DECLARAÇÃO DO PÃO E ROSAS E QUILOMBO VERMELHO

Basta de mortes e operações policiais nas favelas! Justiça por Kathlen!

O assassinato de Kathlen Romeu pelas mãos da polícia do Rio de Janeiro, é mais uma triste marca da sangrenta história racista deste país. Uma jovem de 24 anos, com sonhos e aspirações, grávida, teve sua vida tirada pelo braço armado do Estado. Esta é a política defendida pelo governo Bolsonaro e aplicada à risca pelo governador do RJ, Cláudio Castro, com a população pobre e negra. Estamos fartos de ver os corpos negros alvejados pela policia, estamos fartos da sistemática violência do Estado burguês que barra os sonhos das pessoas negras e da classe trabalhadora deste país. Por isso, nós do Quilombo Vermelho e do Pão e Rosas dizemos, Basta!

Pão e Rosas

@Pao_e_Rosas

quarta-feira 9 de junho| Edição do dia

Foto: reprodução/instagram

Kathlen Romeu, de 24 anos, foi mais uma vítima da política racista do governo Bolsonaro e Mourão e do governador Claudio Castro. Em uma operação policial ilegal, em Lins Vasconcelos, na Zona Norte do RJ, Kathlen foi atingida em meio a uma troca de tiros e faleceu no local. Kathlen é a 15ª grávida baleada em operações policiais no Rio desde 2017, e dessas 15, 8 vieram a óbito, ou seja, esse não é um caso isolado.

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O governo de Cláudio Castro continua e aprofunda a política racista e assassina de Witzel. Nos primeiros dois meses deste ano, logo após a sua posse, foi registrado um aumento de 161% no número de mortos pela polícia, quando comparado ao mesmo período do ano passado. Portanto, as pessoas negras, que já são as que mais morrem na pandemia de covid-19, também são aquelas que mais convivem com a violência policial e tem suas vidas ceifadas por estes vermes capitalistas.

As operações policias nas favelas são responsáveis por diversas mortes de jovens negros, como do menino João Pedro de 14 anos, que foi baleado dentro de sua casa, e como a pequena Agatha Felix de apenas 8 anos. Esta polícia assassina de Bolsonaro, Mourão e de Claudio Castro, realiza seu papel histórico de reprimir a classe trabalhadora e retirar a vidas das pessoas negras e pobres. As operações policiais nas favelas brasileiras, que não deveriam acontecer durante a pandemia, segundo uma medida do autoritário STF, tem como objetivo apenas movimentar os negócios do crime organizado onde o Estado capitalista é mais um dos participantes deste jogo. A política de guerra as drogas legitima a violência contra o povo negro, reprime sua identidade cultural e suas formas de resistência.

Mourão chamou as vítimas de uma das maiores chacinas da história do Rio de Janeiro, a chacina de Jacarezinho, de "tudo bandido”, logo após falar que os assassinatos não foram consequência do racismo, fazendo coro com o mito da democracia racial tão utilizada pela ditadura militar, para invisibilizar a identidade negra. Bolsonaro e Mourão são responsáveis pelos assassinatos sistemáticos da população negra, onde o Estado do Rio de Janeiro é o maior exemplo de um estado mais repressor e policialesco da extrema-direita.

Ainda no Rio de Janeiro, nesta semana a jovem Vitória foi vítima de feminicídio em Niterói. Assim, a violência machista, que aumentou 127% nos últimos 4 anos no RJ, é também uma expressão da politica desta extrema-direita que odeia e aprofunda a violência contra as mulheres, negros e lgbts. O terrível caso do estupro coletivo em Santa Catarina de um jovem gay que também foi tatuado com palavras homofóbicas, é uma outra expressão dessa odiosa politica, onde um LGBT é agredido a cada hora no Brasil.

Também, essa mesma corja de extrema direita, Bolsonaro e Castro, vocifera o discurso odioso contra as mulheres e seu direito de decidir sobre o seu corpo, impedindo que elas possam decidir sobre o aborto. Ainda que esses governantes tenham sido eleitos com o discurso de proteção da família, a única família com quem se importam é a deles, pois destroem famílias negras, pobres e trabalhadoras, seja pelas balas da polícia, seja por abortos clandestinos que vitimizam todos os anos centenas de mulheres negras. Hipocritamente defendem a vida, mas sua polícia mata João Pedro dentro de casa, executam uma pessoa no quarto de uma criança em Jacarezinho e ceifa a vida de Kathlen e seu filho.

Por isso, nós do Quilombo Vermelho e do grupo de mulheres Pão e Rosas, dizemos: Basta de vidas negras serem retiradas. Chega de vidas, sonhos, aspirações e lutas serem interrompidas pelas mãos do Estado. E para isso, devemos transformar a tristeza e o luto em luta. Devemos nos inspirar no histórico movimento Black Lives Matter, que exigiu justiça por George Floyd, e que estremeceu o mundo inteiro, questionando o papel estrutural da polícia na repressão e morte da população negra. E para isso, devemos nos apoiar na força da classe trabalhadora, com a sua maioria no Brasil de mulheres e negros, para levarmos até o final esta luta, contra este regime que nos massacra diariamente.

Desta forma, devemos exigir o fim das operações policiais nas favelas, que haja investigação e punição real aos culpados e como não acreditamos nesse Estado assassino, lutamos por investigações independentes para que essas mortes sejam investigadas de forma consequente. Devemos colocar fim aos “autos de resistência", uma herança da ditadura que dá carta branca para a polícia assassinar jovens negros nas favelas e lutar para acabar com essa polícia racista e assassina.

Para isso, apenas a unidade da classe trabalhadora com o movimento negro, de mulheres e lgbts, é capaz de ter a força para que essas exigências sejam colocadas. Por isso, fazemos um chamado, em especial às organizações de esquerda e ao movimento negro, para que possamos organizar atos e iniciativas pelo país por Kethlen e todos nossos mortos!

Nesse sentido, o dia 19 de junho, deveria ser um dia que as centrais sindicais, como a CUT e a CTB, que são dirigidas pelo PT e PCdoB, junto ao movimento negro e de mulheres, organizassem a nossa luta pela base, nos locais de trabalho e estudo, para colocar a frente a luta contra Bolsonaro, Mourão, Castro e toda violência policial. Para que esse dia também seja uma expressão da nossa revolta contra essas mortes, a polícia e que questione o conjunto deste regime racista. Devemos gritar em plenos pulmões: Basta de ataques aos trabalhadores e de violência policial! Justiça por Kathlen!




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