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Assédio Sexual | Assediador de mulheres Pedro Guimarães pede demissão da presidência da Caixa Econômica

O presidente da Caixa Econômica Pedro Guimarães pediu demissão na tarde de hoje, em meio a um escândalo de assédio sexual denunciado por funcionárias da instituição.

quarta-feira 29 de junho | Edição do dia

O presidente da Caixa Econômica Pedro Guimarães pediu demissão na tarde de hoje, em meio a um escândalo de assédio sexual denunciado por funcionárias da instituição. As denúncias de assédio já corriam na instituição desde 2019, segundo relatos de três ex integrantes dos conselhos de Administração e Fiscal da Caixa. Ao blog da Ana Flor, no G1, ex dirigentes da Caixa relataram que o alto Comando da Caixa sabia e agiu para encobertar, oferecendo transferências ou outros cargos em instituições públicas para que as denúncias não fosse levadas adiante, e até promovendo aqueles que agiram para acobertar o assediador.

Segundo a denúncia de uma funcionária que foi assediada por Guimarães, o então presidente da Caixa se aproveitava de viagens de negócios e situações profissionais para realizar o assédio:

"Eu considero um assédio. Foi em mais de uma ocasião. Ele tem por hábito chamar grupo de empregados para jantar com ele. Ele paga vinho para esses empregados. Não me senti confortável, mas, ao mesmo tempo, não me senti na condição de me negar a aceitar uma taça de vinho. E depois disso ele pediu que eu levasse até o quarto dele à noite um carregador de celular e ele estava com as vestes inadequadas, estava vestido de uma maneira muito informal de cueca samba canção. Quando cheguei pra entregar, ele deu um passo para trás me convidando para entrar no quarto. Eu me senti muito invadida, muito desrespeitada como mulher e como alguém que estava ali para fazer um trabalho. Já tinha falado que não era apropriado me chamar para ir ao quarto dele tão tarde e ainda me receber daquela forma. Me senti humilhada".

Outra denunciante relatou que Guimarães insistia em abraçar as funcionárias, em que em uma destas situações, ele tocou em suas partes íntimas, apesar dela tentar distância do executivo:

"Comigo foi em viagem, nessas abordagens que ele faz pedindo, perguntando se confia, se é legal. Abraços mais fortes, me abraça direito e nesses abraços o braço escapava e tocava no seio, nas partes íntimas atrás, era dessa forma".

Após as denúncias, uma manifestação ocorreu na sede da Caixa exigindo a demissão de Pedro Guimarães. Algumas horas depois, Guimarães pediu demissão com uma carta na qual nega as acusações.

A Caixa é um dos maiores bancos estatais do país, responsável pelo pagamento dos principais direitos e benefícios trabalhista, por lá passa desde o seguro desemprego ao FGTS, passando pelo auxílio emergencial, programas de casa própria, bolsa família (auxílio Brasil), etc. Que em todos estes anos ela tenha sido usada como moeda de troca para assediar mulheres só mostra o quão podre é moral bolsonarista, deixando um crápula assediador como Pedro Guimarães em seu comando durante todo o governo.

A luta das mulheres e dos trabalhadores da Caixa pode ir muito além de impor a demissão de Pedro Guimarães. É preciso lutar para reparar cada mulher vítima de assédio sexual, começando por impor em cada trabalho comissões de combate ao assédio sexual e moral sob controle das mulheres e dos trabalhadores, já que se depender dos executivos, as denúncias nunca vão para frente, e só são investigadas quando saem na mídia, por fora dos canais internos de denúncia. Também é preciso lutar contra a ideologia patriarcal propagada pelo bolsonarismo, que faz milhares de mulheres vítimas todos os dias da violência machista, da privação do direito ao seu próprio corpo, da desigualdade salarial entre mulheres e homens, questões relacionadas com o machismo estrutural que é perpetuado para melhor explorar a força de trabalho que é já é de maioria feminina.




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