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Suposta oposição | Bolsonaro, a direita liberal e o judiciário estão juntos para impor a reforma administrativa

As disputas autoritárias e golpistas entre as alas políticas da burguesia não impedem que avancem em seu interesse comum: aplicar novos ataques contra os trabalhadores e o povo pobre em nome do lucro de um punhado de capitalistas e da manutenção de seus privilégios. Os servidores públicos, junto ao conjunto da classe trabalhadora e os indígenas, podem dar uma resposta.

quarta-feira 15 de setembro | Edição do dia

Arthur Maia (DEM) e Paulo Guedes. Foto: Gustavo Sales/Câmara dos Deputados

A reforma administrativa (PEC 32/20) está tendo suas emendas debatidas e para serem votadas em comissão especial na Câmara. Essa reforma é um duro ataque à saúde e à educação, além de aplicar a reforma trabalhista no serviço público, jogando na precarização, na informalidade e na instabilidade categorias com mais direitos consolidados. Ou seja, nivela por baixo e favorece a exploração do trabalho de conjunto no país. A reforma também facilita o processo de privatização do SUS, fortalece as castas militares, judiciárias e políticas privilegiadas do Estado, além de autorizar o nepotismo por meio da contratação por mera indicação.

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O relator do projeto, Arthur Maia (DEM-BA), pretende debater e incorporar novas mudanças até hoje (15), seguindo a movimentação do regime para passar o maior número de ataques em meio à crise política. Entre elas, está uma negociação com a bancada da bala, base parlamentar de Bolsonaro, para manter as forças de repressão de fora da reforma, uma mostra de que são setores que se encontram sempre no bolso dos capitalistas e na trincheira oposta à dos trabalhadores.

O interesse comum de Bolsonaro, da direita liberal, do judiciário e das demais alas burguesas do regime em aplicar novos ataques contra os trabalhadores e o povo pobre coloca de lado todas as diferenças entre esses atores políticos. O próprio Arthur Maia reconheceu a unidade reacionária em torno da reforma: "Meu sentimento é de que esta comissão, que no início parecia que seria um palco para uma luta ideológica, pode evoluir em um processo de conciliação [...]”, disse. Diante disso, no enfrentamento a Bolsonaro, à extrema-direita e aos ataques, a direita liberal do MBL e do PSDB, ou o mesmo judiciário (que pretende atacar os povos indígenas com o Marco Temporal), são, sem dúvidas, inimigos dos trabalhadores e do povo.

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Os atritos entre Bolsonaro, STF, os parlamentares da CPI da Covid e a direita liberal - todos parte constitutiva e dirigente do golpe institucional de 2016, dos ataques econômicos e da continuidade de medidas autoritárias que levaram Bolsonaro ao poder - não podem nos enganar em achar que, por serem oposição a Bolsonaro, são possíveis aliados.

Denunciamos fortemente como o PCdoB e parlamentares do PSOL como Isa Penna se ajoelharam à direita liberal do MBL ao participarem dos atos fracassados do 12 de setembro, e reiteramos que é absurdo o manifesto das centrais sindicais e de organizações que se reivindicam de esquerda pedindo para que o Legislativo, o Judiciário, governadores e prefeitos assumam o protagonismo político nacional contra Bolsonaro. Onde ficam os trabalhadores, os indígenas e os setores populares em luta nessa história? Olhando e aplaudindo os capitalistas fazendo política e nos atacando impunemente?

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Com a direita tradicional do PSDB, que pretende se alçar como terceira via eleitoral, se somando à frente ampla do impeachment de Bolsonaro, e com o petismo e todo o espectro da esquerda (do PSOL ao PSTU) ainda o reivindicando como saída política, segue a necessidade de denunciar que se trata de um mecanismo reacionário do regime para preservar a si mesmo e às reformas e privatizações de que também são responsáveis, ao passo que colocaria um racista, adorador da ditadura e inimigo declarado como Mourão no poder.

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Enquanto isso, os sindicatos e centrais, como a CUT e a CTB (dirigidas por PT e PCdoB, respectivamente), marcam atos e mobilizações dispersas nas categorias, fracionando nossa luta e isolando os processos exemplares, mas incipientes que, unificados, poderiam começar a erguer a força social de trabalhadores e setores populares capaz de levantar uma política com independência de classe contra os capitalistas e seus representantes. Essa política, embora às vezes envolta em demagogia combativa e que impede até agora a existência de um plano de lutas com greve geral contra Bolsonaro e os ataques, está totalmente voltada para preservar a estabilidade social e gerar as condições favoráveis para a eleição de Lula daqui há mais de um ano, enquanto ele segue sem dar um pio sobre as lutas em curso no país e negocia com as elites reacionárias em seu giro nacional de pré-campanha.

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É preciso seguir o exemplo dos povos indígenas e dos setores da classe trabalhadora que, em diferentes medidas, dão sinais de disposição de luta por todo o país. É o que acompanhamos nas greves na MRV, na Carris, na Sae Towers, na CPTM e atualmente nas greves da RedeTV, do Detran no RN e das 800 trabalhadoras terceirizadas da limpeza dos hospitais do Distrito Federal.

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Nós do Esquerda Diário e do MRT reivindicamos que a esquerda deveria se colocar ao lado dos povos indígenas, da classe trabalhadora e da juventude, colocando sua força militante e as entidades em que tem peso dirigente, assim como seus mandatos parlamentares, a serviço de unificar todas as lutas e demandas em uma frente única operária, contra todas as alas burguesas do regime, para derrotarmos juntos todos os ataques e derrubar Bolsonaro, Mourão e esse governo de militares. Nos colocamos inteiramente a serviço dessa batalha e levantamos a necessidade de instaurar através da luta uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana, que questione todas as instituições desse regime degradado, muito diferente da constituinte de 88, tutelada pelos militares da ditadura, que permita colocar em discussão das amplas massas demandas como a revogação de todas as reformas e privatizações. Um processo evidenciaria o quão opostos são os interesses da burguesia e dos trabalhadores, permitindo à vanguarda dos trabalhadores e aos revolucionários avançarem no convencimento das massas de que, para solucionar os problemas que afetam a vida de milhões, é preciso um governo de trabalhadores, de ruptura com o capitalismo.




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