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Bando Trumpista invade Capitólio e abre crise sem precedentes nos EUA

Um forte bando de apoiadores de Donald Trump invadiu o Capitólio, sede do Congresso americano em Washington em meio a sessão que confirmaria vitória do democrata Biden. Congressistas foram evacuados, e tropas foram mobilizadas para retomar o Congresso das mãos do bando de apoiadores de extrema-direita.

quarta-feira 6 de janeiro| Edição do dia

A ação insuflada por Trump por semanas a fio abriu uma crise sem precedentes nos EUA. No exato momento de atualização desta matéria (20:05) grandes contingentes de tropas da Guarda Nacional de outros estados foram mobilizadas à capital americana que foi colocada em toque de recolher, porém o bando de Trump segue nas ruas.

O evento de hoje deixa claríssimo como o trumpismo não será derrotado pelas urnas mas sim nas ruas. O trumpismo seguirá sendo um importante ator político na degradada democracia ianque, e para esmaga-lo será necessária a organização independente dos trabalhadores americanos, inspirando-se nos exemplos da fúria negra do Black Lives Matter.

A invasão trumpista ocorreu enquanto a Câmara e Senado debatiam se acatavam ou não uma objeção aos resultados do Arizona — tradicional reduto republicano vencido por Joe Biden na eleição de novembro. Em meio à invasão houve ferimento a bala de pessoas, há notícias que uma funcionária do Capitólio foi morta na invasão que contou com participação de grupos fascistas como os Proud Boys e Oathkeepers entre outros.

Segundo a imprensa americana, por segurança, senadores e deputados foram colocados em locais seguros dentro do prédio do Capitólio. A emissora NBC diz que o vice-presidente Mike Pence — responsável por presidir a sessão conjunta do Congresso para a contagem dos votos — foi retirado do edifício. Jornalistas também foram retirados do local. Não se sabe se a sessão congressual que deveria ocorrer hoje ocorrerá mais tarde.

As imagens da invasão, com bandeiras americanas e da extrema-direita americana inclui imagens provocativas como a bandeira confederada diante de Abraham Lincoln como mostramos nesta matéria. Há farta evidência de como as polícias locais foram coniventes com a manifestação do bando trumpista, o exato oposto do que demonstram diante do movimento Black Lives Matter e diante de negros que tem sua vida arrancada com balas ou seus joelhos, como aconteceu com George Floyd, como a editora do Esquerda Diário Carolina Cacau desenvolveu em matéria.

No dia de hoje, Trump seguiu insuflando seus apoiadores com o discurso de fraude nas eleições e se recusando a aceitar sua derrota pedindo ao vice-presidente Mike Pence que vetasse os votos do Colegio Eleitoral de alguns estados e refizesse as eleições.

Se o vice-presidente Mike Pence nos for favorável, nós ganharemos a Presidência. Muitos Estados querem corrigir os erros que fizeram certificando números incorretos e até fraudulentos no processo. NÃO aprovados pelas Legislaturas Estatais (o que é necessário). Mike pode rejeitar!

Após a imensa crise aberta, e talvez por ter atingido ao menos um objetivo de marcar terreno e manter-se como ator externo ao poder mas com força e disruptivo, Trump discursou nas redes sociais chamando as eleições de fraudulentas, mas pedindo a sua horda para que retornasse à casa. Veja este comentário político e o discurso completo na seguinte matéria.

Diversas imagens mostram um grande setor do bando de Trump saindo do Capitólio após o discurso, porém seguem nas ruas mesmo com o toque de recolher.

O horror do trumpismo não pode ser separado do sistema capitalista, é uma expressão da sua face mais reacionária que se fortaleceu juntamente com o aprofundamento da crise econômica, política e social dos últimos anos. A expressão eleitoral desta força e continuidade da crise econômica e social nos EUA só reforçam como não será pelo caminho do partido democrata e sua política imperialista que se derrotará a extrema direita.

Isto é evidentemente o oposto do que discursou o presidente eleito Biden, do Partido Democrata, que além de exigir o posicionamento de Trump chamando seus apoiadores a retornarem a suas casas, tentou mostrar como a política é de confiança e reforçar as instituições. Porém, todos os desenvolvimentos das últimas semanas só reforçam como a extrema-direita precisa ser derrotada nas ruas com a organização da classe trabalhadora e da juventude e não através da contenção do mais antigo partido imperialista do mundo, o partido Democrata.

Para ler mais sobre esta lição dos eventos de hoje veja a matéria “"A invasão do Capitólio mostra como o trumpismo não pode ser derrotado nas urnas, mas sim nas ruas”, nela a editora do Esquerda Diário e dirigente do MRT Diana Assunção afirma:“A invasão do Capitólio por apoiadores de Donald Trump é mais uma demonstração de como a extrema direita é uma força social que não pode ser derrotada nas urnas. Mais do que nunca é fundamental organizar a classe trabalhadora e o potente movimento antirracista, que pautou a luta nos EUA em 2020 para derrotar Trump e seus apoiadores reacionários com a força das ruas de maneira independente do imperialista e racista Partido Democrata”

Segue aberta a crise nos EUA e esta matéria poderá ser desenvolvida nas próximas horas.




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