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38% dos assassinatos | Brasil tem a escandalosa marca de país que mais matou pessoas trans no mundo em 2021

TRANSFOBIA I No ano passado ocorreram 140 assassinatos de transexuais e travestis no país, o que significa o Brasil ter 38% dos casos de homicídios cometidos em todo o mundo

sexta-feira 28 de janeiro | Edição do dia

(Foto: National_Progress_Party/Wikimedia Commons)

Durante o ano de 2021 foram registradas 140 mortes de pessoas trans no Brasil, sendo 135 travestis e mulheres transexuais e cinco homens trans e pessoas transmasculinas. Os dados foram divulgados pela associação nacional de travestis e transexuais (Antra), por meio do dossiê "Assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2021".

Os dados existentes desde que o levantamento de casos começou demonstra um aumento da violência de gênero de 2017 até os dias atuais. A média de assassinatos entre 2008 e 2021 é de 123,8. Porém, só entre 2017 e 2021, 781 pessoas trans foram assassinadas.

O aumento do número de assassinatos durante o período citado coincidem com o período pós golpe institucional no país, o que permitiu que figuras horrendas como Bolsonaro e seus aliados chegassem ao poder, incentivando e fortalecendo todo o preconceito de gênero existente na sociedade, por meio de seus discursos de ódio contra toda a comunidade LGBTQIA+.

O relatório ainda constata que a cada 10 assassinatos de pessoas trans no mundo, quatro ocorreram no Brasil. Desde o início do levantamento do projeto em 2008, o Brasil tem sido o país que mais reporta assassinatos de pessoas trans no mundo. De um total de 4.042 assassinatos catalogados pela TGEU, 1.549 foram no Brasil, portanto o país possui 38,2% de todas as mortes de pessoas trans do mundo, seguido pelo México e pelos Estados Unidos em números de assassinatos.

O estado em que mais morreram pessoas trans no Brasil foi São Paulo (25 pessoas), seguido da Bahia (13) e do Rio de Janeiro (12). Roraima e Tocantins não registraram assassinatos de pessoas trans.

No relatório aparece enquanto consideração o problema gerado pela subnotificação desses assassinatos, que podem ocorrer por falta de informações sistematizadas nos estados, subnotificação estatal e apagão dos dados públicos.

O índice de baixa expectativa de vida para pessoas trans se faz presente no relatório, que constata que a idade média das vítimas é de 29,3 anos, porém, os dados encontrados não constavam a idade de 40 vítimas assassinadas em 2021.

Uma parte do estudo que é bastante impactante é referente a cor das pessoas assassinadas, com 81% das vítimas sendo travestis ou mulheres trans pretas e pardas.

Ainda de acordo com o Antra, a média de idade que travestis e mulheres trans são expulsas da casa das famílias é de 13 anos, o que traz uma ainda maior vulnerabilidade a esse setor, criando ainda mais probabilidades de entrada na prostituição. O dossiê relata que 78% das pessoas trans e travestis assassinadas em 2021 se prostituiam.

A perspectiva de futuro e educação superior para travestis e trans ainda é mais difícil. De acordo com o Projeto Arco Íris/Affro Reggae, apenas 0,02% estão cursando uma universidade, 72% não possuem ensino médio e 56% não possuem sequer o ensino fundamental.




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