Gênero e sexualidade

READMISSÃO ANDREIA

Ato fecha a Paulista pela readmissão de trabalhadora da JBS

Aconteceu nesta terça na Av. Paulista em frente à FIESP uma importante manifestação com cerca de 100 pessoas pela readmissão de Andreia Pires, demitida política da JBS-Friboi.

quarta-feira 30 de setembro de 2015| Edição do dia

Aconteceu nesta terça na Av. Paulista em frente à FIESP a manifestação pela readmissão de Andreia Pires, demitida política da JBS. Esse ato é parte de uma grande campanha que vem sendo impulsionada pelo Esquerda Diário, Movimento Revolucionário de Trabalhadores (MRT) e grupo de mulheres Pão e Rosas.

Convocado pelo SINTUSP, CSP Conlutas, Movimento Mulheres em Luta (MML) e Pão e Rosas, além do MRT, o ato contou com cerca de 100 pessoas, entre representantes de categorias como trabalhadores da USP, metroviários, bancários, professores da rede estadual, carteiros, além de estudantes da USP e do CACH (Centro Acadêmico de Ciências Humanas) da Unicamp. Silvia Ferraro representou o MML.

Em meio a palavras de ordem como “a JBS e seu lucro milionário são sujos de sangue operário” foram feitas falas durante a manifestação denunciando o descaso da JBS com os trabalhadores, as demissões injustas, o assédio moral que sofrem cotidianamente, os acidentes de trabalho que causaram desde mutilações até a morte de um trabalhador no início deste ano.

A JBS é a empresa com maior faturamento no país. Lucrou R$ 2,4 bilhões em 2014. Nos últimos quatro anos, deixou 7.822 funcionários doentes ou incapacitados para o serviço, alcançando o asqueroso índice de 5 acidentes por dia. Em meio ano mutilou ao menos três funcionários e teve um acidente fatal.

Essa "moedora de carne humana" é a maior patrocinadora das campanhas eleitorais de PT e do PSDB: a empresa doou R$5 milhões para Dilma e Aécio, simplesmente a metade do total arrecadado pelas campanhas petista e tucana nas eleições de 2014, R$ 10,1 milhões e R$ 11 milhões, respectivamente. Tanto o petismo como o tucanato (que tanta ladainha disseram sobre "a defesa dos direitos" nas eleições) enchem os bolsos com sangue dos trabalhadores.

Em janeiro deste ano, os trabalhadores da unidade JBS-Seara (Osasco-SP) organizaram um movimento de questionamento sobre a cobrança das refeições, antes não descontadas. Andreia ajudou a organizar um abaixo assinado que obteve muita repercussão no seu local de trabalho. Mesmo como membro da CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) e dentro do seu período de estabilidade, a empresa demitiu Andreia.

Além de ilegal, demitindo um membro da CIPA, a empresa evidencia seu descaso com a segurança do trabalho, algo que a companheira conhece de perto a partir de sua função de limpeza do maquinário da JBS.

Neste ato Andreia Pires declarou “estou aqui como ex-operária da JBS denunciando as péssimas condições de trabalho que a indústria de alimentos impõe aos trabalhadores do país inteiro. Mesmo com lucros milionários, a JBS é acusada de servir carne com larvas para seus funcionários. É uma vergonha que uma empresa que doa milhões para os partidos nas eleições trate os trabalhadores com esse descaso.”

Diana Assunção, diretora do Sintusp, declarou que “esta é uma medida, parte de uma campanha que precisamos fazer chegar nos locais de trabalho para que nenhuma operária a mais, como Andreia, lute sozinha. É preciso dar um basta no trabalho precário, pois atinge em primeiro lugar as mulheres trabalhadoras.”

Este exemplo, pequeno mas importante, mostra a importância dos trabalhadores, que sofrem as mazelas nas fábricas e são demitidos pela patronal que alega "crise orçamentária", se unificarem para barrar as demissões. Acreditamos que a campanha contra as demissões e pela readmissão de todos os demitidos pode se disseminar por toda a indústria, cujos trabalhadores recebem constantes ataques, como nas montadoras do ABC paulista ou em diversas fábricas do país, para defendermos em comum que não haja nenhuma demissão, a exigência da abertura do livro de contabilidade de cada empresa que alegue crise para que prove para onde foram seus lucros, e um programa de redução do tempo de trabalho sem redução salarial.

Esta seria uma campanha com uma formidável capacidade de organizar os trabalhadores, contra a FIESP e as federações patronais de todo o país, aliadas ao PT, PSDB e PMDB pelos ajustes, e contra a burocracia sindical da CUT, CTB, Força Sindical e demais, verdadeira polícia política dos industriais dentro do movimento dos trabalhadores, que passam o PPE e negociam as demissões nos locais de trabalho.

A Folha de S. Paulo noticiou o evento. Acompanhe toda a campanha pela readmissão de Andreia Pires através do Esquerda Diário:

http://www.esquerdadiario.com.br/Luciana-Genro-pela-readmissao-de-Andreia-Pires

http://www.esquerdadiario.com.br/Entrevista-com-trabalhadora-demitida-da-JBS

http://www.esquerdadiario.com.br/Panfletagens-contra-o-trabalho-precario-na-JBS-e-em-defesa-de-Andreia

http://esquerdadiario.org/Campanha-contra-as-precarias-condicoes-de-trabalho-da-JBS-e-a-demissao-de-Andreia-Pires-readmissao




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