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Crise hídrica | Basta de aumento na conta de luz! Bolsonaro, Guedes e Congresso são responsáveis

Na semana passada, Paulo Guedes, ministro da Economia de Bolsonaro, fez uma provocação absurda sobre o aumento nas contas de luz dos brasileiros: “Qual é o problema agora que a energia vai ficar um pouco mais cara porque choveu menos?”. Guedes faz tamanho cinismo da situação da população em meio ao rebaixamento dos níveis dos reservatórios hidrelétricos do país, como se ele, Bolsonaro e o Congresso não fossem responsáveis pelo aumento em 58% nas contas de luz.

segunda-feira 30 de agosto | Edição do dia

Foto: Sistema Cantareira. Gilson de Souza Passos/Veja SP

A bandeira tarifária, uma sobretaxa que é acionada nas contas de luz quando o custo da geração de energia aumenta, deve subir de R$9,49 para um valor entre R$14 e R$15 a partir de setembro nas contas de luz da população brasileira. O martelo vai ser batido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) até amanhã, terça (31). Na prática, será um aumento que pode chegar a 58%, proposta do Ministério da Economia de Paulo Guedes, de cobrança para possivelmente seis meses. A desculpa é de que será um período para recuperar os reservatórios após o início do período úmido, no fim do ano.

Na realidade o que impera é a irracionalidade de um sistema que impõe taxas absurdas de energia num país com enorme potencial energético, inclusive de fontes renováveis, como o Brasil. Os responsáveis por essa situação, para descarregar essa crise nas costas dos trabalhadores e do povo pobre, são Bolsonaro, Guedes e o Congresso, pelo aumento das contas de luz e também por meio de ataques, como a privatização da Eletrobras.

O Sistema Cantareira, que fornece água à capital paulista e às cidades da Grande São Paulo, já está funcionando com apenas 39% de seu reservatório e a estimativa é que, no ano que vem, funcione com apenas 20%. Em maio, o Distrito Federal e regiões do nordeste foram afetados por apagões devido ao desligamento de turbinas da hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, segundo informações da Aneel.

É a maior crise hídrica em 91 anos, que significa a generalização do absurdo que pudemos ver no Amapá, com apagões, desabastecimento e aumento das tarifas de energia em plena pandemia. Enquanto isso, governo, golpistas e a mídia burguesa trabalham juntos pela privatização da Eletrobras, nos atacando para garantir o lucro dos capitalistas. Essa crise não acontece somente pela falta de chuvas, como argumenta Guedes para isentar o governo Bolsonaro, mas também por outro fato que é de sua responsabilidade: o fortalecimento do agronegócio e a devastação do meio ambiente, da Amazônia, do Pantanal, com as grandes queimadas para transformar o país num grande pasto ou numa grande plantação de soja.

E é nesse cenário que o Senado, cuja presidência é de Rodrigo Pacheco (DEM), e a Câmara dos Deputados, cuja presidência é de Arthur Lira (PP), votam a privatização da Eletrobras. Eles colocam nas mãos da sede de lucros dos empresários a maior geradora de energia da América Latina.

É de extrema importância mobilizar o conjunto da classe trabalhadora, unificada com os indígenas que lutam contra o Marco Temporal, em defesa dos nossos recursos naturais, nossas terras e o meio ambiente, porque nossas vidas valem mais que o lucro deles. Para o próximo 7 de Setembro, precisamos exigir que as grandes centrais sindicais, como CUT e CTB, a União Nacional dos Estudantes (UNE), que são dirigidas pelo PT e pelo PCdoB, e as direções dos movimentos sociais a convocar massivamente assembleias em cada local de estudo e trabalho para enfrentar a extrema-direita golpista e o conjunto do regime político que incendeiam nossas florestas e secam nossos reservatórios nas ruas.

Veja também: Unificar indígenas e trabalhadores nas ruas contra o golpismo bolsonarista

Essa exigência é extremamente necessária diante da política do PT, que durante toda a caravana de Lula pelo nordeste, nem abriu a boca sobre o Acampamento Indígena. Fez isso enquanto se reunia com oligarquias regionais donas de terras e inimigas de indígenas, como é no Rio Grande do Norte, único estado em que não há nenhum centímetro de terra demarcada e que tem um importante contingente de população indígena. Lula e o PT nem mesmo mencionaram a forte luta dos indígenas porque seus interesses estão em se reunir com as oligarquias e figuras de direita que são contra os setores oprimidos, como Pastor Sargento Isidório, inimigo das LGBTQIA+ na Bahia. Basta de estratégia eleitoral que custa nosso futuro e abrem ainda mais espaço para a direita e para a extrema-direita.

Por isso, é necessário dizer basta ao aumento das contas de luz, assim como pelo congelamento do preço dos alimentos e do gás a níveis anteriores ao aumento da inflação. Chega de pagar a conta dessa crise capitalista que eles mesmos criaram e que eles querem descarregar nas nossas costas. E é nesse sentido que colocamos a necessidade de uma nova Constituinte imposta pela mobilização, para revogar os ataques e para lutar por uma Eletrobras 100% estatal e que seja controlada por seus trabalhadores, para que a produção e distribuição de energia esteja voltada para atender as necessidades da população, garantindo um serviço barato e de qualidade para os mais pobres e não um sistema voltado para extrair lucro para os acionistas.

7 de setembro: enfrentar Bolsonaro, os ataques e a medida ditatorial de Doria nas ruas

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