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Ingerência na ciência | Bolsonaro cassa homenagem científica dada à pesquisadores oposicionistas do governo

Passando por cima da decisão de um comitê científico em que o governo é minoria, o presidente Bolsonaro cassou a homenagem da Ordem Nacional do Mérito Científico a dois cientistas responsáveis por trabalhos que desagradaram ao governo em decreto nesta sexta-feira, 5.

sexta-feira 5 de novembro | Edição do dia

Foto: Carolina Antunes/PR/Divulgação

Fica revogada a homenagem ao médico sanitarista Marcus Vinícius Guimarães de Lacerda, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), responsável por um dos primeiros estudos a apontarem a ineficácia da cloroquina e de corticóides contra a covid-19 - os medicamentos integram o chamado tratamento precoce, defendido pelo presidente.

O sanitarista, que trabalha também na Fundação de Medicina Tropical do Amazonas, explica que seu grupo de pesquisa foi responsável por alguns dos primeiros estudos que mostraram a ineficácia do chamado kit covid. "Fomos o primeiro grupo do mundo a chamar a atenção para essa ineficácia. A partir daí veio toda a perseguição político-partidária que se seguiu, e que hoje culmina com essa situação desagradável. Desagradável não para mim, mas sim para o governo", diz ele.

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O decreto também cassa a honraria da médica Adele Benzaken, ex-diretora do Departamento de HIV/Aids do Ministério da Saúde. Ela foi removida do cargo em janeiro de 2019, após editar cartilha para prevenção da doença entre homens trans.

A Ordem Nacional do Mérito Científico é uma honraria concedida todos os anos para homenagear pessoas que se dedicaram ao avanço da ciência no país.

A escolha é feita a partir de indicações da área, que são depois votadas por um comitê, formado principalmente por acadêmicos. De nove integrantes do comitê, seis são representantes da sociedade civil e das universidades, e outros três são indicados pelo governo.

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A ingerência de Bolsonaro fica clara ao manter as condecorações aos ministros Marcos Pontes (Ciência e tecnologia), Carlos França (Relações Exteriores), Paulo Guedes (Economia) e Milton Ribeiro (Educação). Apesar da condecoração ao ministro da Ciência e Tecnologia ser prevista em decreto, as demais condecorações a exímios bolsonaristas mostra que para ele a ciência é só mais uma arena para perseguir seus opositores e elevar personalidades medíocres cujo mérito é apoiar seus governo em sua pautas antipopulares e pró imperialistas.

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