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Falsa equivalência | Bolsonaro equipara nazismo com comunismo ao comentar sobre a polêmica do podcast Flow

O presidente repudiou o nazismo em nota, apesar de suas ações diversas vezes contrastar com esse repúdio. Além disso, não deixou de aproveitar a oportunidade para atacar o comunismo, dizendo que deveria ser combatido legalmente, em uma falsa e absurda equivalência.

quinta-feira 10 de fevereiro | Edição do dia

IMAGEM: Ueslei Marcelino/Reuters

Na última quarta-feira (09), o presidente Jair Bolsonaro se pronunciou frente a polêmica envolvendo os comentários num podcast, investigados por apologia ao nazismo pela procuradoria-geral da República, por parte do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP) e do apresentador do podcast, conhecido como “Monark”.

O presidente repudiou o nazismo em nota, dizendo que “A ideologia nazista deve ser repudiada de forma irrestrita, sem ressalvas que permitam seu florescimento”. Ainda que o reacionarismo de Bolsonaro e sua perspectiva de um projeto autoritário de governo sejam explícitas através de suas inúmeras declarações e iniciativas em seu mandato, sua crítica acerca do nazismo acaba também se contrastando com sua trajetória política, dado seu convívio com diversos setores que faziam alusão a essa ideologia.

Basta ver que, em meio ao seu mandato, Bolsonaro teve enquanto secretário nacional de cultura o reacionário Roberto Alvim, que inclusive em um pronunciamento imitou diversos elementos e falas do Ministro da Propaganda Nazista, Joseph Goebbels.

Em outro momento, Jair e Eduardo Bolsonaro se encontraram amistosa e até carinhosamente com a deputada neonazista alemã, Beatrix von Storch, neta de Schwerin von Krosigk que foi simplesmente ministro das Finanças do governo nazista e era responsável por confiscar propriedades de judeus e explorar financeiramente áreas conquistadas pela Alemanha nazista.

Aliás, a lista desse entusiasmo nazifascista por parte de Bolsonaro é tão grande que elencar todas as situações seria difícil apenas nesta nota:

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Mas além disto, Bolsonaro não perdeu a oportunidade de atacar o comunismo, comparando o comunismo ao nazismo dizendo que ambas “pregam antissemitismo, divisão de pessoas em raças ou classes, e que também dizimaram milhões de inocentes”, e devem ser combatidas pelas leis do país, revelando sua intenção de criminalizar o comunismo.

Bolsonaro se aproveita do repúdio a ideia de legalização do nazismo, como dito lamentavelmente no Flow Podcast, para oportunamente tentar criminalizar o comunismo. Esta falsa equivalência feita por Bolsonaro aparece na boca de muita gente que sustenta essa tese: a própria Tábata Amaral, no mesmo podcast, fez essa equivalência e este é um senso comum amplamente difundido.

São vários os elementos históricos, políticos e econômicos que colocam comunismo e nazismo em polos absolutamente opostos e diferentes. Para citar apenas um deles, o nazismo e o fascismo surgiram no período entre a I e a II Guerras Mundiais em meio a uma situação marcada pelo profundo arruinamento econômico da Europa, os sofrimentos da guerra, que levaram ao empobrecimento generalizado da pequena-burguesia e a transformação de setores amplos dos trabalhadores em desempregados crônicos. A base de classe do nazi-fascismo era a pequena burguesia arruinada, que, instrumentalizada pela burguesia, se volta contra a classe trabalhadora e suas organizações. Apesar de não ser orgânico da grande burguesia alemã se utilizar de uma retórica contrária a aspectos da dominação dos grandes bancos e industriais de seu tempo, Hitler e Mussolini preservaram com isso a base social existente, isto é, o capitalismo.

Trotsky, dirigente da revolução russa, afirma que o nazi-fascismo se erguia em meio “às penúrias dos pequenos proprietários sempre próximos à quebra, de seus filhos universitários sem trabalho, que exigiam mão de ferro (...) As fogueiras nas quais ardem a ímpia literatura do marxismo iluminam radiantemente a natureza de classe do nacional-socialismo. Ainda quando os nazistas atuavam como partido e não como poder estatal, não conseguiram se aproximar absolutamente da classe trabalhadora”. Dessa maneira, o nazismo e o fascismo buscavam se apresentar como os defensores do pequeno e médio capital, contra o grande capital. Em nenhum momento se apoiou ou realizou qualquer interesse estratégico da classe trabalhadora, e pelo contrário, voltou-se ferozmente contra essa. Assim, pelo elemento de classe, o nazi-fascismo é absolutamente contrário ao socialismo.

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Bolsonaro morre de medo que a força das ideias do comunismo, que por séculos atrai jovens e operários em uma perspectiva emancipadora da sociedade, do fim das opressões as mulheres, negros e LGBTs, e de combate a toda exploração, se voltem contra ele, representante de tudo isto junto ao regime fruto do golpe institucional e do capitalismo.

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