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Debate com a Oposição de Esquerda da UNE | Assembleia Estadual dos Estudantes de SP: uma oportunidade perdida para se contrapor a direção burocrática da UNE

Neste sábado (22), ocorreu a Assembleia Estadual dos Estudantes de SP convocada pelas entidades Gremio Livre Estudantil da IFSP, CALC, Ares - ABC, Fenet, DCE Livre Unicsul, DCE da UNIFESP e da UFABC, a maioria destas dirigidas pelo movimento Correnteza, mas também pela UJC/MUP e pelos Juntos. Essa atividade reuniu cerca de 200 estudantes, e outras entidades, em sua maioria compostas por grupos que constroem a Oposição de Esquerda da UNE. O que levantou um importante debate: qual o papel da Oposição de Esquerda diante do 29M?

domingo 23 de maio | Edição do dia

Como já expressamos em uma série de notas e artigos, nós da Faísca e do Esquerda Diário temos batalhado em diversas universidades pelo país para que o dia nacional de luta chamado pela UNE para 29/05, seja construído desde a base com assembleias com voz e voto em cada universidade para que possamos combater os cortes na educação de Bolsonaro e o conjunto dos setores desse regime político que nos atacam, unificando a luta entre trabalhadores e estudantes e nos apoiando na recente luta dos metroviários de São Paulo que deram um importante exemplo de organização contra os ataques de Doria.

Foi essa batalha que demos também na Assembleia Estadual dos Estudantes de SP convocada pelas entidades Grêmio Livre Estudantil da IFSP, CALC, Ares - ABC, Fenet, DCE Livre Unicsul, DCE da UNIFESP e da UFABC, a maioria destas dirigidas pelo movimento Correnteza, mas também pela UJC/MUP e o Juntos. Uma atividade que reuniu cerca de 200 estudantes, e outras entidades, em sua maioria compostas por grupos que constroem a Oposição de Esquerda da UNE.

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Na Assembleia, Virgínia Guitzel, estudante da UFABC e militante da Faísca Anticapitalista e Revolucionária fez uma intervenção partindo de como a CPI da Covid tem se demonstrado cada vez mais como um teatro, não para salvar vidas, mas para salvar este regime político do golpe e de como a situação absurda de cortes na educação do governo Bolsonaro, tem levado a uma importante disposição dos estudantes em todo país, que mostra a força para enfrentar o governo.

Como muitos estudantes haviam dito que não podemos esperar 2022, Virginia comentou que também era importante não depositar ilusões de que uma saída puramente institucional como o impeachment, que na prática coloca Mourão na presidência, e que fez com que setores da própria Oposição de Esquerda como PSTU e PSOL tenham sentado com gente como Joyce Hallseman do PSL, invés de batalhar por construir uma unidade da juventude com a classe trabalhadora em exigência as direções da UNE e da centrais sindicais, como a CUT e CTB.

Agora, estas mesmas direções do movimento estudantil e de trabalhadores, querem repetir a tragédia da aprovação da Reforma da Previdência com um chamado separado de um dia nacional de luta dos trabalhadores do 29M, como se os nossos inimigos não fossem os mesmos. A fala da estudante da UFABC e militante da Faísca terminou fazendo um chamado a Oposição de Esquerda, combatendo os problemas de que o movimento estudantil passe a defender o impeachment como resposta para a situação política no país e debatendo a lógica burocratica de como o DCE da Unifesp construíu uma live sem direito a voz e voto dos estudantes e na UFABC tenha votado junto a UJS contra a exigência a UNE de organizar em todo país assembleias democráticas com direito dos estudantes decidirem os rumos da sua luta.

Qual o papel da Oposição de Esquerda rumo ao 29M?

A assembleia contou com 30 intervenções, em sua maioria de estudantes das organizações que compõem a Oposição de Esquerda, mas o que poderia ter sido uma iniciativa de organização para participarem no 29M, na prática não serviu como um instrumento para fortalecer um polo anti-burocrático que pudesse exigir da direção majoritária da UNE que organize nossa luta desde a base nacionalmente.

