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Alimenta Brasil | Bolsonaro acabou com principal programa alimentar em pleno aumento da fome e miséria

Enquanto o agronegócio lucra como nunca, o Governo Federal praticamente zerou o orçamento do Alimenta Brasil, programa voltado para compra da produção da agricultura familiar e doação para pessoas com insegurança alimentar e nutricional.

segunda-feira 6 de junho | Edição do dia

Mesmo com a população passando fome com a alta no preço dos alimentos, inflação de energia e combustíveis, o Governo Federal destruiu o Alimenta Brasil. Enquanto isso, acompanhamos o reacionário agronegócio batendo lucros recordes através do uso predatório e monopolístico da terra, e da exportação de alimentos que faltam nas mesas de milhões de brasileiros.

A política, intitulada até 2021 de PAA (Programa de Aquisição de Alimentos), foi alterada com a criação do Auxílio Brasil e perdeu parte de seus critérios de distribuição, como a priorização de regiões onde os índices de pobreza são maiores. Os recursos eram destinados, por exemplo, a crianças em creches, idosos em acolhimento, cooperativas e projetos assistenciais a famílias carentes. O orçamento do Alimenta Brasil passa, então, a ser atrelado às emendas de relator, ignorando estudos técnicos, favorecendo a corrupção e perdendo transparência sobre quem indica o recurso e os motivos para isso.

Em 2021, como se se importasse com o combate à fome e à desnutrição, o governo apresentou a política pública à Cúpula dos Sistemas Alimentares da ONU. Por trás dessa demagogia fajuta, há a redução dos recursos do Alimenta Brasil ao longo dos anos, principalmente a partir de 2016, com exceção de 2020 em que tivemos mobilização contra a fome nas ruas. Em 2012 o orçamento era de R$586 milhões, em 2021 foram R$58 milhões e em maio deste ano somente R$89 mil, o que representa um orçamento praticamente zerado.

O número de unidades recebedoras de doação de alimentos pelo programa caíram de 17 mil em 2012 para 2535 em 2020. Já o total de fornecedores caiu de 128.804 em 2012 para 31.196 em 2020.

Essa situação escancara a verdadeira política do Governo Bolsonaro de agradar o agronegócio, os militares e empresários enquanto a população passa fome. Ao mesmo tempo, o STF e o Congresso também tem sua parcela de responsabilidade, porque ajudaram a passar todos os ataques que agora aprofundam a crise e a desconta nas costas dos trabalhadores.

A irracionalidade capitalista que levou a que, durante a pandemia, os dez mais ricos do mundo dobrassem as suas fortunas e surgissem 10 novos bilionários no Brasil, enquanto mais de 160 milhões de pessoas foram empurradas para a pobreza e a fome mundial aumentou em 40%, prova que não há saída para a insegurança alimentar dentro desse sistema e que a destruição de uma política pública como a Alimenta Brasil é parte de um programa maior.

Bolsonaro e seu governo defensor dos lucros colossais do agronegócio exportador, da destruição dos biomas brasileiros, das queimadas, da grilagem, das extrações ilegais, da violência contra os povos indígenas e do conjunto dos ataques que aumentam a miséria na vida da classe trabalhadora tem que ser derrotados por uma luta anticapitalista que se enfrente também com os militares, o conjunto do regime político degradado e os latifundiários do agronegócio exportador sem conciliar com a direita.

É preciso acabar com as isenções fiscais e taxar os lucros do agronegócio, garantir a demarcação e o direito dos povos indígenas sobre a terra, com uma reforma agrária que acabe com os senhores do interior e com a exploração do nosso território perpetuada por eles junto com as multinacionais do agro e da logística, que lucram trilhões exportando alimentos enquanto passamos fome.

Para que os capitalistas paguem pela crise, precisamos organizar a força necessária para expropriar as multinacionais alimentícias e as grandes empresas do agronegócio para colocá-las sob controle dos trabalhadores como forma de enfrentar a fome.




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