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Bolsonaro corta Bolsa Família de 158 mil em meio à crise do Corona Vírus

Como essas famílias farão para enfrentar a crise que o Covid-19 tem aprofundado?

sexta-feira 20 de março| Edição do dia

Bolsonaro nesta semana anunciou que iria ampliar o Bolsa Família como uma das medidas para enfrentar a crise do Covid-19. Dois dias depois, o governo descaradamente corta 158.452 bolsas, conforme notícia do UOL, deixando mais de 150 mil famílias sem o benefício. Como essas famílias farão para enfrentar a crise que o Covid-19 tem aprofundado?

Analisando os dados, vemos que 96.861 bolsas cortadas foram de moradores da região do Nordeste, o que corresponde a 61,1% do total do corte. Ou seja, mais da metade desse corte planejado por Bolsonaro afeta principalmente a região que mais necessita do auxílio e que corresponde hoje por metade dos benefícios totais do bolsa família no país. Ainda, com esse corte, o governo Bolsonaro atinge o menor número de beneficiários desde o início do seu governo e desde 2017, quando foram cortadas mais de 543 mil bolsas.

O governo justificou esse corte alegando a “emancipação” de 330 mil famílias. Essa “emancipação” significa que as famílias “superaram as condições necessárias para a manutenção do benefício”. Aqui cabe um adendo: o bolsa família hoje atende famílias com renda per capita de até R$ 178 mensais; as taxas de desemprego no Brasil só aumentam, chegando ao número absurdo de 11,9 milhões de brasileiros afetados; o trabalho informal hoje atinge mais de 40% da população. Como é possível, em um cenário de crise que só se aprofunda devido ao coronavírus, que 330 mil famílias tenham se emancipado a ponto de não necessitarem mais do auxílio do Bolsa Família?

A crise do coronavírus têm afetado brutalmente a vida da população pobre, que precisa se expor ao vírus nas condições insalubres de seus locais de trabalho ou então sendo demitidos sob justificativa da não aglomeração, deixando nítido que a lógica das empresas privadas se baseiam pelo lucro e não pela vida dos trabalhadores. Isso sem mencionar a situação dos trabalhadores informais, que se vêem sem nenhum amparo de garantia de salário. E mesmo em meio a esses dados e à pandemia, Bolsonaro corta mais de 150 mil do bolsa família, indo na contramão da necessidade de aumentar a renda da população mais afetada para que consigam sobreviver enquanto a pandemia é uma realidade.

Essa medida do governo escancara ainda mais a política anticiência e terraplanista que Bolsonaro leva a frente, demonstrando mais uma vez a incapacidade que os capitalistas têm de solucionar crises. Nesse momento de pandemia, o governo não deveria estar cortando dos mais pobres, mas sim taxando impostos progressivos sobre as grandes fortunas, ampliando a contratação de trabalhadores na área da saúde, ampliando os leitos de UTI e realizando testes massivamente em toda população. Para isso, é necessário exigir a revogação da lei do teto de gastos e o não pagamento da dívida pública, para que se possa investir na saúde pública e fazer com que os capitalistas paguem pela crise, e não a classe trabalhadora.




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