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Anticapitalismo | Bilionários: privatizando o direito às estrelas, destruindo o planeta e lucrando com nossas vidas

O mundo acompanha os passeios dos descomunalmente ricos Branson, Bezos e Musk pelo espaço, enquanto atravessamos aqui embaixo a pandemia e catástrofes climáticas em todos os continentes, sofrendo as consequências da ganância imperialista que enche seus bolsos.

sábado 24 de julho | Edição do dia

Três dos maiores bilionários do mundo estão protagonizando uma corrida espacial distópica. Como tantos outros absurdos capitalistas, poderia ser um filme, mas é o ano de 2021. Cada um com seu brinquedo, competem por quem será o primeiro burguês a sair da terra em um foguete de sua própria empresa, e por qual o modelo mais avançado de espaçonave.

No chão, onde ainda resta uma atmosfera, a grande maioria da humanidade ainda se enfrenta com uma pandemia que já levou mais de 4,12 milhões de vidas, principalmente entre os mais pobres e nos países periféricos onde as vacinas demoraram ou sequer chegaram ainda. E vemos a cada semana uma nova catástrofe, temperaturas extremas, biomas em colapso, secas, inundações, tempestades, a crise climática se desenvolvendo a pleno vapor, fruto de séculos de exploração capitalista predatória e ininterrupta dos recursos do planeta.

Assim como a fome e a doença, esses são fenômenos que também atingem de maneira desigual a humanidade. Os países imperialistas e os capitalistas, que controlam os recursos e tecnologias do mundo, acham meios quase imediatos de se salvar de uma pandemia ou crise alimentar. Parece que estão planejando até sair do planeta se for preciso. Já a classe trabalhadora, o povo pobre, migrante e morador da periferia do capitalismo, acumula sofrimentos, lágrimas e apenas a memória dos seus entes queridos.

E, justamente, não é casual essa desigualdade, é o modus operandi de um sistema que garante que três bilionários possam dar passeios ao espaço, enquanto milhões passam fome e outros milhares tem a maior parte do tempo de suas vidas roubado no trabalho.

Qual o segredo para ser um bon-vivant espacial?

Como o próprio Jeff Bezos, dono da Amazon e de uma fortuna que poderia comprar vacinas para o mundo inteiro, admitiu em seu agradecimento após o vôo, quem pagou a conta foram seus clientes e os trabalhadores superexplorados da sua empresa, tão sugados que são obrigados a defecar em sacolas para não perderem tempo de trabalho indo ao banheiro. O alto nível de controle, perseguição sindical, metas e jornadas absurdas não são exclusividade do portfólio de Bezos, são elementos comuns também nos empreendimentos de Musk e Branson.

Confira o artigo do Observatório do Esquerda Diário: A Amazon, a precarização do trabalho e a organização coletiva dos trabalhadores

O britânico Richard Branson, o primeiro a alçar vôo, possui 40 empresas de diversos ramos em seu Virgin Group, presentes em 35 países. E mesmo sendo um dos conglomerados mais ricos do mundo, no início da pandemia, sua empresa de aviação solicitou aos trabalhadores que tirassem 8 semanas (2 meses) de dispensa não remunerada devido à paralisação do setor. Também já denunciamos Branson aqui na rede Esquerda Diário quando, durante a tentativa de golpe de Juan Guaidó na Venezuela, apoiado pelo imperialismo norte-americano, Branson organizou o festival “Venezuela Aid Live” através de sua empresa Virgin Records. O show em apoio à tentativa de golpe planejado pelo trumpismo contou com a presença de políticos de direita da América do Sul, como Iván Duque (Colômbia), Sebastián Piñera (Chile) e Mario Abdo (Paraguai). E quem desmascarou a manobra para o mundo todo foi ninguém menos que Roger Waters do Pink Floyd.

