Economia

Inflação

Brasil tem a maior inflação registrada em novembro desde 2015

De acordo com dados do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados nesta terça-feira, 8, pelo IBGE, a inflação no Brasil subiu 0,89% em novembro, o maior resultado em cinco anos.

quarta-feira 9 de dezembro de 2020| Edição do dia

A alta no preço dos alimentos e combustíveis é o que mais pressionou o índice. Isso impacta principalmente para a população mais pobre, que já vem sentindo o aumento do desemprego e a redução da renda.

Mesmo as projeções mais pessimistas do mercado financeiro foram superadas, a estimativa era uma inflação mediana de 0,78% de acordo com Projeções Broadcast. Em 12 meses a taxa chegou a 4,31%, o que supera e muito a meta do governo que era de 4%.

Economistas estão revisando para cima as projeções para a inflação de 2020, e a expectativa é que a inflação acumulada em 12 meses chegue ao pico em maio chegando a 5,70%.

Dos grupos pesquisados os que mais tiveram aumento na taxa foram alimentação e bebidas com 2,54% e transportes com 1,33%. Habitação e artigos de residência também contribuíram para esse índice com 0,44% e 0,86% respectivamente. A carne ficou 6,54% mais cara e é o item que mais influenciou o índice, porém esse ano outros itens como o arroz, a batata e o óleo de soja, também influenciaram bastante. Em 12 meses, o acumulado da inflação na alimentação cresceu 15,94%, que é a maior variação desde outubro de 2003.

Nos transportes a fonte de pressão sobre a inflação veio dos combustíveis. A gasolina subiu 1,64% em novembro, pelo sexto mês consecutivo, e o preço do etanol se destaca com alta de 9,23%.

Segundo Pedro Kislanov, gerente do Sistema Nacional de Índices de Preços do IBGE, "com a redução do dólar, a melhora do cenário econômico, uma eventual retirada do auxílio emergencial, pode ser que tenha arrefecimento dos preços alimentícios em particular".

Apesar desse otimismo em relação à inflação que os economistas expressam, não é o que a população sente no bolso e na pele. A ONU afirmou que 2021 será o ano da maior crise humanitária desde a segunda guerra mundial.
E enquanto os bilionários tiveram crescimento de sua fortuna em 27%, estima-se que mais de 9,251 milhões de brasileiros vivendo em situação de extrema pobreza. O aumento da inflação de alimentos durante a pandemia é uma expressão da sede de lucro dos capitalistas não só no Brasil, mas em todo o mundo, que também são responsáveis pelas queimadas na Amazônia, na Austrália, e no continente africano, o que afeta diretamente as mudanças climáticas impactam em última instância a produção de alimentos.
A contradição é grande. No Brasil, o agronegócio manteve lucros recordes durante toda a pandemia, enquanto os preços do arroz, óleo e carne só aumentaram. Para combater a fome no Brasil, a solução possível está na luta pela nacionalização dos grandes latifúndios sob controle dos trabalhadores do campo com planificação democrática, como parte de uma reforma e revolução agrária para fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.




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