Economia

PREÇO DOS COMBUSTÍVEIS

Bolsonaro mente sobre política de preços dos combustíveis para privatizar a Petrobrás

Enquanto fazem demagogia sobre os preços dos combustíveis, Bolsonaro e Guedes avançam seus tentáculos na tentativa de privatizar a Petrobrás.

Samyr Rangel

Rio de Janeiro

sexta-feira 5 de fevereiro| Edição do dia

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Bolsonaro e seus principais ministros, Guedes da economia, Tarcísio Freitas dos transportes e Bento Albuquerque das Minas e Energias, reuniram-se nesta sexta para pautar a situação do preço dos combustíveis.

Em discurso de mais de duas horas após a reunião, Bolsonaro e seus ministros foram perguntados acerca da possibilidade de paralisação do setor dos caminhoneiros, que questionam os valores cobrados nos combustíveis no Brasil.

Bolsonaro afirmou que poderia colocar como pauta uma alteração no ICMS, um imposto estadual que, para ser alterado precisa de aprovação do Congresso Federal.
Questionado sobre a interferência na Petrobras, Bolsonaro afirmou de maneira demagógica que “não interferiria na empresa” por “possuírem autonomia”. Segundo ele, "o mercado é quem deve regular os preços”.

O discurso de “não interferência” se contrapõe ao que o próprio presidente diz quanto à alta dos preços do combustível. Esconde de fundo, a demagogia de Bolsonaro, quando diz que o mercado deve ser o regulador dos preços. Afinal, a maneira que o mercado atua para regular preços - e ainda mais no cenário atual brasileiro - é privatizando. Desta maneira, o mercado garante a “liberdade” dos preços frente ao mercado mundial, que pode inclusive, chegar a valores superiores do que os atuais para os combustíveis.

O mercado regula seus preços a partir do interesse de seus lucros, e não, como Bolsonaro tenta pintar em seu quadro, em favor do interesse da população e de seu custo de vida. Bolsonaro tenta retoricamente colocar o mercado como agente da garantia de preços justos para o combustível que chega à população, como justificativa e argumento em favor da privatização da Petrobras, quando a realidade é exatamente o contrário. Não foi a toa que a grande ênfase do longo discurso do presidente foi a privatização da empresa, algo que está nos planos de Paulo Guedes desde o dia um no Ministério da Economia.

“É uma empresa importante, sim. Tem que ser privatizada ou não? Qual a sua opinião? É isso que a gente tem que conversar”, pontuou Bolsonaro.

A demagogia de Bolsonaro é tanto para a população, preocupada com o preço da gasolina e do gás de cozinha, quanto com os caminhoneiros, que Bolsonaro tenta de todas as maneiras não perder o tato e o diálogo.

A capacidade de Produção da Petrobras é bem maior do que o produzido

Enquanto se pauta uma possível privatização da empresa, ficam à margem dados concretos que são conhecidos por trabalhadores da própria empresa. A capacidade de produção e refino da Petrobras está bem abaixo do que ela poderia produzir, e a produção hoje poderia ser direcionada e dirigida de forma a atender aos interesses da grande maioria da população trabalhadora do país.

Se em um dado momento, a corrupção foi a justificativa cínica para a privatização, com o conto de fadas de que nas gestões privadas existe “profissionalismo”, hoje, o conto de fadas parte de uma produção mais baixa do que o que seria possível nas refinarias, em nome da alta de preços e da abertura de caminho para a privatização, exercido pelas mãos de Bolsonaro, mas que já vem se dando desde o governo FHC (que tirou o monopólio estatal de exploração, extração e refino), passando também pelas mãos de Lula (que foi responsável por uma importante capitalização da Petrobras na Bolsa de Valores), Dilma e Temer.

Inclusive, um dos efeitos da política de privatização que se observa para garantia do máximo lucro das empresas, sobretudo desde o golpe institucional, remonta relações com a alta dos combustíveis, uma vez que desde o governo Temer o preço dos combustíveis é ajustado em relação ao Dólar e à cotação internacional dos combustíveis. Sendo, o combustível sempre é mais caro para a população, em função dessa política de preços que corresponde a exigências feitas por possíveis compradores das refinarias, visto que esses não têm qualquer interesse em vender combustível em base ao custo de produção.

A privatização da Petrobras viria acima de tudo para aumentar os lucros de seus acionistas, nacionais e estrangeiros e caminharíamos a passos largos para um aumento dos preços dos combustíveis e de coisas básicas na casa de todos os brasileiros, como o gás de cozinha.

É exatamente a baixa produção em função da privatização que mostra que as refinarias da Petrobras poderiam estar produzindo sob outros interesses, que não os lucros de um punhado de capitalistas. Foram também as ações realizadas por petroleiros durante a greve no início de 2020, distribuindo gás de cozinha à preços reduzidos para a população, que apontam um caminho de como uma gigante como a Petrobras poderia estar à serviço das necessidades da população que sofre com a corrosão de sua renda e de suas condições de vida, estando não no controle de empresários auxiliados por políticas privatistas dos governos, mas sim dos próprios trabalhadores da empresa, que sabem como ninguém, as formas de organizar a produção em função do que realmente deveria ser o importante: os interesses da população pobre e trabalhadora.

Nesse sentido, as ações da greve do ano passado mostram como é possível e preciso defender uma Petrobrás que do poço ao posto seja totalmente estatal, sob controle dos trabalhadores com controle popular. Esse controle dos trabalhadores, inclusive, garantiria preços menores dos combustíveis, ao passo que seria a única forma de realmente barrar a privatização.




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