.

Existe uma segunda investigação sobre outro caso de racismo que foi aberta após uma denúncia semelhante de outra cliente da Zara. O fato ainda está em fase de apuração.

No caso da delegada, Simões alegou, em depoimento, que impediu o acesso da delegada à loja porque ela estava usando máscara de forma inadequada, o que contraria os protocolos contra a covid-19. Ana Paula Barroso rebate essa justificativa, pois fatos demonstram que o tratamento aos clientes variava conforme a cor e perfil, e não conforme o uso ou não de máscara.

Por exemplo, imagens do circuito interno de câmeras do shopping e da loja mostram que a delegada, ao tentar entrar na loja, estava com a máscara abaixada porque ela tomava sorvete. Durante todo o resto do trajeto dela no estabelecimento, ela fez uso da máscara.

No Boletim de Ocorrência, ela relata que questionou o gerente sobre se estava sendo barrada por estar comendo. Ele teria apenas repetido várias vezes que era uma determinação da segurança do shopping. Em seguida, a delegada procurou a equipe de segurança do centro comercial e relatou o ocorrido. Questionou se podia ter sido barrada por estar comendo, mas ouviu de três seguranças do shopping que não havia determinação nesse sentido.

Os seguranças apenas orientam a recolocar a máscara se não tiverem fazendo o consumo de alimentos. Quando veem, não abordam.

Ana Paula também falou com o chefe da segurança do shopping. Os dois voltaram à Zara, onde o gerente confirmou a versão da delegada e se desculpou pelo ocorrido. "Ele pediu desculpas e afirmou que se tratava de uma política que valeria a todos. Disse que não era racista, que tinha até amigos negros e homossexuais", afirma Manuela Lima, delegada da Mulher de Fortaleza.

Imagens coletadas mostram outros clientes brancos circulando normalmente pela loja mesmo sem máscaras ou usando o acessório de forma errada. O mesmo gerente que expulsou a delegada aparece atendendo algumas dessas pessoas brancas.

Imagem: Reprodução/Polícia Civil

Segundo a delegada da Mulher de Fortaleza, o inquérito se atém apenas ao suposto crime praticado pelo gerente e não pode culpabilizar a Zara. "A loja tem responsabilidade civil pelos danos causados pelos funcionários, por qualquer tipo de dano moral de fala a alguém", explicou.

Ana Paula ainda pode ingressar com ação privada cobrando danos morais pelo episódio.




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