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Denúncia | Atendentes da Teleperformance têm adoecimento mental e empresa nega seus direitos

Após a denúncia da demissão de 100 operadores de telemarketing da Teleperformance em Parnamirim, no RN, recebemos relatos sobre o adoecimento por metas e a sobrecarga para os trabalhadores que se mantêm na empresa. Outras denúncias também foram enviadas ao Esquerda Diário sobre o descaso da empresa com a saúde mental dos trabalhadores, que nega a sua responsabilidade, se nega a reconhecer direitos, demite e inclusive frauda o INSS.

sábado 14 de agosto | Edição do dia

Foto: O Portal N10

Publicamos aqui as denúncias de operadores relatadas ao Esquerda Diário, em anônimo, que desenvolveram ansiedade, depressão, entre outras síndromes, e são negligenciados pela empresa de call center. Confira os relatos:

“Eu estou com um problema quase parecido, eu tô com ansiedade generalizada e síndrome de burnout, fui diagnosticado pela minha psicóloga e psiquiatra, e adquiri na empresa, porém eles alegam que é algo intrapsíquico. Eu consegui me afastar a primeira vez [mas depois] eu perdi o prazo de prorrogação. Então eu comuniquei a Teleperformance e eles, desculpe a expressão, cagaram e andaram pra o que eu falei no e-mail, disseram que iam marcar um exame de retorno. Expliquei tudo ao médico do trabalho, já tentei me suicidar 3 vezes e ele simplesmente, ao final, disse que eu estava apto. Eu fiquei desesperado, segurei o choro, a raiva, a revolta. Passei 5 dias, o máximo que aguentei, falei com a supervisora que não estava aguentando e fui ao meu psiquiatra que me afastou por mais 30 dias. Dei entrada no INSS a perícia...
...com o mesmo perito, coincidência, e eu relatei tudo a ele, a falta de resposta de emails da empresa, perguntas ignoradas, coordenadora que não respondeu até hoje um questionamento meu. Aí no dia 20.07 deu como indeferido, mesmo eu apresentando meu laudo de tratamento com o psiquiatra, a mudança de medicação, a dosagem aumentou e troquei de fluoxetina pra Pondera, mas msm assim ele colocou no parecer que eu não tinha incapacidade laborativa, informei a empresa e eles falaram q eu podia aguardar, mas eu fiquei com medo de dar como abandono de trabalho e me vi obrigado a voltar, mesmo estando doente ainda. Eu estou desde junho sem receber salário e pra ganhar algo em setembro, me vi nessa obrigação de voltar.

Assim como a colega no primeiro laudo e no segundo o médico colocou inverdades, no primeiro que não faço movimentos repetitivos, sendo que eu atendo 5 clientes ao mesmo tempo, atendimento via WhatsApp e na Black Friday fomos OBRIGADOS a atender 7 clientes e não ganhamos 1 real a mais por isso. Nosso salário é o mínimo e as horas extras que fazemos, só recebemos 90 dias após.

Eu recorri ao INSS em 1ª instância, está em análise desde o dia 21 de julho, mas acredito que a TP vai interferir e eu não vou conseguir me afastar e ficar recebendo pelo INSS. Enquanto isso, msm com os remédios, minhas crises continuam acentuadas e os pensamentos suicidas constantes.”

A segunda denúncia relatada é da angústia de uma operadora que sofre com o erro do INSS e está sendo penalizada sem o pagamento pelos dias não trabalhados. Confira:

“Estou afastada pelo INSS... consegui esse afastamento porque faço tratamento de ansiedade e depressão. Fiz a perícia e o INSS aprovou. O problema foi que eles mandaram um documento com data de afastamento errada... Estou com uma falta de 15 dias de salário. Nem eles pagaram, nem o inss pagou. Só que não foi culpa do inss que pagou da data correta pelo que eles mandaram.

Agora tem dias que mando e-mail pedindo o documento correto e ninguém responde... Tenho que abrir um processo de revisão. .. que segundo a Atendente do inss tá demorando 45 dias a resposta. Eu com meus filhos e uma bebê de 6 meses.”

A próxima denúncia relata como a empresa atua para impedir que os operadores tenham direito ao afastamento, assim como desconto no FGTS que não é repassado para o trabalhador. Confira:

“Após sofrer assédio moral pelos supervisores e coordenador e ter uma sobrecarga muito grande de trabalho e o terror psicológico que eles fazem os funcionários passar comecei até a ter crises de ansiedade, crises que me davam falta de ar e tinha momentos que achei que ia morrer dentro da empresa. Procurei um psiquiatra no qual me afastou da empresa e me diagnosticou com ANSIEDADE GENERALIZADA no qual hoje tomo 4 comprimidos por dia. Quando entrei em contato por e-mail com o setor responsável pelo afastamento eles mandaram um documento para o perito do INSS não reconhecer o problema devido ao trabalho

Além disso, eles não cumprem com as obrigações. Eles descontam o FGTS mas não depositam faz 4 meses que eles não depositam o meu”

Leia mais: Teleperformance demite 100 trabalhadores sem aviso prévio em Parnamirim, no RN

São relatos chocantes e revoltantes que expressam o absurdo que é a situação do trabalho nas empresas de telemarketing, que negligenciam as condições de saúde dos operadores e impõe uma série de dificuldades para impedir que tenham acesso a direitos mínimos. Foi para isso que a reforma trabalhista foi aprovada ainda no governo Temer, e agora por Bolsonaro e Mourão em conjunto ao congresso e STF, como a MP 1045, aprovado pela câmara dos deputados, faltando somente a aprovação do senado, que permite o aumento da contratação de trabalhadores em postos precários, permitindo às empresas contratar até 40% de trabalhadores sem direitos. Os ataques vêm para multiplicar casos como esses relatados ao Esquerda Diário e aumentar o bolso dos empresários que estão lucrando valores gigantes em meio a crise e a pandemia.

Com o desemprego galopante, chegando a 31% entre os jovens de 18 a 24 anos, segundo os últimos dados do IBGE, os capitalistas jogam a crise que eles criaram nas costas dos trabalhadores para acelerar a precarização, aumentar a competitividade e a pressão aos empregados, que tem consequências devastadoras sobre a saúde mental e física. Precisamos dar um basta e fazer com que sejam os capitalistas que paguem pela crise.

Existem hoje 383 mil trabalhadores somente da Teleperformance em 83 países: o que aconteceria em uma greve internacional dos operadores de telemarketing? Os mais de 700 trabalhadores da MRV em Campinas (SP) que estão em greve há um mês por melhores condições de trabalho e pelo direito à Participação de Lucro e Resultados (PLR) mostram o caminho para o conjunto dos trabalhadores. Por que a CUT e a CTB, maiores centrais sindicais do país, dirigidas pelo PT e PCdoB, assim como a UNE, não convocam uma greve geral para unificar todas as lutas que estão dispersas pelo país para enfrentar todos os ataques de Bolsonaro e Mourão, do congresso, do STF e dos patrões? Somente confiando nas forças mobilizadas da nossa classe, com as mulheres, negros e LGBTs, para derrotar todos os ataques e a vida de miséria que os capitalistas querem impor. Nós do Esquerda Diário nos colocamos ombro a ombro aos operadores de telemarketing para dar essa batalha contra os patrões e dar uma saída anticapitalista.

Se você foi demitido ou sofre com as metas e condições de trabalho, envie sua denúncia e seu depoimento: (84) 98730-0453

Acompanhe a Comunidade do Esquerda Diário para colocar a luta de classes na sua mão.




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