Política

MENTIRA HISTÓRICA

Bolsonaro esbanja ignorância histórica e diz que “eleição” em 1964 foi de acordo com constituição de 1946

Durante sua usual live de quinta-feira, Bolsonaro esbanjou sua também usual ignorância ao dizer que a eleição de Castelo Branco foi feita de forma constitucional e de acordo com a carta de 1946. O capitão parece ter esquecido que entre o golpe, de 1º de abril, e a subida ao poder de Castelo Branco, em 15 de abril, houve o AI-1 que transformou a câmara dos deputados em um colégio eleitoral. Conheça a história para não repeti-la.

quinta-feira 3 de junho| Edição do dia

O capitão parece ter esquecido que entre o golpe, de 1º de abril, e a subida ao poder de Castelo Branco, em 15 de abril, houve o Ato Institucional número I que transformou a câmara dos deputados em um colégio eleitoral. Conheça a história para não repeti-la.

Dizem que quem não conhece a história está condenado a repeti-la. Há também os que deturpam a história e esses, quando estão no poder, condenam todo um povo. No caso de Bolsonaro, já estão condenando mais de 460 mil vidas à morte. O presidente na live dessa quinta-feira passou longe da realidade factual ao dizer que “Castelo Branco foi eleito à luz da constituição de 1946”, para tentar justificar que o que ocorreu não foi um golpe ou uma ditadura. Esse momento da live ocorreu mais ou menos aos 17 min deste link

Em dado momento do vídeo, o energúmeno ainda tentou bater na esquerda dizendo que “Lenin apagava fotos e a esquerda apaga fatos”. No entanto não era Lenin que apagava fotos e sim Stalin, que deturpou totalmente o legado de Lenin apagando inúmeros revolucionários dos livros de história, como Trotsky. Mas exigir rigor de Bolsonaro na história da revolução russa daí já é demais...

Mas voltando à primeira fake news, não é necessário doutorado em história para averiguar o fato, basta 10 minutos no google para ver que não há nada na constituição de 1946 que diga que o Congresso Nacional possa eleger o presidente. Clique aqui para ver com seus próprios olhos e desça até o Capítulo III, seção 1, artigo 79. Segundo a carta, caso vague o cargo de presidente, quem empossa é o presidente da câmara dos deputados e caso vague novamente o cargo (como foi o caso do golpista Ranieri Mazzilli, que empossou após os militares derrubarem ilegitimamente Jango), deve-se convocar novas eleições. O parágrafo 2º diz, “Vagando os cargos de Presidente e Vice-Presidente da República, far-se-á eleição sessenta dias depois de aberta a última vaga.” Certamente a culpada pelo erro de Bolsonaro não foi a mesóclise do artigo, mas sim a necessidade de mentir para legitimar o golpe bonapartista.

Mas o mentecapto diz que a constituição de 1946 previa eleições via congresso nacional. Acontece que em 9 de abril, pouco mais de uma semana após o golpe, os militares impuseram o AI-1 que previu, entre outros arroubos autoritários, um artigo 2 que passava a responsabilidade de eleger o novo presidente ao congresso. Ou seja, Castelo Branco não foi eleito "à luz da constituição de 1946" e sim à luz do golpe de 1964. Assim diz o artigo 2º do AI-I: “A eleição do Presidente e do Vice-Presidente da República, cujos mandatos terminarão em trinta e um (31) de janeiro de 1966, será realizada pela maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, dentro de dois (2) dias, a contar deste Ato, em sessão pública e votação nominal.

A eleição foi tão democrática que Castelo Branco foi eleito com 361 votos, um total de 98,63% de todo esse “democrático” colégio eleitoral. E assim abriu-se um período obscuro em nossa história onde as perseguições políticas, torturas, assassinatos, foram levados a frente por empresários e militares para tentar calar a voz dos trabalhadores e da juventude. Conhecer nossa história é importante não apenas para desconfiar das imbecilidades que Bolsonaro diz, como para não deixarmos outros golpes renascerem.




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