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BELO MONTE

Belo Monte culpa estiagem por destruição da Volta Grande do Xingu

O pulso da inundação natural do Rio Xingu, que garantia a passagem de 20 mil a 25 mil metros cúbicos de água por segundo nos meses de cheia, de dezembro a junho, com a construção da usina de Belo Monte, passou a ser reduzido para a liberação artificial permanente da barragem de 4 mil m³ por segundo em um ano e 8 mil m³ no ano seguinte. Esse regime comprometeu completamente a vida no trecho bloqueado do rio, ainda mais diante da destruição capitalista de nossos recursos naturais, queimadas na Amazônia e no Pantanal, causada pelo agronegócio, empresários, Bolsonaro e golpistas.

quinta-feira 3 de dezembro de 2020| Edição do dia

Foto: Reprodução/TV Vitória

Por meio de nota, o Consórcio Norte Energia, concessionária responsável pela construção e operação da Hidrelétrica de Belo Monte, teve o cinismo de culpar a estiagem pela situação: “A vazão natural do Rio Xingu que chega ao reservatório da UHE (usina hidrelétrica) Belo Monte está abaixo dos padrões já observados em outros períodos de estiagem, sendo uma das cinco menores vazões já registradas desde 1968, quando foram iniciados os acompanhamentos de vazões”, declarou.

A equipe técnica do Ibama analisou os dados e concluiu que o cenário com 4 mil m³/s “é impraticável”. Sobre o cenário com 8 mil m³, declarou que os dados “são insuficientes para garantir que não haverá piora drástica nas condições ambientais e de modo de vida na Volta Grande do Xingu”. Depois de mudar o curso das águas do Rio Xingu para privilegiar os bolsos dos empresários que lucram com a geração de energia, a Hidrelétrica de Belo Monte, em operação no Pará, será obrigada a liberar um volume maior da água que hoje retém em seu reservatório. A medida pretende atenuar as condições drásticas de vida que passaram a ser a rotina de um trecho de 130km de extensão do rio, conhecido como a Volta Grande do Xingu.

O Consórcio Norte Energia é uma junção lucrativa para diversas empresas que o compõe para a construção e gestão da Hidrelétrica de Belo Monte, em detrimento das condições ambientais e de vida da Volta Grande do Xingu. Fazem parte dele empresa que, inclusive, tem envolvimento com outros crimes ambientais, como a lama de Mariana e Brumadinho, como a Vale, além de Cemig, Light, e construtoras como a Gerdau.

Em novembro de 2015, a Norte Energia fechou a barragem principal da usina, desviando uma média predatória de até 80% da água para um canal artificial de mais de 20 quilômetros, onde foram instaladas as grandes turbinas da hidrelétrica. Com esse desvio, os 130km, que há milhares de anos convivia com um regime natural de seca e cheia, passaram a ser submetidos a um regime artificial reduzido e constante de água, que leva consigo dezenas de espécies de peixes, tartarugas e frutos, além de comprometer a subsistência de milhares de famílias em 25 vilas do trajeto do rio, entre elas famílias de povos indígenas.

O controle sobre a quantidade de água que passa ou não pela barragem também é feito pela Norte Energia, por meio de “hidrograma de consenso”, hipocrisia para se justificar dizendo que está liberando água para o rio, mas que no “consenso”, já em 2009, ignorava os alertas dos relatórios do Ibama de que os volumes previstos trariam riscos à região.

A sede de lucro capitalista provoca uma fratura no “metabolismo” entre a sociedade e a natureza. Hoje, o governo Bolsonaro e o regime do golpe institucional de 2016 são os representantes dos setores que mais se beneficiam e botam fogo na Amazônia e no Pantanal, desviam as águas do Xingu e afundaram em lama Mariana e Brumadinho. Outubro foi o mês recorde de focos de incêndio no Pantanal, enquanto o governo Bolsonaro dizia não haver desmatamento na Amazônia e espalhava fake news dizendo que criação de gado pode impedir queimadas. E Mourão minimiza desmatamento na Amazônia dizendo que “foi menos pior”.

Veja também: Representantes do centrão ligados ao latifúndio se fortalecem no MS

Ainda em 2015, trabalhadores das obras de Belo Monte realizavam greves para conquistar melhorias mínimas numa situação de trabalho terrível e insalubre. Eram reprimidos e essa situação se tornou ainda mais intragável quando foram noticiadas as mortes desses operários, que foram patrocinadas pelo governo de Dilma e do PT, junto às construtoras, asfaltando a estrada da situação que os trabalhadores e a população, a fauna e a flora, do Xingu se encontram hoje.

Por isso, é necessário se enfrentar com essa sede de lucros, colocando a geração de energia e a preservação ambiental nas mãos dos trabalhadores, dos moradores. No caso do Amapá fica escancarado a miséria causada à população pela privatização para encher os bolsos dos empresários. É necessária a expropriação do conjunto da indústria energética, sob a gestão democrática das e dos trabalhadores e supervisão de comitês de consumidores, assim como os latifúndios, para realização de reforma agrária para pequenos camponeses e demarcação de terra para os povos originários. E também devem ser impostos orçamentos para a conservação da biodiversidade, tanto de espécies como de grande variedade de ecossistemas do planeta, com especial ênfase nos que estão em maior risco e regeneração das áreas degradadas (mares, rios, lagos, bosques e campos) em base a impostos progressivos ao grande capital.

Veja mais em: O capitalismo destrói o planeta, destruamos o capitalismo




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