Toda a energia e as falas que ali expressaram o repúdio a Bolsonaro, combatendo os cortes à educação, em rechaço ao aumento da pobreza e da precarização da vida da juventude, não esteve a serviço de fortalecer o combate cotidiano à direção majoritária da UNE que mantém milhares de estudantes reféns da sua política de desorganizar a nossa luta, não garantindo democracia desde a base, isolando cada universidade e também separando a luta dos trabalhadores da juventude, tudo para apostar em 2022.

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O combate a direção da UNE não pode ficar restrito aos Congressos que acontecem há cada 2 anos e agora nem sequer tem previsão de quanto irá acontecer, porque a direção burocrática da UJS, PT e Levante Popular da Juventude não se pronunciam sobre esse tema. Essa é uma tarefa fundamental para desenvolver em cada universidade e escola ferramentas de auto-organização que permitam os estudantes a serem protagonistas da sua luta e que possam fazer o movimento estudantil surgir através da luta de classes e em aliança com a classe trabalhadora, um sujeito nacional que questione não somente Bolsonaro, mas Mourão e todo o regime do golpe com figuras como Dória que tentou atacar os metroviários de São Paulo na semana passada.

É por isso que nós da Faísca batalhamos para que a assembleia encaminhasse uma carta pública de chamado a CUT e a UNE a que unifiquem a luta no dia 29, em um dia nacional de mobilização, que seja construído por assembleias de base, verdadeiramente democráticas. Indo na contramão do papel que a Oposição de Esquerda deveria cumprir, a Correnteza impulsionada pela Unidade Popular pelo Socialismo se colocou contra essa proposta e nenhum setor que compunham a Plenária defenderam a importância de desmascarar este papel divisionista da direção majoritária da UNE.

Como uma tentativa de contrapor a batalha pela unidade entre estudantes e trabalhadores, a Correnteza propôs a realização de um manifesto de chamado ao dia 29, o que nós da Faísca buscamos intervir dizendo que não se tratava de abrir mão do dia 29, mas justamente de que neste dia Nacional de Luta era fundamental expressar um setor antiburocratico com essa perspectiva de unidade.

Após esta batalha que travamos, foi definido que dentro do Manifesto Estadual de Construção do dia 29, este conteúdo de chamado a um dia Nacional de Lutas unificado seria incluído.

Para nós da Faísca essa Assembleia Estadual dos Estudantes foi uma oportunidade perdida para a Oposição de Esquerda ter se organizado como um polo antiburocrático e poder aproveitar o 29M como uma forma de demonstrar para milhares de estudantes que demonstram disposição de ir às ruas de que é necessário superar a política burocrática e divisionista da UNE que só pode nos levar a aceitar as regras deste regime político golpista que quer acabar a educação, a saúde e todos os direitos da classe trabalhadora.

É por essa perspectiva que nós da Faísca Anticapitalista e Revolucionária estamos batalhando em cada universidade para que mais estudantes tirem a conclusão de que é necessário uma outra lógica de atuação no movimento estudantil, que coloque no centro a preocupação de desenvolver a nossa auto organização, podendo decidir cada passo da nossa luta, em aliança com a classe trabalhadora, para podermos oferecer uma saída de fundo para a crise política, econômica e sanitária. O que para nós da Faísca passa por questionar Bolsonaro, Mourão e o regime do golpe com a defesa de uma Nova Constituinte Livre e Soberana que abra espaço para que os revolucionários possam batalhar por um governo de trabalhadores em ruptura com o sistema capitalista.

É por estas ideias, que hoje, às 16 horas, estamos convocando uma Plenária Aberta da Faísca para debater com quem concorda com essa necessidade urgente de democratizar o movimento e de construir essa unidade com os trabalhadores em enfrentamento com as direções que hoje controlam nossas entidades.

Contra Bolsonaro, Mourão e o conjunto dos golpistas, pra que sejam os capitalistas que paguem pela crise. Chamamos a todos para debater essas ideias com a gente!

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