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CIA E BOLSONARO | Bolsonaro e CIA unificados para atacar os trabalhadores e a juventude. Fora imperialismo!

Nesta última quinta (01), Bolsonaro recebeu a visita do atual chefe da CIA (Agência de Inteligência dos EUA) em Brasília onde se reuniu com seus ministros. Entre eles o reacionário General Heleno (ministro da Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil). A presença do chefe de uns dos principais órgãos da máquina imperialista ianque no país só pode significar o aprofundamento da submissão do Brasil aos EUA para garantir mais ataques à classe trabalhadora e ao povo pobre.

sábado 3 de julho | Edição do dia

William J. Burns, diretor da CIA, fez uma visita oficial a Brasília nesta última quinta, se reunindo com Bolsonaro e seus ministros, o general Heleno (Segurança Institucional) e Luiz Eduardo Ramos (Casa Civil). A visita não havia sido divulgada. Burns é um diplomata de carreira, já tendo trabalhado no Departamento de Estado norte-americano e esteve envolvido em várias ações secretas internacionais dos EUA. Em 2021, ele foi nomeado pelo atual presidente dos EUA, Joe Biden, para comandar um dos principais braços da máquina imperialista.

A presença ianque no Brasil não é à toa. O governo Bolsonaro passa por uma das crises mais importantes, com os escândalos de corrupção que vieram à tona na última semana envolvendo as compras de vacinas. A denúncia do deputado Luís Miranda na CPI da Covid, de que o líder do governo na Câmara dos deputados, Ricardo Barros, seria responsável pelo caso de superfaturamento na compra das Covaxin e que o presidente já sabia foi o que abriu essa importante crise. Depois, o PM Luiz Paulo Dominguetti afirmou que o governo teria pedido propina na compra da vacina AstraZeneca, e que os valores chegariam a R$ 2 bilhões. Ainda que haja uma série de controvérsias em torno dessa denúncia e do próprio Dominguetti, esse é mais um elemento da crise política aberta.

A visita de Bruns ocorre exatamente dois dias após essa última denúncia. Essa visita pode ter inúmeros objetivos ligados a esses fatos, inclusive porque o próprio Luís Miranda tem claras relações com os EUA, mas desde já se pode afirmar que um dos interesses dos americanos é que essa crise não faça com que o governo deixe de seguir aprofundando as reformas econômicas e ataques à classe trabalhadora.

Essa visita também faz parte de um maior alinhamento que o governo Biden dos EUA vem buscando impor ao governo Bolsonaro. Um movimento de “destrumpizar” o seu governo, derrubando ministros como Ricardo Salles, ministro do Meio Ambiente, que foi exonerado na semana passada, e Ernesto de Araújo, ministro do Itamaraty que pediu demissão no mês de março. Ambos ministros da ala mais trumpista do governo que caíram após o início do governo Biden. Bolsonaro também sempre teve um alinhamento muito direto com o governo de Donald Trump, inclusive apoiando seus anseios golpistas como a invasão no Capitólio no início do ano, além de ter feito declarações contra o próprio Joe Biden. Agora com o principal país imperialista do mundo sob comando dos Democratas, eles buscam alinhar o Brasil com o seu governo.

Outro fato também para esse alinhamento está relacionado com a própria crise que estourou em relação a compra das vacinas. Toda a crise mostra como o governo Bolsonaro estava secundarizando as negociações das vacinas produzidas pelos os Estados Unidos e priorizando as negociações com a indiana Covaxin. O próprio deputado Miranda, que fez a denúncia, tem essa relação muito próxima com os EUA, já morou e estudou no país, e é um grande defensor do imperialismo norte-americano. São movimentações importantes que realinham e disciplinam Bolsonaro para garantir uma subordinação mais direta aos interesses imperialistas. Bolsonaro inclusive já acenou positivamente a esse alinhamento em declarações após a reunião com o chefe da CIA. Em sua live, por exemplo, voltou a questionar a eficácia das vacinas chinesas.

É importante frisar que esse movimento que o Biden realiza para “destrumpizar” o governo Bolsonaro e alinhá-lo mais à política do partido democrata nem de longe significa que vá num sentido de deixar de ser um governo reacionário e inimigos dos trabalhadores. Inclusive toda essa pressão está a serviço de garantir mais ataques aos trabalhadores e com mais espaço aos interesses americanos no Brasil. As privatizações, como a da Eletrobras, recentemente aprovada, são um flanco com o qual o imperialismo ianque quer lucrar, além de quererem que avancem reformas, como a administrativa, que irá atacar o direito dos servidores. Tudo isso para garantir mais lucros aos empresários norte-americanos, mais espoliação imperialista contra o Brasil, resultando em uma vida cada vez mais precária e miserável imposta à população brasileira, que sofre com o desemprego e a fome.

Mesmo não sendo um governo de extrema direita, como foi o governo de Donald Trump, o governo Biden, que teve sua vitória comemorada por setores da esquerda no Brasil como o MES do PSOL, também está a serviço dos interesses dos capitalistas norte-americanos. Eles querem garantir sua hegemonia imperialista sobre o Brasil e a América Latina, e isso irá aprofundar maiores espoliações nos países oprimidos. Bolsonaro e Mourão se ajoelham frente à CIA e Biden com o mesmo objetivo de aprofundar os ataques à classe trabalhadora brasileira. Por isso nós dizemos contra todo esse regime autoritário e subordinado aos interesses da burguesia americana: Fora Bolsonaro e Mourão e Fora Imperialismo. Os acordos que Bolsonaro e seus ministros chegam com a CIA certamente se voltarão contra a população trabalhadora e por isso exigimos que todos esses acordos e negociações sejam publicados, não só com o executivo federal, mas também com os governadores. A classe trabalhadora precisa se organizar e lutar junto com a juventude, os movimentos sociais, indigenas, negros e lgbts para enfrentar todos os ataques que querem nos impor.

Nesse dia 3J vamos às ruas contra Bolsonaro e Mourão, sem nenhuma confiança nas alas institucionais do regime, e sem nenhuma confiança na direita golpista inimiga dos trabalhadores. Exigimos que as centrais sindicais e a UNE convoquem uma greve geral, que seja construída desde as bases, com assembleias nos locais de trabalho e estudo, para que a classe trabalhadora entre em cena com peso, se aliando aos indígenas e aos movimentos sociais para derrotar Bolsonaro, Mourão e todas as reformas.

Veja também o editorial do MRT: Greve geral para derrubar Bolsonaro, Mourão, os ataques e impor uma nova Constituinte




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