Releia: Elon Musk ataca os povos oprimidos: “Vamos dar golpe em quem quisermos! Lide com isso”

Já Elon Musk, o dono da Tesla e da SpaceX, é do tipo que não esconde o segredo, admitindo o sucesso por trás das longas e extenuantes jornadas de trabalho em suas fábricas. Na Alemanha e nos EUA, os trabalhadores de Musk são impedidos de qualquer participação sindical e acordos coletivos, proibidos de falar com a mídia e são comuns os casos de vertigens, dores no peito, dificuldades respiratórias e desmaios. Sequer a pandemia diminuiu a ganância do autodenominado “tecno-rei da Tesla”, que se utilizou de um discurso sobre “liberdade” e buscou se utilizar de informações falsas promovidas pelo trumpismo para minimizar os riscos do vírus e reabrir suas fábricas na Califórnia no ápice da contaminação e antes mesmo do desenvolvimento das vacinas, colocando inúmeros trabalhadores em risco.

Devastação ambiental e demagogia verde

E apesar de protagonizarem a demagogia ecocapitalista, a verdade é que os empreendimentos desses bilionários passam muito longe de algo saudável para o planeta, como mostrou um levantamento da Wired indicando que toda a filantropia e pesquisas financiadas pela Virgin Group não compensam os negócios poluentes de Branson. A Amazon de Bezos produz 211 milhões de quilos em pacotes plásticos por ano, e a expansão dos seus mais de 3.000 armazéns no sul da Califórnia está agressivamente afetando a saúde das comunidades negras do entorno, principalmente pela poluição do ar. As indústrias de Musk, além de dependerem da extração em massa e altamente poluente do lítio para suas baterias, já geraram uma série de conflitos com as comunidades do entorno de onde se instalam, como em Bradenburgo, onde implicou no desmatamento de 92 hectares de floresta e na drenagem excessiva das fontes de água locais.

O próprio turismo espacial, um mercado que estão abrindo com as viagens, emite com seus foguetes 100x mais gases de efeito estufa que os vôos convencionais. Só a Virgin Galactic de Branson já antecipa que vai oferecer 400 voos por ano para os extremamente ricos que puderem pagar pela experiência. E as tecnologias “verdes” desses bilionários, longe representarem uma perspectiva de mudança radical do modo de funcionamento do capitalismo, seguem a lógica do mercado e da acumulação de capital, que colocam o planeta em risco com a exploração indiscriminada e comercial de seus recursos.

O capitalismo destrói o planeta: destruamos o capitalismo!

Estamos acompanhando se desenvolver semanalmente uma perspectiva de catástrofe, e o problema fundamental reside em saber se a direção das forças produtivas desenvolvidas pela humanidade continuará nas mãos de capitalistas como os que mencionamos aqui ou da maioria trabalhadora e desfavorecida da sociedade. A pandemia, a crise econômica capitalista, a violência dos aparatos estatais e a crise ecológica voltam a situar a luta pelo comunismo - a sociedade de produtores livremente associados em harmonia com a natureza - como a única perspectiva de salvação da humanidade e do planeta.

A classe trabalhadora é a única capaz de levantar um projeto verdadeiramente ecológico e capaz de dar uma saída para todas as mazelas geradas por séculos de capitalismo. E em uma sociedade superior como essa, com o potencial criativo da humanidade liberto do imperativo da acumulação privada, a humanidade inteira poderá visitar o espaço e ir muito além. É revoltante que bilionários desprezíveis avancem em privatizar esse sonho, buscando garantir que esse seja um direito apenas dos grandes burgueses, e humilhando a humanidade com isso, porque suas viagens são à base da exploração e morte dos trabalhadores e da natureza.

Por isso, é preciso que os trabalhadores se aliem ao conjunto dos setores populares e se coloquem com seus métodos de luta e organização à frente dessa luta mundial decisiva. A pandemia mostrou o quanto a classe trabalhadora em seus mais diversos locais de trabalho é a verdadeira força capaz de mover ou paralisar o mundo inteiro. Contra a responsabilização individual e as ilusões de solução pelo consumo que os capitalistas tentam nos empurrar, é a unidade consciente e revolucionária dos trabalhadores do mundo todo a alternativa capaz de tomar o futuro das mãos de um punhado de parasitas.

Confira também o último Giro Internacional: A crise ambiental global e uma saída revolucionária




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