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JOÃO DORIA | Brincando de andar de ônibus, Doria atrapalha trabalhadores e quer cobradores demitidos

Ítalo DiasCoordenador do CACS Marielle Franco da UFRN (Ciências Sociais)

segunda-feira 6 de fevereiro de 2017 | Edição do dia

(Foto: Juliana Diógenes/Estadão)

Na manhã dessa segunda-feira, 6, o prefeito João Doria em mais uma empreitada populista de sua gestão, pegou ônibus pela primeira vez desde que assumiu a prefeitura. Não obstante, o prefeito estuda acabar com o emprego de cobrador aumentando a tarifa paga em dinheiro.

O trajeto do prefeito teve início no Terminal Capelinha, na zona sul, e, após 1h20min, chegou ao Terminal Bandeira, no centro. Doria e sua equipe, além de fotógrafos, jornalistas e seguranças, geraram reclamações por parte da população. Isso porque o teatro do prefeito acarretou em mais demora do que de costume para a saída dos ônibus, atrasando os passageiros que iam para o trabalho.

Durante a viagem, o prefeito fez do momento uma propaganda populista e demagógica, com direito a selfies com passageiros e do seu bilhete único, esse que possuía uma foto do prefeito (curiosamente colorida para um prefeito tão afeito ao cinza). Essa é uma ação que se soma ao Dória gari e outras ações midiáticas e demagógicas que o prefeito adotou como estratégia de gestão.

Mas por que Dória faz tanto jogo de cena?

Não tão curiosamente, cada ação midiática do prefeito vem acompanhada de um ataque. Após o Dória gari, vimos o prefeito avançando sobre os moradores de rua com telas e autorizando a retirada de seus pertences. Ou então quando decidiu entrar em guerra com a arte nas ruas, ele mesmo se incumbiu de ir lá e passar o cinza pelos muros de São Paulo.

Agora que o prefeito utilizou o seu bilhete único (que já deve estar guardado em alguma gaveta) para “ouvir a população” a respeito do transporte público, segundo o Estadão, Dória estuda acabar com a função de cobrador, tomando exemplo de outras cidades do interior paulista, como Campinas, também a cidade com segunda maior passagem de ônibus do país (R$4,50) e com não raros acidentes de ônibus desde o fim dos cobradores.

Essa política na cidade também passou longe de melhorar as condições do transporte ou de salário dos motoristas. Pelo contrário, manteve seu salário de miséria obrigando-os a cumprir uma dupla função, precarizando ainda mais o seu trabalho. Significou, como também significará se Dória o fizer, o corte de gastos pros empresários mafiosos dos transportes lucrarem ainda mais em cima do transporte público.

Não é e nem será o primeiro ataques de Dória ao transporte público de São Paulo, de modo que esse ano o prefeito, junto ao governador Geraldo Alckmin, decidiram aumentar acima da inflação o bilhete de integração, que foi barrado pela Justiça. A passagem segue congelada, como prometeu, mas até quando?

Os empresários do transporte, a quem Dória dá ouvidos todos os dias, não vão querer ver seus lucros subsidiados pela prefeitura diminuindo perante a crise. O fim dos cobradores é diretamente uma demanda desses empresários, e não nossa, da população que trabalha e necessita do transporte público, mas também de emprego, como é o caso dos 20 mil cobradores ameaçados pelo prefeito.

Precisamos de um transporte de qualidade e gratuito, portanto estatizado e sobre controle dos trabalhadores e dos seus usuários, e não de um prefeito e de um empresariado andam de ônibus no máximo para fazer cena, logo depois deixam guardado seu bilhete único. Aqueles que entendem das necessidades do transporte é quem deveriam controla-lo, garantindo que o lucro dos empresários não esteja acima das necessidades do povo.




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