Sociedade

APAGÃO NO AMAPÁ

Brasileiros pagarão pelos gastos da crise no Amapá em conta de luz, após dias de apagão e repressão

Bolsonaro, os golpistas e os empresários farão com que a crise aprofundada pelo apagão no Amapá seja paga pela própria população, porque parte das despesas para socorrer o fornecimento de energia está prevista de ser bancada por todos os consumidores de todo o país. A desculpa para que não sejam os capitalistas a pagarem por mais essa crise é de que o montante será usado para contratação emergencial de usinas térmicas para restabelecimento do serviço no estado.

sexta-feira 13 de novembro| Edição do dia

Foto: Reprodução/Rede amazônica

Os custos serão embutidos na conta de luz por meio do Encargo de Serviços do Sistema (ESS), que serve para manter a estabilidade do sistema elétrico. Essa conta será rateada entre os consumidores atendidos pelas distribuidoras, como os residenciais, e pelos que operam no chamado mercado livre, como indústrias. O saldo dependerá da quantidade de energia, do tempo que esse acionamento será necessário e do custo do combustível que será usado pelas usinas.

A medida está prevista desde o lançamento da portaria publicada pelo Ministério de Minas e Energia, na última sexta-feira, 6. Diante da situação de calamidade pública no Amapá, o governo Bolsonaro deu aval para a Eletronorte, subsidiária da Eletrobrás, atuar no restabelecimento do serviço. O ministério autorizou a empresa a contratar "de forma célere, excepcional e temporária" até 150 MW por até seis meses ou quando houver reconhecimento de condição satisfatória de atendimento ao estado.

Segundo o coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Nivalde de Castro, o encargo é usado como um "curinga" para quando há necessidade de atendimento emergencial. "É uma medida, do ponto de vista legal e energético, correta. O custo é muito alto, mas é rateado entre todos os consumidores. O Estado está há muito tempo sem energia elétrica, então, faz sentido essa decisão", afirmou.

O Ministério de Minas e Energia conta com a contratação emergencial para suprir totalmente o fornecimento de energia no Amapá apenas até a próxima semana. De acordo com a pasta, cerca de 80% do serviço já foi restabelecido. Pela portaria, a Eletronorte está autorizada a contratar imediatamente 40 MW de geração. Questionada pelo Broadcast Político, a empresa não informou a quantidade e condições dos contratos que estão sendo negociados

No 11º depois do blecaute, a energia ainda não foi completamente restabelecida no estado e órgãos do setor de energia sabiam já há dois anos dos riscos de apagão no Amapá. Documentos do Ministério de Minas e Energia e de outros órgãos do setor energético mostram que o problema já era conhecido e foi negligenciado tanto pelo governo quanto pela concessionária. E a previsão é de que o racionamento se estenda até 26 de novembro, segundo a Companhia de Eletricidade do Amapá (CEA), esticando ainda mais a situação de precariedade que se enontra a população do estado.

Como se não bastasse o descaso com a população que amarga com falta de refrigeração para seus alimentos, precariedade na distribuição de água tirando os serviços essenciais, como hospitais, atingidos pela falta de energia, ao se manifestarem contra esse descaso são atacados e reprimidos pela força armada do estado: a polícia. Isso fez com que um menino de 13 anos perdesse a visão após ser atingido por bala de borracha em manifestação.

A situação de caos social que vive o estado do Amapá não é um acidente, mas responsabilidade direta da privatização, sendo uma expressão do projeto de país do regime golpista e a pouca repercussão que o caso vem tendo nas mídias não é desinteressada, porque o projeto econômico de privatizações, que foi o que causou esse estado de calamidade e aprofundamento da crise no Amapá, também é parte da agenda defendida pela mídia burguesa. Enquanto os condomínios da família de Alcolumbre (presidente do Senado, golpista e amapaense do DEM) e dos juízes estão sendo alimentados 24h, o rodízio de energia e o abastecimento de água não chega aos bairros da periferia, nem tampouco nas comunidades quilombolas e indígenas.

É necessário denunciar essa situação, enfrentar ao regime político golpista, o qual tem como uma de suas pontas de lança Bolsonaro e impor a revogação de todos os ataques pela luta, com uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, para mudar as regras do jogo e para que não seja os trabalhadores e o povo pobre a pagarem pela crise que os capitalistas e seus governos criaram.

Veja também: O povo do Amapá não pode esperar, é necessário uma resposta imediata da esquerda

Fonte: Agência Estado




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