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AGROTÓXICOS

Beneficiando interesse de multinacionais, Brasil aprovou 493 novos agrotóxicos em 2020

O Brasil registrou em 2020 o recorde de 493 novos agrotóxicos, número 4% maior que o de 2019, de acordo com levantamento do Valor. Os registros vêm crescendo ano a ano no país desde 2016.

segunda-feira 18 de janeiro| Edição do dia

Foto: Agência Brasil

O Brasil aprovou o registro de 493 agrotóxicos em 2020, sendo a maioria produtos genéricos. O volume é 4% superior ao de 2019, quando foram liberados 474. Segundo dados do Ministério da Agricultura, foram liberados 18 pesticidas inéditos e 475 genéricos.

Todos os produtos aprovados são técnicos ou pré-misturas, de uso exclusivo das indústrias como matéria-prima para fabricação dos defensivos formulados, aqueles que chegam diretamente ao agricultor. Desses, três são ingredientes ativos inéditos: tolfenpyrad (inseticida/acaricida/fungicida), tiencabazone-methyl (herbicida) e fenpirazamina (fungicida). Os demais são genéricos.

Outro recorde foi o de registros de produtos biológicos, de baixo impacto. Foram 95 no total, mais que o dobro de 2019, quando foram houve 43 autorizações. Esses produtos integram a lista de 321 defensivos formulados, que chegam efetivamente aos produtores rurais, registrados em 2020. Desses, 226 são químicos, número maior que os 159 registros de 2019.

O Brasil vem se tornando cada vez mais conhecido por liberar agrotóxicos que estão sendo banidos em todo o mundo. Uma das substâncias é o Fipronil, relacionado à morte de 500 milhões de abelhas e causador de impacto ambiental de imensas proporções, tendo sido proibido na União Europeia e em fase de reavaliação nos EUA. Outros, como o Clorpirifós, está relacionado à má formação dos cérebros de bebês e já foi banido em ambas regiões. Já o Clorotalonil afeta o DNA humano – levando ao desenvolvimento de câncer – e causa danos para anfíbios, peixes e abelhas.

Em 2019 o governo alterou a forma de divulgação do registro de agrotóxicos, passando a levar em conta a aprovação dos dois tipos de agrotóxicos: os que vão para indústria e os que vão para os agricultores. Até então, o ministério anunciava a aprovação dos pesticidas sem especificação de destino.

Esse é um serviço que o governo não quer interromper de jeito nenhum, e por isso, já em março decretou como essenciais todas as atividades ligadas à produção e aplicação de agrotóxicos – hoje rebatizados oficialmente com o eufemismo “defensivos agrícolas” para tentar ocultar a verdade sobre sua nocividade à saúde humana.




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