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Greve MRV | Basta de escravidão nos canteiros: um relato das condições de trabalho na MRV

A MRV que há um mês é intransigente com a greve dos trabalhadores em Campinas, construiu sua fortuna submetendo os operários a situações degradantes e desumanas.

sexta-feira 13 de agosto | Edição do dia
“A gente comia lá mesmo, pegava marmitex e dormia lá dentro mesmo em umas beliches. A gente dormia de qualquer jeito. Praticamente morávamos lá dentro da obra. Aí quando o ministério do trabalho descobriu, caíram em cima, aí parou tudo. Faltava muito EPI pra gente, igual acontece hoje em dia com outros trabalhadores. Tinha que trabalhar de qualquer jeito mesmo. E se fizesse hora extra a gente nem podia marcar que saiu às 17 e continuou trabalhando. Sempre houve isso hoje. Hoje em dia não pode mais isso, mas sempre foi assim.”

Essa é a declaração de um trabalhador em greve, que denuncia as condições análogas à escravidão sob as quais ele e outros colegas eram submetidos na MRV. Os trabalhadores da MRV de Campinas estão em greve há um mês pelo seu direito ao PLR (Participação em Lucros e Resultados) da empresa e também por melhores condições de trabalho. A empresa se mostra muito intransigente, dizendo que não irá negociar nada.

Apesar de chocantes, as condições sob as quais este trabalhador se encontrava não são tão raras quanto se pensa no Brasil. Em 2020, o primeiro ano da pandemia, 936 trabalhadores foram encontrados em condições análogas à escravidão, segundo dados do Painel de Informações e Estatísticas da Inspeção do Trabalho no Brasil. Em 2021, até agora esse número já chega a 314.

A MRV já possui um absurdo histórico de trabalho análogo à escravidão. A empresa, que em 2019 tinha 18 mil trabalhadores contratados é conhecida pelos escândalos envolvendo a super exploração do trabalho, com uma maioria de trabalhadores negros e de origem nordestina, escancarando o racismo estrutural. Uma operação realizada em 13 de maio nas cidades de Porto Alegre e São Leopoldo no Rio Grande do Sul resgatou 16 trabalhadores em situações degradantes de trabalho. Estes eram aliciados por uma empresa terceirizada pela MRV. Em 2014 aconteceram situações parecidas que envolviam a empresa em Macaé(RJ), assim como em Contagem(MG) no ano de 2013 e nas cidades de Americana e Bauru(SP) e também em Curitiba(PR) em 2011.

Essas condições são expressão da superexploração capitalista, que, sem limites em busca do lucro, submete centenas de pessoas às mais revoltantes condições. A MRV, desde abril até junho lucrou estonteantes 203 milhões de reais, superando em 86,1% seu resultado no mesmo período em 2020. Enquanto os donos nadam em piscinas de moedas resultantes do esforço de cada trabalhador nos canteiros de obra, esses mesmo trabalhadores não têm direito a um tostão sequer dessas enormes somas de lucro, e por vezes nem sequer têm acesso a papel higiênico em seus locais de trabalho.

O presidente da MRV, Rubens Menin, apoiador de Bolsonaro e também de todos os ataques contra a classe trabalhadora, como a privatização dos Correios e a reforma trabalhista, expande seus negócios para a comunicação, sendo dono da CNN Brasil e tendo comprado em maio uma rádio mineira, a Itatiaia. Para expandir seu alcance midiático a burguesia não economiza, mas quando o assunto é atender às demandas dos trabalhadores em greve não há nenhum tipo de acordo.

Fazemos um chamado para que todas as organizações de esquerda e movimentos sociais prestem apoio e solidariedade a essa greve que já dura quase um mês, e que se mostra muito forte em um momento de passividade das centrais sindicais na luta contra os ataques à classe trabalhadora, indo além da demanda pelo PLR e lutando contra a precarização. Essa greve é um grande exemplo de como a classe trabalhadora pode se organizar para enfrentar os ajustes e ataques do governo Bolsonaro e Mourão.




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