CRISE ECONÔMICA

Bancos privados são obrigados a recontratar funcionários demitidos durante a pandemia

Itaú Unibanco, Bradesco e Santander já demitiram quase 1800 funcionários na pandemia, mesmo após assumirem compromisso público de que não fariam demissões no período, situação que tem levado centenas de trabalhadores a exigir sua readmissão na justiça

terça-feira 27 de outubro| Edição do dia

Os Tribunais de Justiça do Trabalho (TJT) estão concedendo nas últimas semanas uma série de liminares favoráveis aos trabalhadores do setor bancário e financeiro que foram demitidos pelos três grandes privados do país, Itaú Unibanco, Santander e Bradesco.

O Santander demitiu pelo menos 1100 funcionários desde junho, enquanto o Bradesco demitiu 566 trabalhadores somente no mês de outubro, segundo dados da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (CONTRAF-CUT).

Esses bancos assumiram um compromisso público no início da pandemia de COVID-19, afirmando que não demitiriam funcionários durante a crise econômica gerada pela pandemia, compromisso que foi fartamente capitalizado por esses bancos em campanhas de marketing veiculadas no primeiro semestre desse ano.

Tal compromisso vem sendo levado em conta pelos juízes que concederam as liminares favoráveis, como demonstração da patente má-fé das empresas diante dos trabalhadores e da sociedade em geral. Também pesa contra os bancos os imensos lucros declarados recentemente por eles, tornando pífia qualquer afirmação de que as demissões ocorreriam por dificuldades financeiras decorrentes da pandemia.

Desde que os bancos iniciaram as demissões, os trabalhadores têm se manifestados no twitter utilizando hashtags. No último dia 23, os bancários utilizaram a #QuemLucraNãoDemite para mostrar o absurdo que é os bancos colocarem famílias na rua enquanto lucram bilhões.

O Itaú Unibanco teve lucro líquido de R$ 8,1 bilhões no 1º semestre de 2020, uma queda de 41,6% do lucro obtido no mesmo período de 2019 (R$ 13,9 bilhões), enquanto o Bradesco registrou R$ 7,6 bilhões, uma queda de 40%, em relação ao 1º semestre do ano passado (R$ 12,7 bilhões), e o Santander teve R$ 6 bilhões de lucro, ante os R$ 7,1 bilhões no primeiro semestre de 2019, queda de 15,9 %.

Apesar da queda recente, tais lucros são impactantes, muito acima do que outros setores da economia apresentaram durante a pandemia e certamente permitem a manutenção dos funcionários atuais, o que vem sendo usado como argumento pelos sindicatos que buscam a readmissão dos quase 1800 trabalhadores que já foram demitidos durante a pandemia.




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