Política

FORA BOLSONARO, MOURÃO E MILITARES

Atos do 29M mostram nossa força pra lutar, sem conciliação com inimigos como propõe Lula

A força que se demonstrou nas ruas no sábado (29) deve ser massificada, com uma paralisação nacional que unifique os trabalhadores aos estudantes, sem nenhuma confiança em saídas institucionais, como alimenta o PT para eleger Lula em 2022.

segunda-feira 31 de maio| Edição do dia

Dezenas de milhares de jovens e trabalhadores em diversas cidades do país participaram de marchas e protestos contra Bolsonaro e seu governo de extrema direita. Os números do 29M superaram consideravelmente o número de manifestantes nos últimos atos bolsonaristas, mostrando o enorme rechaço ao governo, assim como a Mourão e os militares, responsáveis junto a Bolsonaro pela catástrofe sanitária e econômica.

Em São Paulo, dezenas de milhares de pessoas protestaram na Avenida Paulista, ocupando quarteirões inteiros desde o MASP até a Avenida Consolação. No Rio de Janeiro, em Belo Horizonte, em Porto Alegre, em Brasília, em Recife, e em distintas capitais, as ruas foram tomadas por manifestantes com grande heterogeneidade de reivindicações, coincidindo em combater os ataques do governo. Os blocos de estudantes universitários de todo o país foram impressionantes.

Precisamos de uma mobilização independente, com a convocação de uma paralisação nacional, organizada em cada local de estudo e trabalho, sem confiar nas saídas institucionais que o PT aponta, como a CPI da Covid, alimentando uma ilusão de que é possível desgastar Bolsonaro para fazer o impeachment, mas que tem um interesse por trás de fortalecer a eleição de Lula em 2022, que carregará junto com ele golpistas como José Sarney e FHC, símbolos da velha política.

Os ânimos das massas diante de uma situação calamitosa de mais de 450 mil mortes, fome e desemprego, além de uma agenda de ataques que inclui o STF votar a permissão de demissão coletiva em massa sem passar por acordo coletivo, a Reforma Administrativa, as privatizações e os cortes, devem ser massificados. A linha do “fica em casa” alimentada por todas instituições do regime, supostamente contra o negacionismo de Bolsonaro, começa a demonstrar os seus limites. O “fica em casa” não era uma política de isolamento social racional contra a covid-19, mas uma linha de conter o ânimo das massas e possíveis explosões sociais, para conduzir esse descontentamento à via institucional, transformando trabalhadores e juventude em telespectadores da CPI da Covid e em indivíduos que esperam passivamente as eleições de 2022 para eleger Lula.

Ficou claro que há forças reais e disposição de luta para enfrentar Bolsonaro e que é preciso unificar trabalhadores e estudantes, e não como fizeram as direções sindicais da CUT (PT) e CTB (PCdoB), que não convocaram nem organizaram as bases da classe trabalhadora para atuar juntamente com a juventude. O diretório estadual do PT no RJ (com a declaração do vice-presidente petista, Quaquá) e o diretório estadual do PSOL em Pernambuco chegaram a cancelar suas convocações das manifestações do 29M às vésperas da jornada, sem ter êxito em desativá-las. Mas esses obstáculos não foram capazes de calar a ira dos que foram aos atos contra o governo, apoiados por setores de massas em todo o país.

Veja também: Fora Bolsonaro, mas o general Mourão fica?

Lula iniciou sua campanha eleitoral logo quando foi libertado, depois do avanço autoritário do Judiciário em prendê-lo e proscrevê-lo em 2018, fazendo lives e coletivas com um discurso contra Bolsonaro, mas fazendo questão de escancarar sua política conciliadora que ele e o PT fazem desde os seus governos, se aliando com a mesma direita que foi protagonista do golpe Institucional. Em sua entrevista ao jornalista Reinaldo Azevedo, Lula já colocava que iria até o centrão para buscar apoio à sua candidatura. Sua conciliação conta com quem ataca a juventude e a classe trabalhadora, como o coronel José Sarney, Gilberto Kassab (PSD), Rodrigo Maia. Lula fez reunião com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que foi responsável por iniciar uma forte ofensiva neoliberal durante os anos 90, privatizando a rodo inúmeras empresas estatais do país. Essa reunião ocorreu na casa do ex-ministro do STF, Nelson Jobim. Porém a conciliação com nossos inimigos só pode acumular mais derrotas.

Diante deste cenário, é preciso batalhar por uma política de massificação e continuidade das manifestações do dia 29 buscando que seja organizado através de assembleias de base em todos os locais de trabalho e estudo, com a entrada mais certeira da classe trabalhadora em cena. Temos que nos apoiar nos ventos de luta de classes internacionais, como vemos os massivos atos nos Estados Unidos contra os ataques do assassino Estado de Israel na Faixa de Gaza que contam com o apoio “negociador” de Joe Biden, presidente dos Estados Unidos que contou com voto crítico até mesmo de figuras do PSOL. A nossa luta não tem fronteiras e por isso a bandeira de uma Palestina não somente livre, mas operária e socialista deve ser assumida com toda força. Bolsonaro, Mourão e o regime do golpe, que continua os ataques contra os trabalhadores e a juventude, como os cortes da educação. É preciso barrar esses ataques nas rua, auto-organizados, unificando a juventude e a classe trabalhadora, por Fora Bolsonaro, Mourão e militares. Assim como defender que os trabalhadores e a juventude não lutem somente para mudar os jogadores e sim as regras do jogo, batalhando por uma nova Constituinte, livre e soberana imposta pela luta, para revogar todas as reformas.




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