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Crise ambiental | Biden apoia projeto gigantesco de extração de petróleo no Alasca, atacando indígenas

O imperialista Joe Biden apoiou o “projeto Willow”, definido para produzir mais de 100 mil barris de petróleo por dia durante 30 anos no norte do Alasca. O projeto aprovado por Trump e endossado pelo democrata é mais uma mostra do que é o ecocapitalismo burguês: lucros recordes para a gigante do petróleo ConocoPhillips, destruição do meio-ambiente e ataque às comunidades aborígenes.

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

quinta-feira 27 de maio | Edição do dia

Bonnie Jo Mount/The Washington Post, via Getty Images

De acordo com artigo do New York Times, o sionista Joe Biden apoiou o “projeto Willow”, definido para produzir mais de 100.000 barris de petróleo por dia durante 30 anos na região norte do Alasca. Sua demagogia ecocapitalista é tão baixa quanto seu apoio ao Estado racista de Israel. O projeto será realizado na Reserva Nacional de Petróleo, tendo sido sancionada pelo governo Trump. Os republicanos e os democratas, mais uma vez e sem surpresas, demonstram como são duas faces racistas e imperialistas da mesma moeda.

Uma expansão nos campos de extração de petróleo poderia causar grandes impactos negativos nas migrações de caribus; nas correntes marítimas, causando mortes de muitíssimas espécies marinhas; coloca em maior risco os ursos polares já ameaçados de extinção; piora significativamente a qualidade já ruim do ar; além de prejudicar diretamente a qualidade de vida das comunidades aborígenes, mas também dos operários brancos.

Por trás disso está a multibilionária ConocoPhillips, a mesma que registrou lucro líquido recorde de US$ 982 milhões no primeiro trimestre deste ano. Tanto dinheiro poderia facilmente produzir leitos de UTI para milhões de pessoas em países como a Índia e Brasil. Evidentemente, os lucros da burguesia aumentam, mas os salários dos trabalhadores petroleiros tendem a cair. Em sua boa parte brancos, mas também e principalmente os aborígenes que ocupam os postos mais precários de trabalho - os salários dos trabalhadores petroleiros e da região de conjunto tendem a descrescer com os efeitos da crise. Mesmo com o “pacote de investimentos keynesianos” de Biden, está claro para centenas de famílias aborígenes que se o nível do mar continuar a subir, o ar continuar irrespirável, suas fontes de alimentação se esgotarem - então o salário tenderá a baixar, já que os níveis de vida da população são cada vez mais precários. Assim, pode-se abaixar os salários do conjunto dos trabalhadores brancos também, nivelando-o por baixo.

É o que ocorre na região da vila de Nuiqsut, localizada em meio a uma grande quantidade de petróleo. Enquanto a empresas como ConocoPhillips e Hilcorp lucram aos montes, o que resta para os povos originários, em sua maioria esquimós Inupiat, é o desenvolvimento predatório das plantas de extração de petróleo e o avanço das mudanças climáticas - gerando impactos negativos, principalmente, em suas atividades tradicionais de caça e pesca. A relação com a comunidade de Nuiqsut é tal que a empresa petrolífera que utiliza a terra, considerada propriedade dos residentes nativos, paga dividendos aos residentes em troca da utilização da terra - o que muitas vezes é sua única fonte de renda.

Para se ter uma ideia, nos últimos 60 anos, o clima do Alasca aqueceu duas vezes mais rápido que o resto de todo os Estados Unidos. Os ecossistemas árticos estão em desordem, o permafrost está desaparecendo e o nível do mar está subindo. Enquanto isso, Biden faz questão de colocar toda sua força para que a classe operária e os mais pobres paguem pela crise climática.

