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As duas pandemias: a política e a sanitária [a era da manipulação]

Gilson Dantas

Brasília

sexta-feira 9 de outubro| Edição do dia

[crédito imagem: news.Yahoo.com/plague]
Na recente Semana Universitária da Universidade de Brasília [UnB] foi realizada, dentre outras, uma palestra sobre a pandemia de COV-19 que se estendeu mundo afora com seu corolário de mortes.

O tema central foi um esforço em desmistificar o discurso oficial dos vários regimes pelo mundo em sua tentativa de – diante de uma pandemia real do COV-19 – tratarem de desencadear medidas econômicas e de política sanitárias, e também de pânico social, que, longe de serem justificadas pela pandemia sanitária em si, tiveram e têm o objetivo de fazer com que a classe trabalhadora pague pela crise do sistema capitalista, crise na qual o sistema já vinha mergulhado antes da pandemia.

No caso do governo Bolsonaro e seu regime isso foi bem claro: sua política sanitária em chave reacionária vem matando muito mais brasileiros do que o próprio vírus.

Aproveitando a senha da pandemia, o regime encabeçado por Bolsonaro transferiu bilhões de dólares para os mais ricos e para o capital financeiro enquanto distribuía – com fins eleitorais, par melhorar sua baixíssima aceitação social – uma ajuda de emergência que passa longe das demandas de dezenas de milhões de famílias pobres.

Ao mesmo tempo em que continuou destruindo o SUS, desmontou direitos trabalhistas já precários, vem organizando um plano para dividir a classe trabalhadora [destruindo os servidores públicos], vem esmagando o país sob o peso da dívida pública, entregando riquezas nacionais [queimando florestas de norte a sul como nunca], vem destruindo postos de trabalho em escala brutal, isto é afundando o povo pobre em privações sociais e sanitárias, criando terreno para o vírus fazer aqui o estrago que não eventualmente não chegou a fazer em outros países.

Sua política sanitária lançou dezenas de milhares de idosos e enfermos pobres diretamente nos cemitérios, não protegeu para nada os idosos pobres com comorbidades – vítimas preferenciais do vírus -, não garantiu nunca testes massivos e nem equipamentos e proteção para os trabalhadores da saúde e os demais essenciais, não garantiu afastamento remunerado para nenhum setor e não assegurou sequer o tratamento da enfermidade.

Neste item não foi além de uma política demagógica e ridícula de oferecer hidroxicloroquina para emas enquanto o povo enfermo não foi alvo de qualquer política de Estado em relação a tratamento [como ocorreu em outros países]. Fez o “circo da hidroxicloroquina” enquanto abandonava o povo pobre ao coronavírus e outros vírus sazonais de inverno.

Sua política foi em chave genocida, portanto.

O tema da palestra foi mostrar que a manipulação política e sanitária da pandemia foi tudo que o regime Bolsonaro e vários outros mundo afora foram capazes de fazer.

Também foram debatidos o papel da classe trabalhadora na pandemia, o papel da Big Pharma nesse processo e, ao final, um outro olhar sobre a biopolítica na pandemia.

Orquestrando uma política de pânico social diante de um vírus de baixa letalidade, as distintas políticas mundiais para a pandemia deram, de uma forma ou de outra – Bolsonaro e D. Trump muitíssimo mais que vários outros governos – total passagem ao efeito nefasto da pandemia em si mesma.

Isto é, foi a política econômica e sanitária desses governos que converteu o COV-19 em uma calamidade maior do que ele seria capaz se a população vulnerável tivesse sido protegida, além de outras medidas citadas na palestra.

Para isso, em benefício do grande capital financeiro, os regimes capitalistas não vacilaram em descartar/lançar na miséria muitas centenas de milhares de integrantes da classe trabalhadora mundo afora.

Não se trata de políticas científicas nem do ponto de vista médico nem epidemiológico e sim medidas que, de uma maneira geral, visam reproduzir a acumulação do capital, no caso, do grande capital sobretudo financeiro.

Daí a hipótese adotada nessa palestra: foi muito menos o vírus [ou os vários vírus que circularam neste ano] e muito mais a política sanitária e econômica genocida de parte de Bolsonaro [e seus pares mundo afora] o responsável por – no caso do Brasil - mais de cem mil mortes.

À impotência sanitária do governo, aliada do seu negacionismo sem fundamento, combinou-se, viciosamente, uma política de orquestração de pânico em torno do vírus de parte da grande mídia/burocracia médica/Big Pharma [biopolítica].

Em síntese, o tema dessa palestra reproduzida abaixo, de uma hora e quarenta, foi essencialmente discutir três tópicos em torno da pandemia do COV-19 pelo mundo afora: o papel da classe trabalhadora, o papel da Big Pharma e, especialmente a biopolítica do pânico, desproporcional ao efeito e aos danos do próprio vírus e da pandemia em si mesma. E também sobre o estado atual da crise econômica global.

[É importante registrar que este artigo e a palestra abaixo não representam a opinião do MRT, que não se pronuncia contra nem a favor de medicamentos para a doença do COV-19 e tampouco defende o debate sobre tratamento do COV-19. Eventualmente, também, algumas avaliações sobre a pandemia integram apenas o pensamento do autor, não do MRT].




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