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Crise no Haiti | Assassinato de Moïse no Haiti: militares brasileiros também são responsavéis pela crise política

Jovenel Moïse, presidente reacionário do Haiti, foi assassinado ontem à noite, expressando o avanço da crise política, sanitária e econômica que assola o país. As Forças Armadas brasileiras coordenaram a MINUSTAH à mando do governo petista de Lula - uma operação racista para conter a revolta operária e popular. À luz dos acontecimentos de hoje, demonstra-se a cumplicidade direta dos militares brasileiros na atual situação de calamidade do país.

Caio Rosa Estudante de Relações Internacionais na UnB

quinta-feira 8 de julho | Edição do dia

O presidente ultra reacionário do Haiti, Jovenel Moïse, foi assassinado na noite de ontem. Isso é expressão da crise política que o país enfrenta na qual, só nos últimos quatro anos, o país teve sete primeiros-ministros. A isso, se soma condições crônicas de emergência humanitária, alimentar e de saúde - sendo o Haiti o único país do hemisfério ocidental sem nenhuma vacina, fora a subnotificação generalizada e a falta de dados confiáveis do número de mortos e vacinados.

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Toda essa situação é fruto de uma imposição histórica de pobreza e miséria por parte dos imperialistas - mas que teve também a responsabilidade direta das Forças Armadas brasileiras a mando do governo petista de Lula, sendo hoje inúmeros de seus comandantes membros fiéis do governo Bolsonaro.

A Minustah, ou Missão das Nações Unidas para a estabilização no Haiti, foi formada por países como França e Chile, e coordenada pelas Forças Armadas brasileiras. Sua duração foi de 2004 a 2017. Seu intuito: esmagar a resistência operária e popular haitiana contra o governo de Jean-Bertrand Aristide, o que assustava o imperialismo estadunidense e francês, principalmente. O governo Lula, eleito em 2002, foi fundamental para alçar as Forças Armadas brasileiras nessa empreitada racista e assassina, lambendo as botas do imperialismo.

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Ao longo de quase 15 anos de ocupação militar, foram inúmeras as atrocidades cometidas pelas Forças Armadas brasileiras, que se comportava como uma verdadeira linha auxiliar do imperialismo. São diversas denúncias de estupro e violência sexual; os militares obrigavam as mulheres a serem escravas sexuais em troca de comida, desrespeitavam aos mais elementares direitos civis com invasão permanente das residências; o desvio e ocultamento de alimentos; assassinatos; proibição de atos, repressão a manifestações políticas e prisão de líderes populares e sindicais, bem como o surto de cólera trazida que se seguiu aos estragos do furacão Matthew.

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O país que já era o mais pobre do continente viu a reação à revolta operária e popular se acentuar. Isso se aprofundou com o terremoto de 2010, que matou quase 300.000 pessoas e destruiu a precária infraestrutura que abastecia milhões de haitianos com água e energia. Ela nunca foi totalmente reconstruída.

Esse projeto genocida e anti-operário foi levado a cabo por figuras grotescas e muito bem conhecidas que passaram ou ainda estão no governo Bolsonaro. Dentre eles, temos: General Augusto Heleno, chefe do GSI; General Floriano Peixoto, hoje preside os Correios que está prestes a ser privatizado; o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas; General Carlos Alberto Santos Cruz, ex ministro-chefe da Secretaria de Governo da Presidência; Coronel José Arnon dos Santos Guerra atuou no governo na Secretaria Nacional de Segurança Pública; o coronel Freibergue Rubem do Nascimento, coordenador-geral de implementação do modelo de escolas cívico-militares no Ministério da Educação; General Otávio Rêgo Barros, ex porta-voz da Presidência da República; General Edson Pujol, foi comandante do Exército até abril deste ano; General Fernando Azevedo e Silva, ex-Ministro da Defesa; General Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Casa Civil.

Ainda que figuras importantes tenham saído do governo Bolsonaro, como os ex-Ministros, as Forças Armadas ainda não deixaram de apoia-lo e, mais que isso, sustentá-lo no poder. Isso com ampla conivência de Joe Biden, que assim como Bolsonaro, apoiou o governo de Moïse. As Forças Armadas tem íntimas relações com o Pentágono - algo que o recente encontro com a CIA, que contou com Augusto Heleno e Eduardo Ramos junto de Bolsonaro demonstram.

Diante da atual crise política do Haiti, está mais do que claro que não havia nenhuma intenção de “pacificar” o país, mas sim controlar a revolta e assassinar a sua população se necessário. Moïse vinha enfrentando forte oposição de setores da sociedade que consideravam seu mandato ilegítimo. O primeiro-ministro interino, Claude Joseph, decretou estado de sítio em todo o país, fechou os aeroportos e apontou que os primeiros indícios culpam "um grupo de criminosos estrangeiros não identificados" pelo assassinato, hipótese para a qual não foram fornecidas provas até o momento. A medida autoritária concede plenos poderes repressivos para a Polícia e as Forças Armadas, em um momento de forte crise sociopolítica do país, no qual o povo haitiano vem se mobilizando nas ruas desde 2018. Joseph seria substituído esta semana após três meses no cargo.


Protestos massivos em 2019, no Haiti

Mais do que nunca, fica claro que não podemos continuar o caminho de conciliação de classe do PT, que mantém as centrais sindicais numa paralisia total enquanto se privatiza a Eletrobrás, Correios e passam ataques um atrás do outro. Lula quer governar o capitalismo junto da direita, com todos os cortes, reformas e ataques de pé - e lado a lado dos mesmos militares que mandou para o Haiti massacrar o povo pobre e trabalhador negro.

Desde o Brasil, toda a solidariedade ao povo haitiano! Nos inspiremos na força dos trabalhadores e da juventude que resistem todos esses anos à essa brutalidade, herdeiros da histórica Revolução Haitiana - essa que é exemplo de onde os militares, os senhores de escravos, Bolsonaro e Mourão devem ir: para a lata de lixo da história.

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