Mas essa situação não é de hoje. Obama estava longe de ser o grande defensor do clima, como costuma ser retratado. O próprio Obama se gabou de construir novos oleodutos e gasodutos suficientes para "circundar a Terra e mais um pouco". Não foram os republicanos, mas Obama que concedeu à ConocoPhillips o direito de perfurar em terras anteriormente protegidas no Alasca, sob forte oposição de comunidades nativas e ativistas ambientais de base. O Greenpeace observa que o Bureau of Land Management arrendou terras que representam mais de 2,2 bilhões de toneladas de carvão para empresas privadas durante os dois mandatos de Obama. Uma parte significativa desse carvão foi destinada à exportação. Portanto, embora Obama pudesse reivindicar reduções nas emissões domésticas de carvão, os Estados Unidos estavam exportando essas emissões de CO2 geradas pelo carvão para o exterior. Uma quantidade recorde de carvão foi enviada ao exterior em 2012. Esse tipo de ação, aliás, é amplamente endossada por empresas de offshore de créditos de carbono - algo que o Acordo de Paris procurou regulamentar em seu Artigo 6º.

Portanto, não podemos confiar sequer um milímetro no “mal menor” democrata, mas também na diplomacia burguesa das Cúpulas do Clima e nos meandros traiçoeiros do Acordo de Paris. Os anos de 2015 a 2019 foram os anos mais quentes da história recente. O nível do mar atingiu seu maior valor em 2019 desde que começou a ser medido (indicando maior degelo das calotas polares). Em 2018 a emissão de gases do efeito estufa bateu recorde. Ou seja, tudo indica que o Acordo de Paris não deve ser cumprido, assim como o Protocolo de Kyoto - a diplomacia burguesa se assenta nisso, letra morta e palavras ao vento para desviar a fúria da classe operária internacional para dentro das instituições.

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É bom dizer que, se por um lado nunca há interesse em cumprir os acordos, os mínimos avanços nas metas são absolutamente irrisórios se comparados com a velocidade absurda de degradação do meio-ambiente. Quem está pagando a crise capitalista e os efeitos da devastação ambiental é a classe operária e o povo pobre. A Cúpula do Clima e o Acordo de Paris demonstram que uma ala do imperialismo está sim preocupada com a catástrofe climática - mas para que suas gigantescas corporações lucrem ainda mais! Nisso, Biden, Macron e Merkel são iguais.

Leia mais:Por que a destruição ambiental é inerente ao capitalismo?

Depositemos nossa confiança, portanto, na classe operária internacional, na solidariedade global ao povo palestino, na greve dos petroleiros da Petrobras Biocombustível no Brasil, na força do Black Lives Matter e no “ressurgimento” do movimento operário estadunidense - esse que já protagonizou greves gerais históricas, como a dos caminhoneiros em Minneapolis em 1934, com os trotskistas à frente. Só a classe trabalhadora, aquela que tudo produz, pode tomar em suas mãos a economia e utilizar-se dos imensos avanços técnicos de nossa época de forma sustentável. Tomemos o exemplo da greve dos petroleiros de Grandpuits na França, uma dura greve que deu exemplos históricos para o proletariado mundial com a auto-organização dos comitês de greve que superaram as burocracias sindicais derrotistas, as coordenações entre refinarias, comissões de mulheres e uma frente única com o movimento ecológico - tudo para lutar pelos empregos dos petroleiros e denunciar o greenwashing da Total. Como disse um dos líderes da greve, Adrian Cornet, membro do partido irmão do MRT, a CCR: “se nós, os trabalhadores, tivéssemos o controle da fábrica, poderíamos poluir menos, porque não nos preocupamos apenas com o lucro, porque nossas famílias moram ao lado, porque tomamos banho nos rios da área, porque nossos filhos brincam nos parques.”

A crise climática não aponta o fim do mundo, mas a crise histórica do capitalismo. Por isso, trata-se de socialismo ou barbárie. A isso se dedica a Fração Trotskista, à batalha da classe operária pela revolução socialista internacional, por uma sociedade comunista sem classes e sem Estado, livre de exploração e opressão, na qual as forças produtivas se integrem internacionalmente - pavimentando uma verdadeira relação harmônica entre o ser humano e a natureza.

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