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Salário Mínimo | Bolsonaro termina mandato com salário mínimo abaixo da inflação: é urgente o reajuste mensal dos salários

Jair Bolsonaro vai terminar seu mandato em dezembro de 2022 como o primeiro presidente, desde o Plano Real, a deixar o salário mínimo valendo menos que a inflação.

segunda-feira 9 de maio | Edição do dia

A principal razão pela deterioração do salário mínimo é a inflação, que aumenta o preço dos produtos básicos e diminui relativamente o salário mínimo. Segundo cálculos da Tullett Prebon Brasil, a perda no salário mínimo será de pelo menos 1,7%, mas pode aumentar caso a inflação agrave o curso em que está. Neste cenário atual o salário mínimo diminuirá relativamente de R$ 1.213,84 para R$ 1.193,37 entre dezembro de 2018 e dezembro de 2022, se descontada a inflação.

Como a inflação tem aumentado mais ano após ano, apenas a atualização do salário mínimo pelo último índice da inflação não tem sido o suficiente para evitar sua deterioração. Trata-se de um verdadeiro arrocho salarial em curso e que afeta primeiramente as famílias que recebem menos (até $1808,70), onde a inflação atinge 10,9%, pois é a faixa econômica onde os produtos de primeira ordem encareceram mais.

A inflação tem atingido principalmente alimentos, conta de luz, transporte, os absurdos aumentos de combustíveis entre inúmeros outros itens essenciais. Desta forma as chamadas “classes D e E” chegam a estar comprometidas com 78,6% de sua renda com casa, alimentação, comunicação e saúde.

A situação é ainda mais agravada pelo enorme índice de desemprego que cria uma situação ainda mais propícia para as reduções dos salários. Atualmente o país tem hoje a maior parcela de trabalhadores ganhando até um salário mínimo desde 2012, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, chegando a uma proporção de 35,3%, mais de um terço dos trabalhadores ocupados e chegando a 33,8 milhões em números absolutos em 2021.

Nenhum presidente desde o Plano Real, seja no primeiro ou segundo mandato, entregou um salário mínimo que tivesse perdido tanto poder de compra. Segundo a Constituição brasileira, o salário mínimo deveria justamente proteger a perda do poder de compra, sendo obrigatória a recomposição da inflação. Porém, não é a primeira vez durante o governo de extrema direita de Bolsonaro e desde o golpe institucional de 2016, que a constituição se prova um papel molhado para os capitalistas, seus políticos e instituições como o STF.

A situação política e econômica internacional não aponta para cenários de melhoria, ao contrário. A guerra reacionária na Ucrânia, iniciada pela Rússia de Putin é utilizada para escalar o armamentismo e política beligerante dos imperialismos, especialmente europeu e EUA, aponta para agravamento das instabilidades econômicas e medidas de austeridade. O drástico aumento dos combustíveis, já antes alavancado pela política privatista da Petrobrás, agravado pela guerra nas sanções internacionais à Rússia apontam para esta esta tendência recessiva.

Tão pouco podemos deixar de ter em vista que Alkcmin não se diferencia em nada de Guedes e um possível governo Lula já se mostra alinhado com manutenção das medidas econômicas e sociais do golpe institucional. Desta forma também não apontando para uma mudança desse cenário trágico para a classe trabalhadora.

Por isso é tão fundamental a luta pelo aumento automático do salário conforme a inflação, como um meio de enfrentar a política econômica de destruição de empregos e do salário de Bolsonaro e Mourão, Guedes e todos aqueles que articularam e acordaram com o golpe institucional de 2016.




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