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Imperialismo | Biden distribuirá 500 milhões de vacinas, mas é responsável por 4 milhões de mortos pela COVID

Joe Biden, chegou a um acordo com a multibilionária estadunidense Pfizer para distribuir 500 milhões de doses de vacinas em dois anos. Isso poderia parecer um ato benevolente e progressista do “mal menor” Democrata. Acontece que a morte de mais de 4 milhões de pessoas em todo o mundo pela COVID-19 é responsabilidade da burguesia imperialista e de seus representantes a partir da proteção sistemática das patentes das vacinas.

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

sexta-feira 11 de junho | Edição do dia

Biden, em acordo com a Pfizer, irá distribuir 500 milhões de doses de vacina para o mundo em dois anos - mas isso são apenas migalhas daqueles que impedem sistematicamente o combate efetivo da pandemia. Segundo o The Guardian, as primeiras 200 milhões de doses serão distribuídas neste ano, e as 300 milhões restantes no primeiro semestre do próximo. Segundo relatos, as vacinas serão doadas por meio da Covax, a iniciativa global para ajudar os países em desenvolvimento a enfrentar a pandemia, e irão para 92 países de baixa renda e para a União Africana. Mas não há nenhuma garantia de que esse prazo será cumprido - e em quais termos isso vai ocorrer.

Com o sistema de patentes, essas empresas condicionam a produção e aquisição de vacinas no mundo inteiro. Eles colocam em seus acordos cláusulas absurdas e para piorar, as cláusulas são todas secretas. Isso tudo tendo recebido rios de dinheiro e de investimento público e apesar disso, todo o lucro se mantém privado. Além disso, elas se sentem confortáveis para descumprir todo tipo de prazo e fazer todo tipo de tramoia. Os sucessivos atrasos deixam claro o que muitos vinham anunciando: as empresas farmacêuticas firmaram acordos prometendo doses acima da sua capacidade de produção, ou seja, acordos que não tinham capacidade de cumprir desde o início.

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Na prática, o governo Democrata, apesar do discurso, é o maior protetor das patentes das vacinas - e nisso nada diferem de Trump. O mundo já ultrapassou a marca de 4 milhões de mortos pela COVID-19 - fora a notória subnotificação, sobretudo nos países pobres. Biden é um dos principais responsáveis por uma política genocida de preservação dos lucros da burguesia imperialista. Além do mais, é bom lembrar que foi ele quem estocou mais de 60 milhões de doses da AstraZeneca no começo desse ano, condenando centenas de milhares de pessoas à morte. Além de demagogo, também é hipócrita.

Trata-se de uma operação para fortalecer a tendência nacionalista do “Buy America”, salvar os lucros dos capitalistas e “normalizar” possíveis explosões da luta de classes provocadas pelo agravamento da pandemia. Enquanto isso, pode-se usar a vacina como chantagem e uma peça do capital político, como faz a Pfizer e Bolsonaro - o negacionista nega vacinas pela metade do preço, mas curiosamente, a distância entre a primeira oferta da Pfizer e a chegada dos imunizantes ao Brasil foi de oito meses, nos quais milhares de vidas foram perdidas. Os capitalistas e os negacionistas estão de mãos dadas no que importa para ambos: as patentes das vacinas.

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Segundo a Our World in Data, na República Democrática do Congo (87 milhões de habitantes) e na Nigéria (207 milhões de pessoas), apenas 0,1% da população se vacinaram totalmente. A quantidade de pessoas apenas nesses dois países é quase a soma de todas as vacinas que o benevolente Biden doará para o mundo durante um ano. Na Indonésia (274 milhões de habitantes), 4,2% da população foi vacinada; no Haiti, simplesmente não haviam doses de vacina a dois meses atrás - e nem sequer há dados oficiais de vacinação - o número de pessoas nesses países supera a segunda etapa da benevolência de Biden.

É claro que o “progressista” Biden nada dirá sobre os lucros extraordinários que a Pfizer ganhará. Aliás, é importante ressaltar: a BioNTech, que desenvolveu o primeiro imunizante contra a COVID-19 em parceria com a americana Pfizer, obteve lucro líquido de 1,13 bilhão de euros no primeiro trimestre de 2021. Já a Pfizer reportou nesta terça-feira um lucro líquido de US $4,88 bilhões no primeiro trimestre de 2021, uma alta de 45% na comparação com o mesmo trimestre de 2020.
Façamos um pequeno exercício de matemática. Se toda a riqueza dessas empresas, que estão nas mãos de meia-dúzia de pessoas, estivesse nas mãos dos trabalhadores - os verdadeiros geradores de toda essa riqueza, quantas vacinas poderiam ser compradas? Assumindo o preço da vacina da Pfizer que a CNN anunciou no passado (aproximadamente 20 dólares - e que diminuiria consideravelmente se a produção estivesse sob controle operário), com a soma apenas com os lucros do último semestre da BioNTech e Pfizer, teríamos acesso a mais de 310 milhões de vacinas. Sim, uma quantidade maior que todas as vacinas que Biden vai enviar ao mundo em todo esse ano.

Diante de toda a tecnologia já produzidas na história da humanidade, com espaçonaves e drones que viajam por todo o sistema solar, o 5G e a “internet das coisas”, a inteligência artificial, smartphones etc. - temos avanços técnicos imensuráveis, mas nem no país mais desenvolvido do mundo toda a população foi vacinada.

Por isso, é preciso batalhar em cada local de trabalho e estudo, não para “pressionarmos” os governos para comprar doses ou confiar na “distribuição benevolente" de Biden - aos trabalhadores de todo o mundo, tudo lhes pertence, o mínimo a se exigir é tudo. pela quebra das patentes das vacinas e que sua produção e segredo comercial estejam sob o controle dos trabalhadores, assim como defender que os próprios trabalhadores da saúde junto a especialistas disponham das pesquisas e resultados, concedendo acesso público a esses dados com independência dos governos. Desde o Brasil, as centrais sindicais deveriam erguer uma forte campanha nacional pela quebra de parentes como parte de preparar também os atos do dia 19 de junho junto dos estudantes, sem separar a luta como querem fazer marcando um ato no dia 18.

Leia mais: A vacinação não pode depender da negligência assassina de Bolsonaro nem dos lucros da Pfizer




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