Educação

114 DIAS DA GREVE DAS EDUCADORAS MUNICIPAIS DE SÃO PAULO

Assembleia democrática e unificada: por uma comissão eleita pela base para nos representar!

Nós, trabalhadoras e trabalhadores da educação, temos todas as condições de construir uma contraproposta ao governo que contemple as preocupações da base de nossa categoria, através de uma resposta que seja construída democraticamente numa assembleia geral e unificada, com direito a voz e voto ao conjunto das e dos educadores, que reúna a base das 5 entidades que compõem o Fórum. Defendemos também que qualquer resposta deliberada de forma democrática pela categoria precisa ser apresentada não só pelas entidades, mas também pela base, através de uma comissão de ao menos 1 delegado eleito de cada região nesta assembleia.

quinta-feira 3 de junho| Edição do dia

Na última-segunda-feira, 31/05, quando se completaram 111 dias de nossa greve em defesa da vida da comunidade escolar, aconteceu uma reunião de negociação onde estiveram presentes o presidente da Câmara Milton Leite (DEM), o Secretário da Educação Fernando Padula (PSDB) e o Fórum das Entidades Sindicais. Na ocasião, o governo “recuou” na intransigência com que lidou até aqui com a nossa legítima luta, que insistia em não reconhecer, chegando ao cúmulo de atacar nosso direito de greve cortando os salários de milhares de trabalhadoras e trabalhadores. Ricardo Nunes (MDB)/Bruno Covas (PSDB) e João Doria (PSDB) são responsáveis pelas quase 300 mortes de trabalhadores da educação, trabalhadoras terceirizadas das escolas e estudantes de nossa rede, que morreram de COVID por terem se contaminado no chão das escolas reabertas de maneira premeditada em nome do lucro dos patrões. Isso com o apoio de movimentos como o “Escolas abertas” encampados por setores da burguesia que são base do BolsoDoria e estão do lado do regime golpista que elegeu Bolsonaro e Mourão, e conta com os governadores, com o Congresso, com a Justiça e com os Militares para tentar nos fazer pagar pela crise.

Padula ofereceu a devolução imediata de 50% dos salários cortados e mais 50% mediante reposição dos dias; além de abrir diálogo sobre uma série de exigências da nossa categoria em relação à segurança sanitária de nossas escolas e condições para que os estudantes de nossa rede tenham acesso ao ensino remoto, pois sabemos que o direito à educação foi bastante prejudicado na pandemia graças a irresponsabilidade dos governos que não tinham um plano racional para escola pública que levasse em consideração seu papel social para as comunidades. Leia na íntegra a pauta de negociação aqui.

No entanto, não podemos perder de vista que o “recuo” de governo é uma conquista da mobilização da nossa categoria, que há quase 120 dias de greve vem mostrando sua disposição de luta resistindo a um dos grandes ataques nacionais contra os trabalhadores da educação: o retorno inseguro das aulas. Uma força que de 2017 a 2019 se enfrentou contra a Reforma da Previdência municipal, o SAMPAPREV, dando exemplo de combate contra esse ataque a aposentadoria, que mais tarde Bolsonaro aprovaria contra todo o povo trabalhador, escancarando as intenções do golpe institucional; que agora busca aprovar a Reforma Administrativa que vai atingir os professores e todo o funcionalismo de quem Bolsonaro, Dória e Nunes e o conjunto dos governos e agentes do regime, são inimigos.

Mas a força da nossa categoria encontrou um importante entrave, além do governo municipal: as direções burocráticas das nossas entidades sindicais que hoje se organizam no Fórum das Entidades e em especial Claudio Fonseca, do SINPEEM - o maior sindicato da categoria, que até hoje em quase 4 meses de greve não organizou uma única assembleia onde a categoria pudesse decidir os rumos da luta. Que "confunde" assembleia, um organismo de decisão dos trabalhadores, com lives onde descarrega seus monólogos e impõe suas decisões sobre as nossas vidas, como fez em abril, como denunciamos no Esquerda Diário. Além de ter deslegitimado os comandos regionais de greve, boicotado cada alternativa de auto-organização e negado qualquer acesso à estrutura do sindicato aos trabalhadores; e apesar da arrecadação milionária do SINPEEM com uma base de mais de 60 mil filiados, organizou tardiamente e com muito custo um fundo de greve ao qual a maioria dos grevistas não estão tendo acesso. Claudio Fonseca e a diretoria do sindicato rebuscaram os métodos burocráticos com que fecharam o sindicato para a categoria em 2020 e sua história de burocratismo que já passa dos 30 anos. Ano passado em meio a pandemia, deixaram de realizar reuniões de RE e Conselho, cortando o diálogo com a base, mas realizaram eleições virtuais onde menos de 90% da categoria votou e ainda assim tomaram posse, sendo assim parte de uma direção ilegítima que precisa ser varrida do sindicato que é das lutadoras e lutadores da nossa categoria.

