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Extrema direita | Bolsonaro e aliados agradam exército reacionário inaugurando a Escola de Sargentos em Pernambuco

Na última quarta-feira (23), Bolsonaro esteve junto a aliados de seu governo em Pernambuco para a inauguração da pedra fundamental da Escola de Formação e Graduação de Sargentos de carreira do Exército em Paudalho, Zona da Mata Norte. O evento veio num momento oportuno, onde a extrema direita se encontra dividida e as eleições cada vez mais difíceis para o bolsonarismo no Nordeste.

sábado 26 de março | 13:43

Foto: Pedro Alves/G1

Como desenvolvemos aqui, motivos não faltam para a escolha de mudar o local da Escola de Sargentos de Três Corações (MG) para Pernambuco. Na região Nordeste, Bolsonaro conta apenas com 16% de aprovação, enquanto Lula tem 60%. É a região de pior aprovação do atual presidente.

Mas também não foi à toa que a inauguração aconteceu justamente aqui. O estado tem o maior percentual de evangélicos, foi o único da região a receber as passeatas no ano passado, além de Bolsonaro ter aliados importantes.

Um deles é o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), quem Bolsonaro apoia na corrida para ganhar o Palácio das Princesas. Mas as coisas não estão tão fáceis para Anderson. Essa é uma eleição bem difícil para a extrema direita no estado. Em primeiro lugar porque quanto mais próximo de Bolsonaro, mas as chances de vencer o peito diminuem por conta de seu rechaço massivo. Outro motivo, é o fato de que Lula já tem seu candidato, o deputado Danilo Cabral (PSB), a quem vai transferir todo seu capital político.

Leia mais: Golpista em 2016, “lulista” em 2022: quem é Danilo Cabral candidato a governador de PE pelo PSB

De todo modo, a presença do presidente na cerimônia de lançamento da pedra fundamental da Escola de Sargentos do Exército é o de disputar junto a Anderson Ferreira os votos da direita nesse cenário eleitoral pouco favorável. Ainda que o Auxílio Brasil tenha dado algum fôlego para o presidente na disputa eleitoral, por exemplo, em Pernambuco ele assiste 1 milhão e 180 famílias, o que pode ajudar a capitalizar um eleitorado mais pobre e precarizado da região, por outro lado o Bolsa Família atende aproximadamente 1 milhão e 190 famílias, o que vai tornando até mesmo essa tática pouco eficiente.

Fato é que nem mesmo a pré-candidata da direita como Raquel Lyra (PSDB) que articulava uma chapa com Anderson Ferreira antes de Bolsonaro entrar na sigla, assim como Miguel Coelho (União Brasil), filho de Fernando Bezerra Coelho (MDB), aliado de Bolsonaro e líder do governo no Senado, querem seus nomes e campanhas vinculadas ao presidente.

O que torna essa eleição ainda mais complicada para a extrema direita é que ela se encontra dividida. Clarissa Tércio (PP) e o pastor Júnior Tércio (PP), saíram do PSC a fim de encontrar refúgio no partido de Bolsonaro, mas Anderson, presidente do partido no estado, nem sequer respondeu o pedido desses outros dois reacionários, como mesmo criticaram em suas redes sociais. Tiveram que ir pro partido da base aliada do governo. Não foi à toa que Bolsonaro e Ciro Nogueira (PP) os encontrou na base aérea de Recife, para acalmar os ânimos e reafirmar a aliança entre a família Tércio que dirige a Igreja Assembleia de Deus Novas de Paz com Bolsonaro nas eleições deste ano.

Bolsonaro também acena para a base reacionária que tem o exército brasileiro. E não era pra menos, cada vez mais Paulo Câmara (PSB) junto a Eriberto Medeiros (PP) dão mais espaço na política regional para o protagonismo da polícia militar, principalmente com o Pacto pela Vida. Mês passado o governador chegou a promover um PM investigado na repressão que cegou dois trabalhadores. Bolsonaro não quer ficar para trás, ainda mais que os elementos reacionários e bolsonaristas tanto das polícias quanto do exército permanecerão mesmo depois das eleições em Pernambuco.

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