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ECONOMIA | Audi é a mais nova montadora a paralisar suas atividades no Brasil

A decisão, comunicada oficialmente pela empresa no dia de ontem (12/02), vem no marco de uma série de montadoras ou paralisando suas atividades – como o caso da Honda em Manaus – ou diretamente encerrando sua produção no país, demitido trabalhadores e levando embora remessas de dinheiro e todo maquinário como os casos da Ford e Mercedez.

João SallesEstudante de História da Universidade de São Paulo - USP

sábado 13 de fevereiro | Edição do dia

O grupo Audi, linha de luxo da Volkswagen, produzia uma linha de automóveis no país, dividindo a planta da fábrica com outras linhas de carros populares da VW em São José dos Pinhais-PR. A decisão se dá pela baixa demanda do mercado por automóveis de luxo e, apesar de ainda não se saber o futuro do grupo no Brasil – se voltarão a produção ou irão embora de vez – ainda é incerto o destino dos 40 trabalhadoras extremamente qualificados empregados na linha.

Para entender esse movimento mais ou menos coordenado das montadoras é preciso debater sobre o processo de desindustrialização que está em curso no Brasil, processo esse que não se inicia agora ou a pouco tempo e que durante os anos de governo do próprio PT já estava colocado. Mas por outro lado seria cegueira demais, ou talvez intencional, não ver que esse processo se desenvolveu em velocidade recorde após o golpe institucional de 2016 e que com a eleição de Bolsonaro chega ao seu ápice: O toque principal da economia nacional é o agronegócio que amplia a sua fronteira agrícola com queimadas e devastação das nossas florestas e recursos naturais.

As montadoras que antes gozavam de altíssimos incentivos fiscais por parte do governo federal hoje estão deixando de receber seus subsídios. O caráter da indústria no Brasil, nada nacional para se falar a verdade, coloca um impasse para as montadoras: Arcar com altos custos de aquisição de matéria-prima e produção de veículos para abastecer um mercado com baixa demanda e economia em recessão, alto desemprego e diminuição na renda. Seguindo a lógica pragmática que só enxerga números e não vida e trabalho as empresas simplesmente fecham as portas, demitem todos e se mudam para um lugar onde podem lucrar mais sem problema algum.

Uma reflexão importante a se fazer acerca desse fato é o seguinte: Nesse momento faz sentido produzir automóveis, em especial veículos de luxo?
As próprias empresas já nos dão a resposta, se fizesse ainda estariam aqui produzindo.

Mas então a solução seria deixar as plantas paradas?
Enquanto o país amarga cenas duríssimas de colapso do sistema de saúde em Manaus, valas comuns e mortes por asfixia de internados por falta de oxigênio.

Esses trabalhadores e todo maquinário poderiam estar sendo utilizados para salvar vidas!

Imaginem só sermos capazes de suprir a demanda de equipamentos e insumos para combater a pandemia, isso hoje seria possível se a lógica pela qual operam as empresas não fosse o lucro exorbitante acima das vidas. E é justamente por isso que é necessário defender que sejam os trabalhadores que tomem em suas mãos os rumos do combate a crise sanitária.

Precisamos de um verdadeiro plano de guerra contra a pandemia e podemos contar unicamente com as nossas próprias forças, que as fábricas sejam estatizadas sob controle dos trabalhadores e reconvertidas para produção de respiradores, leitos de UTI e cilindros de oxigênio imediatamente!




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