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Privilegiados: gasto da Defesa com salários e pensões de militares está entre os maiores do mundo

Enquanto Bolsonaro faz de tudo para proteger as Forças Armadas da reforma administrativa, estudo vinculado ao Senado aponta que o Ministério da Defesa gastou quase 75% de seu orçamento com salários e pensões de militares em 2019, numa soma de R$ 76,1 bilhões.

quinta-feira 10 de setembro| Edição do dia

Estudo publicado nessa quinta, 3, pela Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta que o Brasil ficou entre os três países que mais gastaram com pensões e salários de militares em proporção ao orçamento destinado ao Ministério daDefesa, consumindo nada menos que 74,3% do orçamento de 2019 com pessoal.

A comparação foi realizada com os países que fazem parte da OTAN, composta quase exclusivamente por países ricos do hemisfério norte, que ainda assim gastam menos que o Brasil para sustentar seus militares. Para efeito de comparação interna, o Ministério da Educação, que mantêm dezenas de universidades e institutos com profissionais de ponta, como professores e pesquisadores com doutorado, gastou 58% do orçamento de 2019 com salários e pensões, segundo o acompanhamento realizado pelo senado no site sigabrasil.gov.br.

Mais importante que isso, o estudo aponta que o Brasil é o país que mais gasta com pensões para militares e seus parentes, escancarando as mordomias que são pagas as corporações militares com o dinheiro dos trabalhadores. Na maior parte dos países, as pensões para militares normalmente estão relacionadas à morte de soldados em combate e a compensação que o estado concede aos seus familiares, mas não no Brasil, país que pouco coloca seus militares em ação, exceto para reprimir seu próprio povo.

No Brasil as pensões servem para manter o suntuoso padrão de vida dos oficiais e seus familiares, uma vez que suas pensões são vitalícias e são passadas para suas esposas e filhas em caso de morte, permitindo que sejam pagas até hoje pensões de militares que morreram na década de 1940, e assim comprar a lealdade dos comandantes das Forças Armadas para a defesa incondicional da ordem estabelecida.

Ainda assim, é chocante verificar que mesmo quando comparado com as maiores potências imperialistas do mundo, que mantêm dezenas de milhares de soldados espalhados em missões ao redor do mundo, o Brasil é o país que mais gasta com pensões e indenizações para seus militares, especialmente com seus generais e comandantes, que jamais saíram de seus confortáveis escritórios e cujo trabalho não justifica nem seus altíssimos salários, quanto mais qualquer tipo compensação extra.

Entretanto, é fundamental para a burguesia manter a fidelidade de seu "braço forte" e desse ponto de vista, todo tipo de concessão e privilégio é válido, raciocínio que alcançou seu ápice no governo de Jair Bolsonaro, que fez de tudo para resguardar sua principal base de apoio de todos os ataques que desferiu contra a classe trabalhadora e o povo pobre, como a reforma da previdência de 2019 e agora na proposta de reforma administrativa apresentada nesse mês.

Esse raciocínio de preservação dos privilégios da casta militar não vem somente da extrema direita bolsonarista, como muitos gostariam de pensar, mas também é hegemônico entre os supostos setores "progressistas", que não passam de liberais dispostos a qualquer coisa para manter a "liberdade do mercado", ou seja, a liberdade de explorar livremente os mais pobres, e para isso precisam contar a certeza que os militares estarão a postos para atuarem em alguma situação onde os trabalhadores questionem essa liberdade que é somente para as elites.

O apoio das elites "progressistas" aos privilégios dos militares fica escancarado diante do apoio frenético e febril da grande mídia à reforma administrativa proposta por Bolsonaro e Guedes, apoio que culminou em uma grande campanha de desmoralização dos funcionários públicos brasileiros que são pintados como imensos privilegiados e causadores da desigualdade social. Isso a despeito do fato de que 70% dos funcionários públicos ganham até 3 salários-mínimos, apesar de serem, em geral, profissionais de setores essenciais como educação e saúde.

Os setores do funcionalismo que são verdadeiramente privilegiados, como os militares e o judiciário que possuem super salários, pensões, penduricalhos e etc... vão passar incólumes pela reforma administrativa, que vai despejar todo seu peso em cima dos funcionários públicos que trabalham muito, ganham pouco e ainda cumprem seu papel com dedicação, como ficou evidente pelos profissionais dos serviços essenciais como saúde e transporte durante a pandemia de COVID-19.

A solução para a crise econômica não vai vir de reformas e mais reformas, que servem apenas para cobrar do povo trabalhador a conta dos prejuízos causados pelos patrões e empresários. É necessário que seja revogado o teto de gastos imposto pelo governo Temer e suspender o pagamento da dívida pública para ter os recursos necessários para combater os efeitos da crise sanitária e econômica, com um auxílio digno para todos os que precisarem e um grande plano de obras públicas para fornecer emprego e renda para os mais de 12 milhões de desempregados.




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