No entanto, é preciso dizer que no Fórum estão também entidades dirigidas pelo PT e PCdoB, filiadas à CUT e a CTB, como o Sindsep e o Sedin, que apesar de se apresentarem às suas bases com um verniz mais democrático que o SINPEEM, não atuaram para tirar nossa greve do isolamento e unificá-la às outras greves que essas Centrais dirigiam ao mesmo tempo em outros estados, como em Florianópolis (SC) onde a direção da greve dos educadores que durou 67 dias foi o SINTRASEM, filiado à CUT.

Nenhuma dessas entidades levou a exigência que fazíamos desde a base, para que a CNTE, também dirigida pelo PT e pela CUT, organizasse uma campanha nacional contra o retorno inseguro das aulas e coordenasse as mobilizações que estão se dando em todo país; além de sequer terem denunciado o ataque contra o direito de greve com o corte dos salário promovido por Covas e Nunes aqui, e tão pouco se apoiaram em seu caráter nacional para organizar um fundo de greve nacional para que os quase 80 mil trabalhadores da educação municipal tivessem condição de seguir lutando apesar de termos levado inúmeras vezes essas exigências ao conjunto das entidades. Não o fizeram, porque nos lugares onde são governo, como em Araraquara com Edinho do PT, também cortaram os salários dos trabalhadores da educação que entraram em greve se negando a retornar às escolas sem segurança sanitária e sem vacina.

Leia também: SINPEEM: ninguém vai calar nossa voz! Assembleia Geral Democrática e Fundo de Greve Já!

À luz de toda essa situação e de há quase quatro meses exigindo uma assembleia, onde o conjunto da categoria possa decidir sobre os rumos de nossa luta, é absurdo que o Fórum novamente se reúna entre as cúpulas sem ouvir a categoria através de uma ASSEMBLEIA GERAL UNIFICADA, com direito à voz e voto que reúna os trabalhadores filiados (e não filiados) ao conjunto das entidades. Para que toda a categoria decida o rumo da greve é preciso unir nessa assembleia a vanguarda e a base que as direções burocráticas separaram. Mas ao contrário disso, novamente se preparam para decidir por nós em reunião desse organismo burocrático marcada para sexta-feira, sem qualquer apego aos métodos democráticos com que nos organizamos nos comandos regionais de greve, apesar dessas direções. Não aceitamos que se sentem à mesa de negociação segunda-feira sem que nós construamos pela base a contraproposta ao governo. Ninguém vai calar a nossa voz!

Nós, trabalhadoras e trabalhadores da educação, temos todas as condições de construir uma contraproposta que contemple as preocupações da base de nossa categoria, através de uma resposta que seja construída democraticamente numa assembleia geral e unificada, com direito a voz e voto ao conjunto das e dos educadores, que reúna a base das 5 entidades que compõem o Fórum - toda a estrutura desses sindicatos podem garantir a realização desta assembleia! Isso é muito diferente da assembleia geral virtual, restrita aos filiados que foi convocada hoje pelo SINPEEM e que será realizada amanhã, às 18h - sem nenhuma garantia de que poderemos falar, e que não responde à preocupação de unidade da base. É absurdo que se apoiam numa unidade de cúpula, através do Fórum, mas sigam nos separando entre os trabalhadores filiados às distintas entidades numa greve que é unificada.

Nesse sentido, nós do Movimento Nossa Classe Educação, defendemos também que qualquer resposta deliberada de forma democrática pela categoria para expressar nossa auto-organização precisa ser apresentada não só pelas entidades, mas também pela base, através de uma comissão de ao menos 1 delegado eleito de cada região nesta assembleia. Afinal é o coletivo da categoria, representado por essas e esses trabalhadores da base que realmente estarão na linha de frente do retorno às aulas, diferentemente das burocracias que, à exemplo de Claudio Fonseca, sequer se lembram do que é o chão da escola pois há muito não trabalham.

Buscando nos auto-organizar com muita resistência e das formas mais criativas possíveis, barrando os ataques dos governos, como de Doria e Covas, contornando a manipulação da opinião pública e em unidade com a população que atendemos nas escolas públicas de nossa rede, construímos uma história de resistência entre os trabalhadores da educação em nosso município; aliás, somos uma categoria majoritariamente composta por mulheres aguerridas, várias de nós mulheres negras, mães, arrimos de famílias, educadoras brilhantes, que são sujeito de sua própria vida e luta.

Nossas vozes e a história da nossa categoria, nos dão todas as condições de decidirmos os rumos de nossa greve, não aceitamos que o Fórum e Claudio Fonseca sigam decidindo por nós! Confiemos em nossas próprias força para varrer de nossas entidades as direções, como a do SINPEEM que nessa greve escancarou o abismo entre seus privilégios e a realidade de nossa categoria que foi abandonada por mais de 2 meses sem fundo de greve para lutar; e façamos isso apoiadas na força que se colocou nas ruas neste dia 29 contra Bolsonaro, para a construção de respostas independentes de nossa classe que derrote Padula (PSDB), Nunes (MDB) e todos os governos que querem impor sem nenhuma segurança o retorno às aulas; mas também Bolsonaro, Mourão e o conjunto dos atores desse regime golpista que condenou não só a nossa categoria, mas toda nossa classe à pagar pela crise que eles mesmo criaram e são responsáveis pelas mais de 460 mil mortes da população de nosso país!

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