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Desmatamento | Bolsonaro e militares seguem desmonte do INPE para controlar dados sobre desmatamento no Brasil

Gilberto Câmara , ex diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), destaca que o instituto sofre uma crise sem precedentes e diz que o Palácio do Planalto e outros órgãos do governo federal tentam controlar os estudos do órgão

segunda-feira 19 de julho | Edição do dia

Foto: Carlos Fabal / AFP / CP Memória

O panorama destacado pelo cientista da computação Gilberto Câmara, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) entre 2005 e 2012, é que o instituto vive uma crise sem precedentes, com profundos problemas financeiros, liderança fraca e relacionamento tenso com o Palácio do Planalto e outros órgãos do governo federal, que tentam controlar os estudos do órgão. A situação é exposta pelo ex-diretor em entrevista ao GLOBO.

De acordo com o ex-diretor, o orçamento do Inpe em 2010 era de R$ 487,6 milhões e hoje é de R$ 75,8 milhões, o que caracterizaria um desmonte institucional possibilitado pelos cortes já realizados no governo Dilma, aprofundado com a aprovação do Teto de Gastos por Michel Temer e agora com o cortes do governo de Bolsonaro, que reduziu o orçamento de R$ 187 milhões em 2019 para o valor atual.

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Os cortes generalizados levam a uma profunda crise financeira, com a perda do programa de cooperação espacial com a China, a suspensão da continuidade dos estudos do satélite Amazônia 1, e o risco de não haver luz para pagar a energia e manutenção do supercomputador Tupã, que faz previsão de estiagem e clima.

Há também postos essenciais que hoje não podem ser ocupados por falta de verba, como o posto de analistas para fiscalização de biomas, em que o Ibama tem apenas 26% do contingente necessário.

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De acordo com Gilberto Câmara, o Inpe estaria vulnerável desde a saída de Ricardo Galvão, que foi exonerado por defender o instituto dos ataques de Bolsonaro. Foi substituído interinamente por um militar, Darcton Policarpo Damião, e posteriormente por um civil, Clezio de Nardin.

Há o risco do Imper perder o controle de outras funções, como a divulgação dos dados de desmatamento:

"O Censipam, que é um órgão do Ministério da Defesa, já tentou várias vezes assumir esse papel, mas esbarrou em reações. O Censipam diz que tem dados sobre desmatamento, só que ninguém nunca viu. Então, qual é sua credibilidade? As Forças Armadas querem controlar a produção de informações sobre a Amazônia. A questão não é se o Inpe será novamente usurpado, e sim quando isso ocorrerá.", diz Câmara.

Sobre esse assunto, Gilberto Câmara havia dito:

"A divulgação das queimadas, hoje feita pelo Inpe, será realizada agora pelo Sistema Nacional de Meteorologia (SNM), que, além do Inpe, é integrado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). O que significa essa mudança?

A criação do SNM é uma cortina de fumaça, fruto do desespero do governo, que está perdendo apoio eleitoral e é pressionado internacionalmente para tomar medidas contra o desmatamento e as queimadas. Com a falta de boas notícias, resolve amordaçar o Inpe, que é um mensageiro independente."

Relembre aqui sobre a crise do INPE e os dados de desmatamento que se abriu em 2020: Após dados de desmatamento, Bolsonaro demite coordenadora do INPE

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