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SÃO PAULO

Bauru já soma 100 mortes à espera de leitos, enquanto Doria segue demagogia e fase de transição

Com taxa de ocupação de UTI acima de 100% há vários meses, a cidade de Bauru, no interior de São Paulo, já registrou pelo menos 100 mortes de pacientes com covid-19, este ano, na fila de espera por vagas em UTI. Bauru é um dos símbolos do agravamento da pandemia no interior do estado e da demagogia da gestão de Doria.

sexta-feira 11 de junho| Edição do dia

O último óbito, na madrugada desta quinta-feira, 10, foi de um homem internado na madrugada do dia 5. No mesmo dia, a taxa de ocupação do Hospital Estadual, referência para covid-19, era de 117%. Os 70 leitos reservados para o município estavam ocupados e 14 pacientes estavam em leitos improvisados. Dos 250 leitos reservados para a região, 263 estavam ocupados, taxa de 104%.

Conforme a Secretaria Municipal de Saúde, há mais de três meses os hospitais públicos estão com ocupação acima de 100%. "O Mini Hospital, com pronto-socorro e atendimento avançado de covid-19, está lotado e, por consequência, as quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) estão cheias, com pacientes em geral misturados com os suspeitos e positivos de covid", informou a Prefeitura. Nesta quinta, a UPA Ipiranga estava com sete pacientes portadores de covid aguardando vagas pela Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).

De acordo com a secretaria municipal, 99 pessoas morreram na fila entre janeiro e maio, aguardando internação em hospitais públicos. Foram oito mortes em janeiro, sete em fevereiro, 47 em março, 22 em abril e 15 em maio. Houve mortes em junho que ainda serão contabilizadas.

Demagogia de Doria oculta fracasso do Plano São Paulo e manutenção da gravidade da pandemia

Quando a fase emergencial foi decretada, havia 21.731 pessoas internadas com covid-19, sendo 12.279 em enfermaria e 9.452 em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs). No pico da pandemia, em 3 de abril, chegou a 31,5 mil. Depois caiu até 21,9 mil, mas desde então sobe sem parar. Até ontem (9), quando Doria prorrogou a fase de transição, já eram 25.010 pessoas internadas, 15,1% a mais do que há três meses. Nas enfermarias, são 13.786 pessoas, diferença de 12,3%. No caso das UTIs, já são 11.224, mais 18%.

O tucano ignora, porém, que a mortalidade de pacientes com covid-19 em UTI é de 55,7% na rede pública e 31,5% na rede privada. Entre pacientes intubados, as taxas pioram: 74,6%, na rede pública e 63,7%, na rede privada.

De acordo com os médicos do comitê, os números têm crescido em especial no interior do estado. Atualmente, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, 9 das 17 regiões apresentam ocupação acima de 90%: Bauru (104%), Barretos (95%) Franca (91,2%) Marília (95,3%) Presidente Prudente (92,9%) Registro (92,6%) Ribeirão Preto (94,6%) São João da Boa Vista (90,6%) Sorocaba (90%) Outras quatro estão próximas: Araraquara (87,8%), Bauru (89,9%), Piracicaba (87,6%) e São José do Rio Preto (87,2%).

Essa realidade expõe o fracasso das medidas demagógicas de Doria que faz um alarde do seu plano de vacinação, enquanto negligencia outras demandas para que a população tenha direito a um isolamento racional, e vai incentivando a reabertura para alimentar a sede de lucro dos empresários. Doria pouco fez em relação a testagem massiva da população, não forneceu auxílio para que pessoas desempregadas ou informais pudessem ter direito a quarentena, não fez a contratação emergencial de profissionais de saúde.

Com informações Agência Estado




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