Política

AVANÇO AUTORITÁRIO

Bolsonaro convoca publicamente atos do dia 15, trabalhadores precisam responder no dia 18 de forma contundente

Apesar do acordo em torno do orçamento impositivo e de um disfarce ao seu autoritarismo, num discurso em Boa Vista, Bolsonaro renovou a convocação para os atos do dia 15 de março.É necessário que os trabalhadores se organizem para dar uma resposta contundente no dia 18 de março através de uma paralisação nacional.

domingo 8 de março| Edição do dia

Desta vez, Bolsonaro fez um chamado público e direto para a participação das pessoas nos protestos em seu favor no dia 15. Se anteriormente, de forma velada Bolsonaro já havia convocado os atos através de um vídeo compartilhado por ele via Whatsapp, agora o presidente reacionário reiterou a convocação em alto e bom som, durante um discurso em Boa Vista (RR):

“Dia 15 agora, num movimento de rua espontâneo. E o político que tem medo de movimento de rua não serve para ser político. Então participem. Não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário. É um movimento pró-Brasil. É um movimento que quer mostrar para todos nós, presidente, poder Executivo, Legislativo, Judiciário, que quem dá o norte para o Brasil é a população”, afirmou, diante de uma plateia composta por diversos militares.

Apesar do acordo em torno do orçamento impositivo, estopim dessa nova crise entre o Executivo e o Legislativo, Bolsonaro segue incitando sua base a dar uma demonstração de força. A disputa particular do orçamento impositivo teve um desfecho parcial, em que o presidente conseguiu costurar a manutenção de seu veto contra o avanço parlamentarista do Congresso que queria controlar R$ 30 bi do orçamento, mas a projeção é que a divisão do dinheiro fique em 2/3 para o Legislativo e 1/3 para o Executivo.

Portanto, a vitória de Bolsonaro nesse ponto foi apenas parcial. Além disso, a renovação do chamado às ruas por parte do presidente demonstra que apesar de ter sido o detonador da crise, a questão do orçamento impositivo foi mero pretexto para que o presidente colocasse mais uma vez em movimento seu projeto autoritário. As tensões entre o bonapartismo imperial do presidente e o bonapartismo institucional do Congresso, do STF, da mídia e de outros atores institucionais, já vinham se desenvolvendo também em outras frentes, como a principal durante o motim dos policiais, com traços milicianos, no CE, que contou com o incentivo mais ou menos explícito do clã Bolsonaro, de Moro, e de membros do Exército presentes no governo.

De fundo, Bolsonaro busca empurrar a correlação de forças mais a seu favor. Por isso, mesmo que no discurso diga que "Não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário", sabe que essa demonstração de força beneficia esse seu propósito. O General Heleno, que também se manifestou no evento, soube menos esconder a manutenção dos mesmos objetivos de se sobrepor contra a resistência que Bolsonaro enfrenta para impor a um "novo Brasil".

“Nós estamos diante de uma realidade inevitável. O presidente Jair Bolsonaro fará um novo Brasil. Está dando certo. Ele tem encontrado uma resistência muito grande, porque a rede de corrupção que se criou neste país está sendo desbaratada por esse governo. Tem prejudicado planos espúrios de muita gente”, disse Heleno.

Por isso, é fundamental seguir na construção de um forte dia 18 de março que seja uma resposta contundente da classe trabalhadora a esse avanço autoritário de Bolsonaro, como também do bonapartismo institucional que faz parte do mesmo consenso para implementação das reformas e dos ataques a classe trabalhadora. É importante, que desde hoje (8M), o dia internacional das mulheres, as mulheres se lancem a frente dessa luta como vanguarda na resistência contra contra Bolsonaro, o avanço dos militares e as reformas e também um grande dia 14 de março exigindo justiça a Marielle nos dois anos de seus assassinato.




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