Movimento Estudantil

Bienal da UNE: se aliar com a direita pelo impeachment ou organizar os estudantes pela base?

A União Nacional dos Estudantes (UNE), organização estudantil brasileira, irá realizar no período 19-23 de maio a Bienal da Une, o maior festival estudantil da América latina. A Bienal, que ocorre anualmente com o objetivo arte, ciência, cultura além de debates acerca da política brasileira.

Pedro Gronga

Estudante de Ciências Contábeis da UFMG

segunda-feira 17 de maio| Edição do dia

Imagem: Divulgação/UNE

A mesa intitulada "Auxílio Emergencial Já! Combate a desigualdade social" que foi parte dos ciclo de debate da Bienal, contou com a presença de políticos como Lídice da Mata , deputada federal pelo PSB, Carlos Lupi , presidente nacional do PDT, ambos partidos que apoiaram algumas das nefastas reformas contra os trabalhadores, além de o PSB ter sido majoritariamente favorável ao golpe de 2016. A mesa contou também com os convidados Orlando Silva do PCdoB e Leonardo Péricles da UP.

A tônica do debate foi uma reivindicação enorme entorno do impeachment do Bolsonaro, totalmente descolado do combate ao regime do golpe, e por esse motivo não era uma problema a presença de representantes de partidos diretamente burgueses, como PSB e PDT nas mesas de debate de Bienal, assim como a própria participação do presidente da entidade na vergonhosa reunião que reunia até mesmo Kim Kataguiri e Joice Halsselman. Assim com não é um problema o fato de que a saída de Bolsonaro traria Mourão e a saída do Mourão entraria o bolsonarista Arthur Lira (PP). A politica do impeachment nos leva a manutenção do sistema do golpe e não da derrubada dele. A concentração da culpa de onde o Brasil se encontra hoje, na imagem do Bolsonaro, nos impedem de ver quem são os reais responsáveis pelas consequências do bolsonarismo: os partidos golpistas, o STF e sobre tudo os empresários capitalistas que sustentam Bolsonaro no poder até agora. Mesmo diante da pandemia tentando desgastar sua imagem e se separar do seu negacionismo, responsável por mais de 430 mil mortes, se utilizando da CPI da Covid para expor toda degradação desse regime, mas cujo objetivo é salvar as instituições e não de fato responder a profunda crise sanitária, social e política que está colocada.

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Nesse sentido também que a luta antirracista, outro tema pautado no debate, deve ser antes tudo uma luta anticapitalista, para a derrubada de um sistema que se constrói em base a desigualdade e exploração sobre tudo, historicamente, contra a população negra e não somente a deposição do presidente Bolsonaro. Ainda mais quando a polícia assassina o povo negro dentro de suas casas como vimos na chacina de Jacarezinho. E essa luta tem que ser feita pela classe trabalhadora em conjunto com a juventude se somando nas greves e assembleias, não com partidos burgueses, golpistas ou “progressistas” como foi reivindicado no debate. Devemos nos basear na luta do povo colombiano, chileno e latino norte-americano, não em políticas do Biden para manutenção do estado burguês como foi indicado no debate.

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A nós da juventude e da classe trabalhadora cabe a luta de classes, a organização e independência. A emancipação da classes trabalhadora se dá em combate ao sistema capitalista, que a ideologia neoliberal de Paulo Guedes e do governo Bolsonaro buscam defender. A luta pela retirado do Bolsonaro sem lutar também pela queda do regime golpista e por esse sistema de exploração, nos leva apenas a soluções rasas e ineficazes. Pela unificação das manifestações da classe trabalhadora com a juventude, a luta deve ser feito em conjunto para enfrentar todo esse regime.

A 12 Bienal, com mais de 10 mil inscritos, segundo a UNE, se apresenta descolado da luta e da realidade da juventude e da classe trabalhadora brasileira. Diante dos cortes do governo essa bienal deveria preparar os estudantes para voltar às ruas construindo fortes mobilizações no dia 29, a UNE deveria organizar em cada universidade assembleias democráticas, onde os estudantes pudessem ter voz. A Bienal deveria ser um espaço que fortalecesse nos estudantes a perspectiva de voltar a se organizar nas ruas, para se enfrentar com os cortes, para se colocar na linha de frente contra Bolsonaro, Mourão e todo regime do golpe. Buscando se aliar com a classe trabalhadora.

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Ao contrário da imobilidade da entidade que se expressou ao longo do ano de 2020, onde não houve convocação e organização de manifestações contra os absurdos que ocorreram no processo seletivo do ENEM 2020, não houve tentativa de unificação da juventude com a luta de muitos trabalhadores como os dos correios, dos entregadores de aplicativos, e um chamado aos estudantes para se somarem nos atos antifascistas e antirracistas que ocorreram no Brasil na época do Black Lives Matter. Subordinando a politica da entidade a defesa do impeachment juntamente com partidos burgueses e até mesmo da direita liberal que defende inúmeros ataques contra os trabalhadores e a juventude.

Por isso, desde a juventude Faísca defendemos a necessidade de ao contrário de se subordinar a aliança com partidos golpistas e burgueses, a maior entidade estudantil do país precisa realizar centenas de assembleias democráticas em todas as universidades e institutos federais do país, onde os estudantes possam ter voz para preparar as mobilizações do dia 29, e ao invés de defender o impeachment de Bolsonaro, que vai somente salvar esse regime apodrecido, nós estudantes poderíamos estar na vanguarda das ruas para lutar contra Bolsonaro, Mourão e todo regime do golpe institucional.

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Através da mobilização independente dos trabalhadores e da juventude batalhar também por uma Assembleia Constituinte Livre e Soberana que coloque o povo para decidir os rumos do país, revogando todas as reformas implementadas e aprofundadas com o golpe de 2016, todas as leis reacionárias e heranças da ditadura militar, mudando todas as regras do jogo para impor um governo de trabalhadores que atenda aos interesses e necessidades da maioria e não de um punhado de setores e instituições que brigando entre si, fazem chacota de nossas vidas, nos reservando miséria, enquanto preservam e aumentam seus privilégios e aprovam todos os planos de ajuste que lhes convêm.




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