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PETROBRAS | Bolsonaro nomeia general que foi ministro de Temer como novo presidente da Petrobras

Em decisão tomada no fim desta sexta-feira o governo Bolsonaro anunciou um novo presidente da Petrobras, o general Joaquim Silva e Luna. Desde a ditadura um militar não comandava a maior empresa do país.

sexta-feira 19 de fevereiro | Edição do dia

A decisão de Bolsonaro acontece em meio à crise que se abriu entre o presidente de extrema-direita e o antigo presidente neoliberal da empresa Castello Branco. A crise entre eles se insere no contexto de diversas crises que tem ocorrido entre forças que apoiam ou apoiavam o governo Bolsonaro e foram cruciais no golpe institucional, entre elas a disputa que se dá entre os militares e o STF. E justamente o general nomeado por Bolsonaro teve um papel central no tweet de Villas Lobos ameaçando o STF, foi o general que supostamente teria atenuado o tom golpista da postagem.

A demissão de Castello Branco é expressão de uma crise para o governo Bolsonaro, um governo que precisa cumprir a agenda do golpe institucional que além de ataques violentos aos trabalhadores como a reforma da previdência, trabalhista, também previa a entrega dos recursos naturais do país ao imperialismo. Justamente para facilitar essa entrega, para cumprir a exigência dos compradores, que desde Temer foi adotada uma política de paridade dos preços dos combustíveis com o dólar e a cotação do petróleo no mundo. Esta política já significou 34% de aumento na gasolina só este ano. Bolsonaro está pressionado entre a exigência do mercado financeiro, que o apoia, em manter esta política, e garantir seu apoio entre caminhoneiros, tentar estancar sua perda de popularidade entre trabalhadores.

É justamente neste contexto que aconteceu a nomeação de um general que agora estava presidindo a Itaipu Binacional, representando não somente os generais mas o grupo político de Temer. Trata-se de um general que teve papel central na ameaça do Exército ao STF, ele fazia parte do ministério da Defesa enquanto a Garantia da Lei e da Ordem reprimia violentamente manifestantes em Brasília em maio de 2017 e depois já como ministro deste Ministério supervisionou a intervenção federal no Rio de Janeiro, na qual Marielle foi assassinada e os mandantes de seu assassinato seguem impunes.

O currículo e ligações deste militar mostram que os petroleiros só podem ter o pior a esperar desta nova nomeação que acontece em meio a esta crise. No meio da crise dos combustíveis, no comando da estatal, e em meio as disputas que acontecem entre “os de cima” há uma oportunidade única para que os petroleiros ergam sua voz na política nacional e mostrem como há uma estreita ligação entre os combustíveis caros e a privatização, como a luta contra a privatização pode se tornar uma causa nacional. Toda esta crise se abriu em meio a greve de um dia realizada na Bahia, contra a privatização da Petrobras naquele estado e dezenas de ações em solidariedade por todo o país.

O recuo da greve por parte do Sindipetro-Bahia e pela FUP aceitando a manobra de negociação da empresa, uma negociação que em nada colocará em xeque a privatização desperdiça esta oportunidade.

O momento de divisão entre os de cima é o momento que os trabalhadores poderiam barrar as privatizações. É preciso que os petroleiros imponham a seus sindicatos a ruptura com esta paralisia e organizando uma forte greve nacional possam contribuir para que a classe trabalhadora emerja como um sujeito político independente no cenário nacional.

Se os trabalhadores assumem a linha de frente para dar uma resposta independente nesta crise poderão mostrar ao conjunto da população que a Petrobras pode servir não à corrupção ou ao enriquecimento de imperialistas, como querem Bolsonaro, Guedes, o STF e os militares que antes presidiam o Conselho de Administração e agora também a estatal mas sim ao conjunto da população. Nas mãos dos generais e empresários nomeados por Bolsonaro só podemos esperar o roubo das riquezas nacionais com a privatização, perdas de emprego, e combustíveis caros. Uma Petrobras 100% estatal e administrada pelos trabalhadores poderia garantir combustíveis baratos, baseados no custo nacional e não no preço internacional, gerar empregos e tecnologias no país, bem como colocar o conjunto das riquezas do petróleo a serviço das necessidade da população.




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