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Barragem da maior mina da Vale, responsável pelas tragédias de Brumadinho e Mariana, entra em alerta

Uma das maiores barragens da Vale, criminosa reincidente responsável pelas tragédias de Brumadinho e Mariana, teve as operações paralisadas e entrou em nível 1 de emergência, no mesmo dia de protestos em Brumadinho.

terça-feira 3 de dezembro de 2019| Edição do dia

Nesta segunda, 2, a Barragem Laranjeiras, em São Gonçalo do Rio Abaixo, na Região Central de Minas Gerais, teve as operações paralisadas e entrou em nível 1 de emergência, no mesmo dia de protestos em Brumadinho. A maior estrutura faz parte do complexo da Mina de Brucutu, cujo controle é da empresa Vale, responsável pelo crime ambiental de Brumadinho.

Para se ter noção do peso econômico da região, ela ficou entre os dez maiores PIBs do país por causa da mineração, segundo a prefeitura. As reservas são mais de 650 milhões de toneladas, ficando atrás somente da reserva de mineração de Carajás, no Pará.

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O protocolo de emergência foi elevado para o nível 1, que não requer a retirada de moradores das áreas de risco e nem o toque de sirenes, o que significa estado de prontidão, indicando situação de instabilidade na estrutura da barragem.

A Vale ainda não informou quais são os problemas que que acarretaram em interrupção do lançamento de rejeitos na Barragem Laranjeiras e disse estar fazendo avaliações geotécnicas. Laranjeiras representa 9% da produção nacional da mineradora, e realiza a operação a úmido, que utiliza água no processamento do minério de ferro e gera rejeito que é escoado para barragem.

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A barragem já tinha sido paralisada em fevereiro junto com outras sete, após ação civil pública movida pelo Ministério Público, que corre em segredo de Justiça. A Vale tinha conseguido voltar a operar, mas houve suspensão novamente no dia 6 de maio.


Barragem de Laranjeiras

Novamente em junho, a prefeitura de São Gonçalo do Rio Abaixo alegou ao Superior Tribunal que a paralisação de qualquer estrutura que impossibilite o funcionamento da mina afeta a economia da cidade e a Vale conseguiu o direito de retomar as atividades.

Na nota da prefeitura desta segunda, 2, é informado que a paralisação fará com que a operação caia mais da metade e solicitou à diretoria da Vale um diagnóstico.

O início da paralisação ocorreu concomitantemente aos protestos em Brumadinho, cidade na qual ocorreu o crime ambiental no começo desse ano causado pela Vale.


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Os protestos foram contra o corte do auxílio emergencial que a empresa paga aos moradores da região. Todos os moradores que moram num raio de um quilômetro do local de rompimento da barragem receberam, ao decorrer desse ano, um auxílio por parte da empresa. Entretanto, foi decidido na semana passada, por meio de um acordo entre a Vale, o Ministério Público e a Defensoria Pública, de forma completamente arbitrária e sem a participação da população atingida, que o auxílio se estenderia por mais 10 meses, mas que, em contrapartida, a partir de fevereiro de 2020 parte dos moradores passariam a receber apenas 50% do valor total.

Entre as reivindicações dos moradores em protesto está a continuidade do recebimento de 100% do auxílio emergencial para todos os moradores; a disponibilidade de psicólogos e psiquiatras nas comunidades; a total transparência por parte da prefeitura em relação ao dinheiro investido em Brumadinho e às doações recebidas na época do desastre; e a participação das comunidades atingidas nas reuniões de negociação com a Vale.

Essas articulações da Vale demonstram que os interesses capitalistas e imperialistas sobre os recursos naturais têm por consequência os cortes sucessivos, a falta de segurança, visando o lucro em detrimento da população e do meio ambiente.

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É necessário defender que os moradores da região continuem recebendo o auxílio completo por tempo indeterminado, ou até que a região seja reparada completamente, assim como que a Vale não fique mais uma vez em silêncio e cause mortes com o rompimento de mais uma barragem, sua maior barragem.

A re-estatização da Vale é urgente, sob um modelo de gestão operária e controle popular, pois somente se livrando da ganância desmedida dos capitalistas que controlam o setor estratégico da mineração, e entregando este à classe trabalhadora é que futuras tragédias poderão ser evitadas, e as que já ocorreram, atendidas e reparadas.

Nossas vidas valem mais que o lucro deles!




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