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CÚPULA DO CLIMA | Bolsonaro mente em discurso na Cúpula do Clima e novamente mostra ao mundo o seu cinismo

Em sua participação, Bolsonaro fez discurso mentiroso e omitiu dados importantes no que se refere às políticas de preservação ambiental e de enfrentamento ao desmatamento das florestas brasileiras.

quinta-feira 22 de abril | Edição do dia

Foto: Marcos Correa/via Reuters

Começou hoje, quinta-feira (22), a reunião da Cúpula dos Líderes sobre o Clima, convocada por Joe Biden, presidente dos EUA (país que lidera os índices mundiais de emissão de dióxido de carbono). Nela 40 chefes de Estado do mundo irão debater as mudanças climáticas, que seguem sendo um dos principais fatores de devastação do globo terrestre.

O presidente Jair Bolsonaro (que segue sem partido), discursou hoje pela manhã e mentiu descaradamente sobre o aumento de recursos para fiscalização ambiental durante sua fala. Chegou também a apresentar dados descontextualizados sobre a Amazônia e omitiu taxas de desmatamento na região durante o seu governo. Nessa matéria citaremos trechos retirados do discurso oficial de Bolsonaro na reunião, que demonstram o nível de comprometimento com a verdade que esse governo mantém.

“Medidas de comando e controle são parte da resposta. Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização”.

Vale lembrar que Bolsonaro, durante sua campanha presidencial de 2018, se subordinou a decisão de Trump, e se comprometeu a deixar o tratado internacional, o Acordo de Paris, caso fosse eleito, mas hoje, contrariando o que já disse, declarou que pretende cumprir com o que já foi combinado neste acordo internacional. Lembremos que no ano passado Bolsonaro ficou de fora de outro encontro de líderes para debater mudanças climáticas após a ONU (Organização das Nações Unidas) rejeitar o plano nacional de redução de emissões de gases de efeito estufa.

“No campo, promovemos uma revolução verde a partir da ciência e inovação. Produzimos mais utilizando menos recursos, o que faz da nossa agricultura uma das mais sustentáveis do planeta”.

É bem vivo na memória de grande parte da população brasileira a reunião com os ministros do governo Bolsonaro, onde Ricardo Salles, ministro do meio-ambiente, disse que com o agravamento da pandemia se abria um momento favorável para “passar a boiada” e legalizar a política de devastação de biomas, favorecendo setores que financiaram fortemente a campanha do presidente.

Divulgado na semana passada, um ofício do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade) aponta que o órgão, ligado ao Ministério do Meio Ambiente e responsável por unidades de conservação federais, enfrenta restrições financeiras que impedem a realização de um trabalho efetivo. Segundo o documento, a partir do próximo mês, maio de 2021, as brigadas de incêndio devem ser fechadas e a medida pode prejudicar os trabalhos de prevenção e combate a incêndios florestais, provocados em sua imensa maioria por aqueles que veem na terra uma fonte inesgotável de lucros bilionários.

“Da mesma forma, é preciso haver justa remuneração pelos serviços ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o caráter econômico das atividades de conservação”.

No Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais), o ministro Salles, com o aval do presidente Bolsonaro, reduziu o poder de multa de fiscais do órgão, o que levou funcionários a denunciarem a paralisação total de autuações por crimes ambientais. Ele também exonerou as chefias regionais de quatro estados (AM, BA, PB e TO) e nomeou uma advogada com experiência em anular infrações ambientais para a Superintendência do Acre. O ano passado registrou a menor quantidade de multas por desmatamento ilegal na história do país.

“Entre as medidas necessárias para tanto, destaco aqui o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena e pronta aplicação do nosso Código Florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data”.

Segundo um relatório divulgado em novembro do ano passado pelo Observatório do Clima, o desmatamento na Amazônia aumentou 9,5% no Brasil no último ano, atingindo o pior nível anual desde 2008 na região.

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Um levantamento do Instituto Imazon concluiu que a Amazônia teve a maior taxa de desmatamento em dez anos para o mês de março. O desmatamento recorde surpreendeu os próprios pesquisadores do instituto. O ritmo das derrubadas costuma diminuir nos meses de março, porque é mais difícil desmatar durante o período mais chuvoso na Amazônia. Mas, dessa vez, não impediu o avanço da destruição. A Amazônia perdeu 810 quilômetros quadrados de floresta em março, aumentando 216% o desmatamento, em relação a março de 2020. O Imazon afirma que os grandes desmatamentos avançam principalmente em áreas de florestas públicas onde ainda não há regularização fundiária. E, como derrubar a mata exige maquinário pesado e custa caro, o objetivo dos invasores seria lotear os terremos para faturar alto com a especulação imobiliária na Amazônia. Entre agosto de 2020 e março de 2021, a destruição da Floresta Amazônica foi 59% maior que no período anterior.

Veja também: A Cúpula do Clima e a disputa pelos rumos da destruição ambiental capitalista na Amazônia




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